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Teste feito em app prevê Alzheimer até 10 anos antes de surgirem sintomas

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Bruna Alves

De VivaBem, em São Paulo

10/09/2020 11h00

Recém-chegado ao Brasil, o aplicativo Altoida pode ajudar a detectar a doença de Alzheimer 10 anos antes da manifestação dos primeiros sintomas. Ele foi desenvolvido por neurocientistas na Suíça e já é utilizado em outros países.

Segundo o desenvolvedor, o app tem até 94% de precisão, e age com inteligência artificial identificando o CCL (comprometimento cognitivo leve), que é a fase inicial do Alzheimer, através de um teste rápido.

Uso de inteligência artificial

"O uso de inteligência artificial tem auxiliado na diferenciação entre indivíduos normais e pacientes em várias circunstâncias", comenta Sonia Brucki, neurologista, co-coordenadora do grupo de neurologia cognitiva e do comportamento da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e do Ceredic (Centro de Referência em Distúrbios Cognitivos).

A partir dos sensores em um iPad ou iPhone é realizada uma avaliação das habilidades cognitivas e funcionais do paciente. Basicamente, é como se a pessoa estivesse apenas jogando no celular, com a diferença de que todos os seus movimentos estão sendo avaliados. Para Android, o aplicativo ainda não está disponível.

"É uma ferramenta que vem com o intuito de trazer suporte e ajuda no diagnóstico da doença de Alzheimer. A gente não dá o diagnóstico, mas a gente ajuda o médico a ser mais assertivo no suporte clínico da doença", explica Paulo Bragança, sócio-diretor da Biocare, empresa responsável pelo aplicativo no Brasil.

Ao término do exame, que dura em média dez minutos, os dados são processados e relatórios de rastreio com o perfil do paciente são gerados. É possível avaliar a memória espacial, memória prospectiva, velocidade do processamento psicomotor, equilíbrio, precisão, entre outras funções.

"Ninguém faz um check-up do cérebro, e essa ferramenta traz essa capacidade, de você incluir no seu programa anual de check-up uma avaliação cognitiva e fazer um acompanhamento disso", esclarece Bragança.

É preciso cuidado

Para Maria Aparecida Bicalho, geriatra, especialista em Alzheimer e professora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o Altoida consegue comparar mínimas alterações na performance cognitiva e funcional no paciente ao longo do tempo.

A especialista explica que é preciso ter cautela com a realização dos testes, para que os pacientes não fiquem ansiosos ou até mesmo deprimidos com resultados que apontem para o diagnóstico positivo.

"A vantagem do aplicativo é que, comparando com outros métodos, ele tem uma sensibilidade e uma acurácia grande, e a possibilidade de fazer isso com frequência", pondera Bicalho, ressaltando que ainda não há nenhum medicamento capaz de retardar, tampouco barrar a doença, efetivamente.

Ainda não será para todos

Por outro lado, a especialista avalia que o Altoida não será para toda a população ou, pelo menos, não tão cedo. Isso porque trata-se de alta tecnologia, e segundo ela, os idosos no Brasil, que não têm uma boa condição socioeconômica, dificilmente se adaptariam a esse aplicativo, devido ao baixo grau de escolaridade e dificuldade com tecnologia.

Além disso, é provável que o aplicativo demore muitos anos para ser disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mais um motivo pelo qual a maioria, por enquanto, não teria acesso. No entanto, a técnica foi validada por vários estudos científicos internacionais e o uso já foi aprovado no Brasil pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária).

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