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Dólar em alta: por que comprar um carro novo deve ficar mais caro

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Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

13/03/2020 04h00

Conta simples do presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes: a valorização cambial de janeiro ao início de março, em torno de R$ 0,60, causou impacto de R$ 8 bilhões nos custos da indústria somente com relação à importação de peças.

Outra conta simples: cada automóvel produzido ficou, em média, R$ 2,6 mil mais caro.

Embora o cálculo utilize matemática básica - há ainda diversos outros fatores a serem ponderados, como o hedge das exportações, o ganho de produtividade etc - é um indício de que estão por vir correções nas tabelas de preços das montadoras nos próximos meses.

Claro que ninguém na indústria confirma oficialmente reajuste dos preços atrelado ao dólar, mesmo que alguns modelos recém-apresentados, como o Toyota Corola e o Chevrolet Onix, sejam ofertados com valores anabolizados em todas as versões.

Em conversas da equipe de AutoData com alguns representantes das montadoras o que mais escutamos é que "será muito difícil segurar os preços". A maior dificuldade do momento é absorver o aumento de 15% somente no custo cambial. E isso foi na semana passada, antes da trágica segunda-feira, 10, e desta quinta-feira, 12, momentos de grande apreensão e paralisação da Ibovespa com valorização expressiva da moeda norte-americana.

O presidente da Anfavea admitiu a possibilidade do repasse, mas lembrou que isso dependerá dos planos de cada montadora.

Mais Brasil, menos Brasília. Para o presidente da Anfavea a escalada do dólar não ocorre apenas por fatores externos: as confusas declarações e ações do governo ajudam a provocar desconfiança do investidor estrangeiro, que retira seus dólares do País. Moraes pede menos barulho em Brasília, DF.

PIBinho de novo? Esses ruídos vindos da capital federal também afetam o desempenho da economia. Mesmo ressaltando diversas vezes que cultiva canal aberto com o pessoal da área econômica do governo, com quem já conversou sobre o assunto, a instabilidade política na capital federal continua a incomodar o setor industrial, segundo Moraes: "Qualquer barulho político afeta a economia real e gera impacto nos índices de confiança. Crescemos muito pouco no ano passado, o Brasil precisa crescer mais".

Elon Musk vem aí? É o que diz o deputado Daniel Freitas, do PSL de Santa Catarina. Segundo ele a assessoria do empresário norte-americano avisou ao MCTIT, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, que virá ao Brasil para tratar das negociações para a instalação de uma possível fábrica da Tesla em Santa Catarina.

Nos EUA, sem agenda. A reunião tão esperada pelos representantes do governo federal e noticiada na semana passada neste espaço, não ocorreu: faltou espaço na agenda de Musk e nenhum outro representante da Tesla poderia comparecer à Flórida, onde comitiva presidencial esteve no começo da semana. Essa é a versão oficial.

Sem confirmação. AutoData tenta confirmar a viagem de Musk ao Brasil com a assessoria de imprensa da Tesla, nos Estados Unidos, e também a versão deles para o cancelamento da reunião na Flórida, esta semana. Mas até o fechamento desta edição não recebemos o retorno desses profissionais.

Salão 2021. Nem bem foi anunciado oficialmente - falta definir data, local, formato, ou seja, quase tudo - o Salão do Automóvel de 2021 teve a primeira baixa: em nota a General Motors afirmou que não participará do evento no ano que vem.

* Colaboraram André Barros, Bruno de Oliveira e Caio Bednarski