PUBLICIDADE
Topo

Rápido e raro, Sandero R.S. é herdeiro legítimo da dinastia Renault Sport

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

08/08/2020 06h00

(SÃO PAULO) - Visitar uma concessionária Renault já foi um convite mais atraente. Havia a interessante família de médios Mégane, que em duas gerações por aqui contemplou sedã, hatch, perua e, acreditem, atém mesmo um conversível. SUVs compactos de hoje bem que tentam, mas não se equiparam ao que foi a Scénic no papel de carro familiar. Sem falar da genialidade do pequeno Twingo ou da singularidade do efêmero Fluence GT.

Hoje, temos: Kwid, Sandero/Logan/Stepway, Duster/Oroch e Captur, veículos que apelam à fria equação do custo versus benefício para apenas cumprirem o sentido literal de um meio de transporte. Nenhum deles dá tesão de dirigir.

Exceto o Sandero R.S.

Sandero R.S. frente matéria  - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Trata-se de um Sandero como qualquer outro, com a diferença de ser lapidado pela Renault Sport, a divisão esportiva da marca francesa que tem no currículo dezenas de carros de corrida em várias categorias do automobilismo internacional, Fórmula 1 inclusive. Já chegaram ao cúmulo de enfiar um V10 de Williams em uma minivan, a Espace F1.

Sandero R.S. tras - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

No Sandero R.S., as mudanças nem são tão radicais: a suspensão foi rebaixada em 2,6 cm, as molas ficaram mais rígidas, o escapamento ganhou saída dupla, os discos de freio (nas quatro rodas) ficaram maiores e o sistema de direção foi recalibrado. Do antigo Duster vieram o motor 2.0 16V e o câmbio manual de seis marchas, conjunto que recebeu mudanças para agora oferecer 150 cv de potência e 20,9 kgfm de torque (com etanol).

Sandero R.S. motor - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

Entretanto, é suficiente para se sentir com um carro genuinamente esportivo nas mãos. Não chega a ser um "canhão", mas acelera rápido, e o melhor nessa hora é sentir os engates curtos, sólidos e precisos do câmbio. Percebe-se no peso da embreagem que o conjunto está ali pronto para receber castigos freneticamente. A direção é mais pesada e direta, o que ajuda a ter o carro sob controle tanto num track day quanto numa estrada sinuosa.

Sandero R.S. perfil - Divulgação  - Divulgação
Imagem: Divulgação

É bom sair de casa com vontade de dirigir, porque a suspensão mais firme e os pneus (os ótimos Continental Sport Contact 3) de perfil baixo (205/45 R17) requerem atenção nas ruas maltratadas que nos entregam. Tem que estar no espírito, porque o Sandero R.S. é o tipo de automóvel que pede atenção, comprometimento e entrega. E isso é o melhor que se pode dizer dele.

Sandero R.S. painel - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Dinastia Renault Sport

O Sandero R.S. é o que é não à toa. Há uma dinastia em sua árvore genealógica. Que começa com o 5 Alpine, de 1976 - ano da fundação da Renault Sport, a união da montadora francesa com os preparadores Alpine e Gordini. Ao lado do Golf GTi, escreve, autografa e reconhece firma da cartilha dos hot hatches, que seria ao longo de décadas adiante consultada por fabricantes em busca da receita de carro compacto e divertido. Sua potência nunca intimidou, chegando a 110 cv na versão Turbo.

1981 Renault R5 Alpine Turbo - Divulgação  - Divulgação
Renault 5 Alpine Turbo 1981
Imagem: Divulgação

Em 1980, a Renault faz o impensável sobre a plataforma do urbano 5: joga o motor da dianteira para entre as costas do motorista e o eixo traseiro, que também passara a ser o das rodas motrizes. Depois aumentou a potência para 160 cv, extraídos de um 1.4 litro turbo, e rebatizou aquele que seria uma das lendas do World Rally Championship como 5 Turbo.

Renault 5 Turbo  - Divulgação - Divulgação
Renault 5 Turbo
Imagem: Divulgação

Parece que depois do 5 Turbo a Renault achou que tudo era possível. Até mesmo um Clio com sobrenome Williams. Equipado com um motor 2.0 de 150 cv e dono de um instigante desempenho, acabou tendo três edições, que totalizaram mais de 12 mil unidades até 1995. Para economizar peso, até do rádio ele abria mão.

Clio Williams - Divulgação  - Divulgação
Clio Williams foi uma versão limitada em homenagem à equipe de F-1
Imagem: Divulgação

Mas um Clio V6, aí sim, seria exagerado. Bom, não para a Renault. Em 2005, o que era um compacto despretensioso podia ter 250 cv e acelerar até os 100 km/h em 5,6 segundos em sua versão mais extrema.

Clio V6 - Divulgação  - Divulgação
Poucos hatches foram tão insanos quanto um Clio V6
Imagem: Divulgação

A terceira geração do Clio também teve sua dose de esportividade com o R.S., um foguetinho de quase 200 cv que não se intimidava com rivais do segmento superior, como Ford Focus ST, VW Golf GTi ou Mini Cooper S.

Clio R.S. - Divulgação  - Divulgação
Clio R.S., terceira geração
Imagem: Divulgação

Notem que a receita é sempre a mesma: um hatch convencional e espartano que, de repente, vira um esportivo.

Resta saber se o Sandero R.S. também vai virar um clássico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL