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Caoa aproveita incentivo fiscal e fará investimento bilionário no Brasil

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Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

27/11/2020 04h00

Em ano com tantas dificuldades, um cenário completamente inusitado por causa da pandemia que gerou retração significativa na economia, a Caoa surpreende com o anúncio de investimento bilionário no País. É de admirar a iniciativa da empresa de capital 100% nacional. A saber: nenhuma fabricante multinacional anunciou investimentos nesta pandemia.

Mesmo com o repique das infecções, e de preocupações com relação a uma possível segunda onda de contaminação da covid-19, a Caoa disse que investirá R$ 1,5 bilhão em sua fábrica de Anápolis-GO, onde produz modelos Hyundai e Caoa Chery. A empresa pretende produzir dez novos modelos, de novidades a atualizações, até 2025. O anúncio foi feito pelo seu presidente, Mauro Correia, em cerimônia com a presença do governador do Estado de Goiás, Ronaldo Caiado.

Não bastasse a relevância do aporte, Correia surpreendeu novamente em seu discurso deixando no ar que há, inclusive, estudos para a inclusão de uma nova marca automotiva nos negócios produtivos da Caoa por aqui - possivelmente a Exeed, divisão de luxo da Chery com quem o empresário Carlos Augusto de Oliveira Andrade mantém parceria desde 2017.

Essa operação gigantesca para os padrões de um mundo pandêmico contou com ajudinha política. Correia agradeceu os esforços do governador Caiado e os da bancada goiana no Congresso na aprovação dos incentivos fiscais para o Centro-Oeste, fator decisivo para que mais dinheiro fosse colocado na fábrica.

Os incentivos ao Centro-Oeste foram aprovados no fim de setembro, em manobra que anexou a região a uma medida provisória assinada pelo presidente da República que dava mais prazo às empresas automotivas localizadas na Região Nordeste apresentarem seus projetos regionais para os próximos cinco anos, com o argumento de que, com a pandemia, precisavam de mais tempo.

A região sedia duas montadoras, Caoa e HPE, que produz Mitsubishi e Suzuki. Os parlamentares goianos não tiveram o mesmo sucesso de seus colegas nordestinos em 2018, que conseguiram juntar no texto que definiu a política automotiva conhecida como Rota 2030 a prorrogação do Regime Automotivo do Nordeste. Ambos venceriam ao fim deste 2020 e, na ocasião, o nordestino fora prorrogado até 2025. O do Centro-oeste só agora, mas nos mesmos moldes e prazos.

A justificativa para conceder estes descontos nos tributos federais é a localização das fábricas, distante dos grandes centros e alegadamente prejudicadas logisticamente por isso. Há também um argumento social: essas fábricas ajudam a desenvolver e gerar empregos em outras regiões do País.

Felizes ficam as que investiram nestes locais: Caoa e HPE no Centro-Oeste, FCA e Ford no Nordeste. Não sem gerar reclamação dos que não foram beneficiados: a Toyota, por exemplo, questionou publicamente a decisão, que desequilibra a competitividade no País. Reclama de falta de previsibilidade e sonha com uma reforma tributária que elimina, ou reduza, essas alegadas distorções.

Nesse caso pode-se esperar outra disputa acirrada no Congresso Nacional.

Black Friday. As concessionárias estão ansiosas para o dia de hoje e preparam descontos para atrair um consumidor que, segundo estudo do Google, espera a data para decidir sua compra. A pesquisa da Big Tech aponta que 72% dos entrevistados que possuem interesse em comprar carro ainda em 2020, novo ou usado, estão esperando a sexta-feira, 27 de novembro, para bater o martelo.

Primeiro dia útil de 2021. Em 4 de janeiro os acionistas da PSA e FCA votam a aprovação da fusão das duas companhias e a criação da Stellantis.

Só em 2022. A Peugeot Landtrek, que marca o retorno da marca ao segmento de picapes desde o fim da produção da Hoggar - que, curiosamente, a Peugeot ignora em suas apresentações -, chegará ao Brasil apenas em 2022. A picape foi apresentada no México, onde começa a ser vendida importada da China. Aqui terá produção regional, possivelmente no Uruguai, onde já são montados outros comerciais leves do Grupo PSA.

Mais SUV. Concessionárias Toyota já vendem o SW4 2021 a partir de R$ 202,3 mil. Ganhou as mesmas alterações no motor que a picape Hilux, produzida na mesma fábrica de Zárate, Argentina.

* Colaboraram André Barros, Bruno de Oliveira, Caio Bednarski e Vicente Alessi, filho

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.