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Fungo da candidíase causa sintomas como do Alzheimer quando atinge cérebro

AntonioGuillem/IStock
Imagem: AntonioGuillem/IStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

08/01/2019 13h37

Pelo menos uma vez na vida alguma mulher já sofreu com candidíase. O problema causa coceira, incômodo e irritação na vagina. 

Agora, cientistas da Universidade de Medicina de Baylor (EUA) descobriram mais um sintoma relacionado ao fungo Candida albicans, causador dessa doença. Ele pode causar problemas de memória e anormalidades cerebrais que se assemelham às caraterísticas da doença de Alzheimer. O estudo foi publicado na revista Nature Communications

Candida albicans é um fungo que cresce naturalmente no intestino, boca e vagina. A nova pesquisa mostrou que ele pode entrar no cérebro, desencadear uma resposta inflamatória e prejudicar a memória em camundongos. 

De acordo com os cientistas, a infecção leva à formação de estruturas anormais no cérebro e estas compartilham semelhanças com as placas amiloides -- característica da doença de Alzheimer.

A equipe testou várias doses de C. albicans em um modelo de ratos. Eles estavam tentando encontrar uma quantidade que seria alta suficiente para afetar o cérebro, mas não a ponto de causar uma doença debilitante. Para aprofundar a pesquisa, os pesquisadores decidiram injetar uma dose de 25 mil leveduras na corrente sanguínea dos roedores.

Para a surpresa dos autores, o fungo penetrou na barreira hematoencefálica. Esse tipo de barreira é um mecanismo que protege o cérebro dos patógenos do sangue. Ela separa os capilares do cérebro ou vasos sanguíneos, das células e tecidos do cérebro. 

"No cérebro, a levedura desencadeou a atividade da microglia, um tipo de célula imune residente. As células se tornaram muito ativas, 'comendo e digerindo' a levedura. Elas também produziram uma série de moléculas que mediaram uma resposta inflamatória, levando à captura das leveduras dentro de uma estrutura do tipo grânulo dentro do cérebro ", explica David B. Corry, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores chamaram essa estrutura de "granuloma glial induzido por fungos, ou FIGG". Os cientistas também notaram que, conforme as FIGGs se formaram, proteínas precursoras de amilóide e moléculas de uma proteína chamada beta-amiloide se desenvolveram ao redor das células de levedura. As proteínas formam as placas cerebrais tóxicas que caracterizam a doença de Alzheimer.

Além disso, os cientistas testaram a memória dos ratos, comparando os roedores infectados com roedores que não tinham a infecção por fungos. Os ratos que tiveram a infecção mostraram redução da memória espacial. No entanto, quando a infecção desapareceu, a memória espacial dos ratos voltou ao normal.

"Os resultados nos levaram a considerar a possibilidade de que, em alguns casos, os fungos também poderiam estar envolvidos no desenvolvimento de distúrbios neurodegenerativos crônicos, como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla. Atualmente, estamos explorando essa possibilidade", conclui Cory. 

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