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Montadoras preveem que setor demorará ao menos cinco anos para se recuperar

Omar Freitas/Agência RBS/Folhapress
Imagem: Omar Freitas/Agência RBS/Folhapress
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

03/07/2020 08h23

2025. Essa é a expectativa dos executivos que participaram do Seminário AutoData Megatendências do Setor Automotivo - a Revisão das Perspectivas 2020, para a volta dos volumes do mercado nacional aos níveis pré-crise.

O estrago da pandemia no processo de recuperação da indústria que, em 2019 registrou 2,8 milhões de veículos negociados, será sentido até o fim de 2024. Sonhar com um número próximos de 3 milhões de unidades no mercado interno só em meados desta década.

É a primeira vez que alguns dos principais líderes do setor automotivo apresentaram, num mesmo encontro, suas projeções tanto para o segundo semestre de 2020 quanto para os próximos anos. E o enredo é de filme de terror para toda a cadeia automotiva.

O presidente da General Motors, Carlos Zarlenga, admitiu que, encerradas as medidas de flexibilização do emprego promovidas pelo governo, é bem provável que venha uma onda de demissões - e elas já começaram: a Nissan demitiu em Resende, RJ e a Scania planeja reduzir seu quadro em São Bernardo do Campo, SP.

Em algum momento os fornecedores, elo mais vulnerável da cadeia, serão forçados a cortar postos de trabalho. E isso é um pesadelo, pois estamos falando de bons empregos no País da informalidade, no qual o salário desses trabalhadores ajuda a movimentar a economia.

Zarlenga lembrou que essa situação é muito difícil para as empresas pois, a partir da retomada das atividades, precisarão pagar empréstimos tomados durante a pandemia para irrigar o caixa.

Antonio Filosa, presidente da FCA, sinalizou um caminho para os próximos meses e anos: foco no comportamento do consumidor. Em todos os aspectos, não apenas na experiência de compra dos clientes. Mas em seus anseios, nos sentimentos diante de tantos desafios novos. E uma atenção especial aos consumidores com mais dinheiro, que desejam modelos mais caros e geram melhores margens para as fabricantes.

Mais do que tudo isso é preciso repensar qual o modelo de indústria automotiva para o Brasil. Tanto os presidentes das principais montadoras como executivos do segmento de caminhões, representantes de empresas sistemistas de autopeças, fabricantes de motores, concordam que a pandemia trouxe um período de oportunidades para encaminhar uma série de projetos e políticas setoriais capazes de impulsionar toda a cadeia.

Renovação da frota de caminhões, um planejamento estratégico para a utilização da tecnologia brasileira do etanol no País, inclusive exportando essa expertise, e um fortalecimento das empresas locais por meio da localização de peças e componentes são alguns dos exemplos que devem ser encarados com mais seriedade e precisam sair do papel.

A análise de Pablo Di Si, presidente da Volkswagen, demonstra o tamanho e a urgência de conduzir essa agenda complexa, que envolve diversos setores. Os investimentos, lá fora, estão direcionados para os elétricos. O Brasil vai correr o risco de termos fuga de projetos daqui? Queremos que o mercado, quando retornar ao patamar de 2019, em 2024 ou 2025, seja abastecido por veículos importados?

Assim como a própria pandemia ainda há mais perguntas do que respostas. Mas está na hora de atacar essa agenda - e toda essa discussão envolve, necessariamente, um governo central que parece não fazer muita questão de colaborar com o setor automotivo, que emprega mais de 1,2 milhão de cidadãos e cidadãs.

Para o lazer. Antonio Filosa, presidente da FCA, demonstrou no Seminário AutoData como os esforços da Fiat com a recém-lançada Strada serão dedicados ao cliente que utiliza a picapinha para o lazer. Eles representavam 5% das vendas na geração anterior e a companhia vai trabalhar mais com esse público para que a fatia cresça para 25%. Isso significa maior rentabilidade em um produto com forte vocação para o trabalho.

Central multimídia. Os sistemas que reúnem rádio, computador de bordo e, especialmente, pareamento com smartphones, ganharam importância dentro dos departamentos de engenharia das fabricantes - resultado da busca do consumidor. Nivus, com o VW Play, e Strada, com UConnect, trazem gerações novas dessas centrais, cujo desenvolvimento foi feito no Brasil.

Do Brasil para o mundo. Tanto o sistema da FCA quanto o da Volkswagen será adotado em outras operações ao redor do mundo.

Mulher no comando. Juliana Coelho foi nomeada gerente do Polo Industrial Jeep, em Goiana, PE. A pernambucana, de 30 anos, é a primeira mulher responsável por uma fábrica da companhia na América Latina.

* Colaboraram André Barros, Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.