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Benê Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Renault Zoe reforça a autonomia, mas não escapa do preço alto

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Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

16/05/2021 04h00

Carro 100 por cento elétrico mais vendido na Europa em 2020, o Renault Zoe ganhou sua terceira geração já está disponível no Brasil. Uma demonstração clara de que a Renault acredita nesse segmento por aqui também, apesar de todas as dificuldades.
Mas na prática, não é só isso.

O grande objetivo com esta ação - e isso vale para todas as fabricantes que pretendem vender carros eletrificados num futuro próximo aqui - é manter o consumidor brasileiro atento e atualizado sobre a capacidade tecnológica e o nível de produtos que a marca produz.

Importado da França desde 2018, o Zoe já poderia ser considerado um velho conhecido da gente. No entanto, ainda é bem menos popular, por exemplo, do que o Renault Twizy - carrinho 100% elétrico com espaço para duas pessoas onde o passageiro senta exatamente atrás do motorista, como numa motocicleta - mas que, ao menos na cidade de São Paulo, é figura fácil de ser vista nas mãos de profissionais que prestam socorro para uma seguradora.

Bastante renovado, o Zoe chegou às concessionárias brasileiras em duas versões: a Zen e a Intense, que conta com mais itens de série. A mudança visual externa reforçou o ar futurista, em especial na dianteira, com capô, para-choque e faróis de LED redesenhados. E é na dianteira também onde fica a tomada de recarga, posicionada atrás do grande logo da marca contornado por um filete azul.

No interior há alterações mais profundas e interessantes, com um belo salto de qualidade no acabamento e a estreia de revestimentos feitos com tecidos e componentes plásticos 100% reciclados, informa a Renault. O painel traz superfícies emborrachadas, o volante é novo, assim como a alavanca câmbio e o console central, agora em posição mais elevada, além do freio de estacionamento elétrico com acionamento por botão.

Mudou também o painel de instrumentos digital - agora com tela de 10 polegadas - e a central multimídia com tela de sete polegadas posicionada sobre o painel central, no estilo flutuante. A central multimídia permite controlar diferentes configurações do carro, traz os recursos de conectividade e exibe informações sobre desempenho e consumo de carga.

O Zoe tem ainda chave inteligente tipo cartão, com visual bonito, padrão carro de luxo, e o acionamento do motor é feito por botão. No geral, o Zoe é um carro bem equipado e conta com importantes recursos de segurança, como quatro airbags, controle de estabilidade, assistente de partida em rampa, faróis com acendimento automático, sensor de ponto cego, entre outros.

Nova geração garante mais autonomia

Outra alteração do Zoe envolve uma questão que interessa muito a quem pretende adquirir um carro 100% elétrico: a autonomia. E nisso o Zoe saiu ganhando consideravelmente, pois a autonomia saltou de 300 km da versão anterior para 385 km.

Ficou mais forte também, com a entrega de 135 cavalos de potência - antes eram 110 cv - e torque de 25 kgfm disponível instantaneamente, como acontece com todo carro movido a eletricidade. A velocidade máxima é de 140 km/h. Mas é claro que o motorista precisa colaborar para garantir essa boa autonomia oferecida pelo Zoe, de preferência tirando bastante proveito do modo Eco e do sistema de frenagem regenerativa, que recupera a energia cinética das desacelerações.

Nesse quesito aliás, o elétrico francês ganhou outro recurso, o modo de condução B, que explora ainda mais as situações em que o motorista tira o pé do acelerador para fazer a regeneração de energia. Nessa condição - muito viável no trânsito lento - você praticamente não precisa utilizar o freio.

No mais, dá pra dizer que o Zoe é um hatch compacto padrão, até porque tem medidas próximas do Sandero, com 4,08 m de comprimento, entre-eixos de 2,59 m e porta-malas com 338 litros de capacidade. Entrega espaço agradável na frente, mas no banco traseiro é bem limitado e dificulta a vida de pessoas mais altas.

Mesmo contando com ajuste de suspensão um pouco rígido, o rodar é suave e confortável, ainda mais por se tratar de um carro elétrico. Único ruído é aquele recurso aplicado propositalmente para ajudar os pedestres, funcionando com um som de alerta para que todos percebam a presença do carro.

Ponto fraco do Zoe, como você já imagina, é o preço alto, algo que não é exclusividade dele, mas um problema a ser resolvido no país. Ainda precisamos de políticas de incentivo para que os modelos elétricos se tornem mais baratos e acessíveis. Agora, tem outro detalhe que joga contra o Zoe no Brasil e que pode ser resolvido pela Renault.

Por hora ele não é vendido com carregador. Ou seja, quem compra um Zoe e desembolsa uma boa grana pelo carro, precisa se preparar para gastar com o carregador. Único jeito de não ficar dependente dos eletropostos disponíveis na cidade e que ainda são poucos.

Preço Renault Zoe E-Tech
Zen: R$ 204.990
Intense: R$ 219.990

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL