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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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O pilates me ajudou a andar sem muletas e a superar a dor da poliomielite

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Juliana Vaz

Colaboração para o VivaBem

07/02/2018 04h01

Durante boa parte da vida, a analista de sistema Ilza Santos, de 43 anos, precisou lidar com muitas dores e limitações físicas. Com ajuda da prática regular de exercícios e determinação, ela venceu as sequelas da paralisia infantil, começou a caminhar sem muletas e realizou um grande sonho: andar de bicicleta. A seguir, Ilza conta os problemas que enfrentou por causa da doença e sua história de superação:    

“Contraí poliometite aos nove meses e o problema limitou não só meu desenvolvimento físico, mas também minha personalidade. Até os 41 anos, precisava do apoio de muletas para andar e não me sentia à vontade com meu corpo. Por isso, evitava sair na rua

Estudei em casa até os nove anos e após muita insistência, meus pais me deixaram frequentar a escola. Meu sonho era andar de bicicleta. Mas eu sequer tinha condições de participar de brincadeiras simples com outras crianças na rua, imagine pedalar...

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Foram diversas cirurgias ao longo dos anos, a fim de diminuir a limitação do braço e da perna direita. A última operação foi em 2001. Apesar da dificuldade motora ter melhorado, sentia dores todos os dias e ainda precisava de apoio para andar. Os médicos recomendaram fazer fisioterapia e atividade física, mas na minha cabeça isso não tinha sentido. Acreditava que somente novas intervenções cirúrgicas ou medicamentos me trariam conforto físico.

Ganho de peso e de mais dores

Tenho 1,57 cm de altura e sempre fui magrinha. Porém, após concluir a graduação em tecnologia da informação, em 2010, e com menos compromissos ao longo do dia, me tornei sedentária e engordei. Cheguei aos 62 kg. O peso extra começou a sobrecarregar meu joelho esquerdo.

Em 2015, meu médico descobriu que a patela estava bipartida. Por essa razão, as dores se tornaram ainda mais intensas. Achei que a indicação dele seria operar. No entanto, ele recomendou fisioterapia e exercícios. Procurei outros especialistas, mas todos foram categóricos ao dizer que não me submeteriam a novas cirurgias, pois eu ficaria ainda mais debilitada com o estresse causado no corpo. Mesmo sem se conhecerem, pareciam ter combinado ao repetirem tantas vezes a frase: faça atividade física.

O começo no esporte

Tentei frequentar a academia que os funcionários da empresa em que trabalho tinham desconto. Ainda que os professores me incentivassem a treinar, sentia vergonha de usar os aparelhos de musculação. Malhava de moletom e roupas largas para esconder a barriga e a perna direita, mais fina do que a esquerda.

Como não tinha a menor vontade de ir para aquele ambiente, não me exercitava com frequência. Logo, não obtive melhoras significativas e as dores seguiram fortes, ao ponto de atrapalhar meu sono. A solução que encontrei foi ir até o pronto atendimento do hospital diversas vezes no mês e tomar injeção para aliviar a agonia.

A paixão pelo pilates

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
 Meu médico insistia no esporte como saída. Em 2016, a empresa encerrou a parceria com a academia e adotou o Gympass --que permite treinar em diferentes lugares. Com a nova facilidade, decidi seguir o conselho de alguns especialistas e experimentei o pilates. Adorei a modalidade de cara, principalmente por ser realizada em um estúdio exclusivo. Somente a presença da instrutura na sala me deu confiança para fazer exercícios. 

O início no pilates foi em maio de 2016, exatamente quando as dores agudas aumentaram e comecei a arrastar a perna. Só conseguia andar de muleta. Iniciei com duas sessões semanais de treino. Aos poucos, fui sentindo um alívio impressionante. Em dois meses, não havia mais dor alguma.

A instrutora viu a melhora no meu desempenho e me incentivou a fazer outras atividades, principalmente musculação. Medo da academia lotada? Não tinha mais. Graças ao pilates, estava pronta para superar a vergonha de treinar em um lugar amplo e cheio de gente. A receptividade da treinadora, que me atendeu e desenvolveu um treino exclusivo para mim, fez total diferença nesse momento.

A realização de um sonho 

Ilza ainda usa muleta no dia a dia para ter mais conforto, mas o treinamento a tornou capaz de andar sem o apoio    - Arquivo pessoal
Ilza ainda usa muleta no dia a dia para ter mais conforto, mas o treinamento a tornou capaz de andar sem o apoio
Imagem: Arquivo pessoal
Comecei a emagrecer e a ver o corpo mais definido. As pernas e braços ficaram mais fortes e consegui ficar em pé sem nenhum apoio. Finalmente pude dar adeus às muletas! 

Hoje, quase dois anos após iniciar essa jornada, consegui ir muito além do que imaginava: sou capaz de pedalar! Enfrento os 45 minutos da aula de spinning sem medo.

Ganhei massa magra e tenho somente 15% de gordura corporal. Estou com 55 kg. Antes, sentia vergonha do meu corpo, escondia as pernas em roupas largas. Agora, tenho diversas leggings. Percebi que o julgamento e a insegurança estavam dentro de mim, as pessoas ao redor sequer notavam minhas diferenças.

Fiz novos amigos durante as aulas e comecei a incentivar os colegas de trabalho a saírem do sedentarismo. Fazer exercícios passou a ser tão fundamental na minha vida quanto me alimentar. Sinto prazer em treinar.

Aos 43 anos (quase 44), sou uma nova pessoa sem a dor. Às vezes, penso quanto tempo perdi ao insistir em medicamentos, enquanto muitos avisavam que o alívio viria da atividade física.”

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