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Benê Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

New Honda City hatchback já provou que o Fit é coisa do passado?

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Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

08/05/2022 04h00

Passados os primeiros meses no mercado nacional, o Honda New City Hatchback dá sinais de que está vencendo o desafio de encantar os clientes da marca, mesmo se tratando de um modelo inédito por aqui e que, querendo ou não, assumiu a responsabilidade de substituir o Honda Fit.

Não por acaso, mesmo antes de sua chegada oficial, não faltaram discussões sobre como conseguiria convencer os antigos proprietários do Fit, um carro com proposta mais familiar, muito versátil e bem-sucedido no mercado nacional também.

Mas o fato é que a nova versão do New City já alcançou vendas médias na casa das 2 mil unidades mensais, número até melhor do que o antigo Fit vinha registrando e mais positivo do que a própria versão anterior no City Sedã vinha mantendo.

Mas de volta à questão da expectativa gerada, o primeiro ponto envolveu a saída de um monovolume para a entrada de um inédito modelo hatchback. Observando os números gerais do mercado, fica fácil a preocupação, pois a procura por SUVs não para de crescer, enquanto os modelos hatchbacks - pelo menos do segmento dos médios - vão seguindo um forte caminho contrário.

Motivo mais do que justo para dar uma repassada nos diferenciais que certamente estão garantindo o bom desempenho no mercado e, o melhor, convencendo os antigos donos do Fit.

Visual

Honda City hatchback - Matheus Simanovicius - Matheus Simanovicius
Imagem: Matheus Simanovicius

Mesmo com um desenho mais tradicional para um hatch, quando comparado ao Fit, o City traz um astral rejuvenescido, uma certa dose de esportividade e, importante, a traseira é mais bonita, esse um reconhecido ponto fraco do monovolume.

Mas ainda assim, eu acredito, tem relevância por ser uma real novidade no mercado ao oferecer uma boa oportunidade a quem ainda procura um carro diferenciado na multidão dos SUVs.

Espaço Interno

Honda City hatchback - Matheus Simanovicius - Matheus Simanovicius
Imagem: Matheus Simanovicius

Mesmo para quem precisa de um carro bom para a família, o New City não vem gerando tanto incômodo, detalhe comprovado rapidamente depois de utilizá-lo numa tradicional rotina doméstica. Tirando o modesto porta-malas de apenas 269 litros de capacidade, graças ao bom entre-eixos de 2,60 m e a carroceria mais larga, ele recebe muito bem quatro pessoas e até um quinto passageiro sem reclamação pesada.

E atrás, chama a atenção pelo conforto para as pernas realmente generoso. Uma pessoa com mais do 1,90 m de altura pode sentir um pequeno incômodo na cabeça por causa do caimento do teto, mas, na média, não dá para reclamar de espaço.

Ainda mais se formos considerar o sistema Magic Seat - essa uma ótima herança do Fit - e que permite tirar muito proveito da versatilidade oferecida pelas diferentes formas de rebatimento do banco traseiro; dá para transportar uma prancha de surf e até uma bicicleta em pé.

Dirigibilidade e consumo

Honda City hatchback - Matheus Simanovicius - Matheus Simanovicius
Imagem: Matheus Simanovicius

O New City Hatch entrega posição de dirigir mais autêntica de um modelo hatchback, longe da sensação de estar nas alturas dos SUVs. Ele acomoda bem o motorista, o volante tem ajuste de altura e profundidade, os bancos apoiam bem e o acerto de suspensão é um pouco mais firme, mas bem equilibrado. Isso significa que o New City consegue ser muito confortável, ajudado ainda pelo isolamento acústico.

Dá para curtir uma música e conversar sem elevar a voz, mesmo quando você exige mais do motor e a transmissão automática do tipo CVT força a elevação da rotação do motor. Pois aí a gente lembra de outro ponto que vai agradar fãs e não fãs do City Hatch: ele anda bem para sua proposta e consome pouco.

Como já mostrei aqui, o novo motor 1.5 flex é aspirado, mas tem injeção direta de combustível, comando variável de válvulas, entre outros recursos avançados, o que resulta em uma boa potência de 126 cavalos e torque de 15,8 Kgfm, força mais do que suficiente para o tamanho dele.

Não tem aquele "golpe" quando você pisa fundo no acelerador para uma retomada, como nos modelos turbinados, mas ele embala fácil e não te deixa inseguro numa ultrapassagem.

Agora, na hora de consultar o consumo, que já é bom pelos números do Inmetro - 13,3 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada, com gasolina - a situação pode empolgar. Andando com ele dentro dos limites das nossas rodovias e priorizando a condução eficiente, dá pra superar fácil, mas fácil mesmo, os números divulgados.

Segurança

Honda City hatchback - Matheus Simanovicius - Matheus Simanovicius
Imagem: Matheus Simanovicius

Vale lembrar que o New City é o primeiro modelo da Honda do Brasil a trazer pacote Sensing, que reúne aqueles recursos avançados de segurança e direção semiautônoma.

Na versão Touring, traz alerta de saída de faixa que corrige a trajetória, alerta de colisão frontal com frenagem de emergência, farol com facho automático, controle de velocidade adaptativo, entre outros. Isso sem esquecer dos seis airbags, controles eletrônicos de tração e estabilidade ou assistente de partida em rampa, além de uma estrutura geral reforçada e moderna, para dar mais alguns exemplos. Ou seja, apesar de ser um tanto discreto ao passar na rua, se trata de um carro bastante moderno e seguro.

Poderia ser melhor

Sim, mas sempre há espaço para melhorar. O New City Hatch, como comentei, tem um porta-malas bem modesto para um carro com essa proposta e, o principal: não é barato. Tem preços a partir de R$ 118 mil, ou seja, não dá para encará-lo como um modelo compacto "padrão"; definitivamente, falamos de um hatch premium, como as fabricantes gostam de considerar seus modelos mais equipados para assim justificar os preços elevados.

Mas, no caso do cliente Honda, até o preço maior já é algo bem absorvido, justificado pela qualidade e a confiabilidade dos seus carros, pontos importantes e que garantem ainda uma dose de exclusividade a quem tem um Honda na garagem. Assim, voltando ao caso do New City Hatch versus o antigo Fit feito no Brasil, tudo leva a crer que a Honda apostou e acertou na estratégia de deixar de lado essa história de vender um monovolume por aqui. Pelo menos no Brasil, agora o Fit é coisa do passado.

Preço Honda New City Hatchback

EXL: R$ 118.400,00
Touring: R$ 129.100,00