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Secretário: Caso de vacinas vencidas pode ser 'mero erro de digitação'

Rodrigo Otávio Moreira da Cruz (à esquerda), secretário executivo do Ministério da Saúde, falou sobre denúncia de vacina vencida - Geraldo Magela/Agência Senado
Rodrigo Otávio Moreira da Cruz (à esquerda), secretário executivo do Ministério da Saúde, falou sobre denúncia de vacina vencida Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

03/07/2021 17h09Atualizada em 03/07/2021 17h09

O secretário executivo da Saúde, Rodrigo Otávio Moreira da Cruz, comentou hoje em entrevista à CNN Brasil a denúncia feita pela Folha de São Paulo de que quase 26 mil vacinas vencidas da Oxford/Astrazeneca teriam sido aplicadas no Brasil.

Cruz afirmou que o Ministério da Saúde cobrou esclarecimentos de estados e municípios, reforçando que a pasta faz verificações de validade antes de repassar os lotes de imunizantes, mas argumentou que a informação pode ter sido causada apenas por um erro de digitação no sistema do SUS (Sistema Único de Saúde).

"Importante destacar que o Ministério tem um controle muito rigoroso na distribuição dessas doses, então o ministério não distribui doses que estiverem vencidas. Ele recebe essas doses no centro de distribuição, há um controle rigoroso sobre a validade dessas doses, elas são enviadas aos estados e por sua vez enviadas aos municípios. A gente pediu detalhamento aos municípios para verificar se de fato houve essa aplicação de doses vencidas ou se foi um mero equívoco no preenchimento dos dados no nosso sistema oficial, o DataSUS", declarou o secretário ao canal de TV.

Alguns secretários municipais se manifestaram após a denúncia para negar que tenham usado vacinas vencidas.

Cruz explica que como em alguns municípios os registros sobre aplicação de vacinas são preenchidos a mão para só depois serem digitalizados é possível que tenha acontecido alguma inconsistência nessa transferência de informações, afirmando que o Ministério tem planos de melhorar o DataSUS, onde esses dados ficam armazenados.

"Após esse episódio, o ministério está trabalhando para aprimorar este sistema para que, ao inserir as informações, caso o digitador esteja colocando que [a dose] foi aplicada após o vencimento, irá subir um alerta para que o digitador confira o registro."

Apesar da hipótese de um "mero equívoco de digitação", o secretário recomenda que caso seja comprovada a aplicação de vacinas vencidas, as pessoas verifiquem qual era o lote da dose com a qual foram imunizadas e, em caso de problema, procurem uma secretaria municipal.

"A recomendação que existe já no nosso PNI (Plano Nacional de Imunização) é que se a pessoa tiver sido imunizada de fato com uma dose vencida, aguarde 28 dias e aí procure a secretaria municipal e se imunize novamente, mas lembrando: é uma hipótese, isso está sendo verificado junto aos municípios e estados".

O funcionário do governo federal ainda reforçou o planejamento para que todos as pessoas acima de 18 anos no Brasil sejam vacinadas ainda em 2021.

"É um grande desafio, o PNI distribui anualmente 300 milhões de vacinas, isso fora a pandemia, e com a pandemia e a distribuição de 600 milhões de doses, a gente triplica o que usualmente era feito na PNI, para todas as vacinas comuns. Então a gente precisa conta muito com a expertise, a contribuição, dos estados e dos municípios para fazer essa distribuição de uma maneira rápida".

"Semanalmente eu tenho uma agenda com todos os laboratórios, e a gente estuda essas possibilidades. Hoje o que a gente tem é um cenário um pouco mais claro, a gente verifica já os cronogramas tendo um pouco mais de fidelidade no seu cumprimento. Óbvio que a gente não pode cravar que as doses vão chegar conforme o planejado, mas hoje já existe mais clareza. No mês de junho recebemos mais de 38 milhões de doses, 16% a mais que o mês de maio, e há uma expectativa para o mês de julho se superar a marca das 40 milhões de dólares", concluiu ele em entrevista à CNN, declarando que para agosto e setembro a expectativa é ultrapassar as 60 milhões de doses.