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Parceria da Ford com empresa indiana pode impactar em atuação no Brasil

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Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

12/06/2020 04h00

Fala-se muito sobre a parceria global da Ford com a Volkswagen no segmento de veículos comerciais leves. A nova Ranger, a nova Amarok, furgões elétricos, autônomos e uma série de novos serviços estão no centro dessa estratégia conjunta.

Mas outra aliança global poderá ter impacto muito maior na indústria automotiva nacional daqui em diante. Trata-se de joint-venture da Ford com a Mahindra, que concentrará o desenvolvimento de engenharia, produtos e serviços para mercados emergentes.

Durante apresentação do CEO, Jim Hackett, e do chefe de operações globais, Jim Farley, na conferência automotiva global realizada pelo Deutsche Bank, na quinta-feira, 10, foi demonstrado que a parceria com a Mahindra concentrará todos os desenvolvimentos na Índia, um dos maiores mercados potenciais do mundo, e que essas novidades serão levadas para os mercados emergentes.

Ainda é muito cedo para conhecer os impactos desse novo direcionamento da Ford para os negócios em mercados emergentes que possuem instalações suas, como aqui no Brasil. Mas a busca por redução de custos de engenharia e a escala de produção alcançada na Índia são os principais argumentos dos executivos da Ford para o sucesso da parceria com a Mahindra.

Hackett e Farley mostraram que equipes locais com conhecimento em mercados emergentes e padrões de engenharia requisitados na Índia contribuirão para reduzir os investimentos em mercados emergentes e estarão direcionados a obter resultados expressivos em eficiência e lucratividade.

E também disseram que há grande potencial nesse intercâmbio com a Mahindra para criar novos serviços de mobilidade específicos para os consumidores dos mercados emergentes. Um dos slides tinha a frase, em inglês: "Nossa ambição é ir além de compartilhar plataformas de veículos", em tradução livre.

A América do Sul foi citada algumas vezes aos investidores do Deutsche Bank. Quando mostrado um quadro de desenvolvimento de suas atividades em todas as regiões a Ford disse que está redesenhando o modelo de negócios na América do Sul. E que acompanha de perto e com atenção o impacto da covid-19 no Brasil.

Em outro slide apresentaram alguns novos produtos do portfólio. Dois deles, globais, programados para ser lançados na América do Sul: a nova geração da picape F-150 e um inédito SUV com características mais urbanas do que off-road.

Ford/VW. Na descrição da parceria com a Volkswagen a Ford sinaliza que o programa conjunto aumenta a capacidade de financiamento para tecnologias de última geração e de aprimoramento de novos produtos. Os executivos não mostraram, nessa apresentação a agentes do mercado financeiro, os pormenores da produção conjunta da nova Ranger e da nova Amarok.

Índia = Brasil 1. A Índia está no grupo dos mercados emergentes por causa do seu grande potencial para automóveis. Por enquanto os veículos de duas rodas são maioria. Das pouco mais de 26 milhões de unidades vendidas no período de doze meses de 2018 a 2019, 21 milhões foram de duas rodas.

Índia = Brasil 2. Segundo estatísticas da associação dos fabricantes de veículos da Índia foram vendidos, no mesmo período de doze meses, mais de 3,3 milhões de automóveis. É um resultado melhor do que todas as vendas no Brasil no ano passado, 2,7 milhões de unidades de automóveis e veículos comerciais.

Joint-venture. Em outubro de 2019 foi estabelecida a parceria da Ford com a Mahindra, com 51% da participação sob o controle da fabricante indiana e 49% da Ford. Apesar do conselho administrativo contar com representantes das duas empresas em igual número, caberá à Mahindra o controle da nova empresa. O acordo também transferiu duas fábricas da Ford para a joint-venture.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.