PUBLICIDADE

Topo

Paola Machado

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Meus joelhos estalam enquanto treino. Posso treinar mesmo assim?

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

01/12/2021 04h00

Com certeza você já ouviu ao menos uma vez um ruído que saiu do seu joelho enquanto você se movimentava. Muita gente relata que esse som lembra o de um maquinário velho quando falta lubrificação. E, às vezes, pode ocorrer um ruído alto a ponto de assustar e afastar muita gente do treino por medo de se lesionar.

Mas saiba que os estalos nas articulações são mais comuns do que você imagina, sejam eles voluntários, por exemplo, quando estalamos propositalmente os dedos das mãos e, involuntários, quando agachamos, corremos ou nos movimentamos repentinamente.

No geral, a sensação ao estalar é boa, como se a pressão que estava ali na articulação desaparecesse, proporcionando alívio e relaxamento. Pense em quanta gente você conhece que tem o hábito de estalar o corpo propositalmente.

Como esses estalos no joelho ocorrem?

Os joelhos são áreas do corpo responsáveis pela locomoção, por absorver impacto e suportar sobrecargas.

Na articulação do joelho há um líquido que possui a função de lubrificação e proteção. Nele há gases que se misturam na presença do movimento articular criando diferentes pressões e bolhas gasosas que estouram gerando os ruídos.

Outro fator que pode levar aos estalos é o próprio movimento do nosso joelho, e nesse caso, geralmente ocorre quando permanecemos parados muito tempo na mesma posição e os ligamentos e tendões ao redor da articulação do joelho movimentam-se rapidamente.

A falta de alongamento e fortalecimento também influencia nos sons que saem da articulação devido à pressão entre os ossos do joelho, a patela e o fêmur, ocasionando maior atrito.

Estalos e treino sem orientação

Sabe-se que o sedentarismo e a fraqueza muscular levam à instabilidade na articulação e geram compensações nos movimentos. Por outro lado, com overtraining e sobrecarga, por exemplo, quando se coloca mais carga que o ideal sem uma preparação e fortalecimento prévios, há, sim, o risco de se gerar desgaste e sobrecarga na articulação.

Por isso a importância do acompanhamento de um profissional para correção da biomecânica da estrutura de joelho e quadril e orientação correta para fortalecimento muscular específico são fundamentais para garantir a saúde e benefícios do treinamento.

Mas, afinal, deveria me preocupar se meu joelho estala durante os exercícios?

Um estudo investigou 250 pessoas sem nenhum tipo de lesão ou queixa de desconforto nos joelhos e revelou que 99% delas apresentavam estalos nos joelhos.

Portanto, se seu joelho estala enquanto você realiza exercícios físicos e eles não são acompanhados de dores e incômodos, não há motivos para parar de treinar.

Mas se além dos estalos, você ouve ou sente as crepitações e rangidos na articulação, fique atento! A crepitação pode ter causas distintas que devem ser investigadas, podendo ocorrer como um atrito natural entre os tendões e estruturas ósseas, ou envolver alterações anatômicas ou patológicas.

Além disso, podem estar relacionadas à rupturas meniscais antigas, lesão da cartilagem, osteoartrite, instabilidade patelofemoral ou síndrome da dor patelofemoral.

Lembre-se que em caso de dores, inchaço, mudança de coloração ou temperatura da pele na região do joelho ou limitação de movimento, é recomendado interromper imediatamente os treinos e investigar a causa.

*Colaboração do profissional de educação física Rodrigo Kenzo e de Renata Luri, fisioterapeuta doutora pela Unifesp

Referências:

Jiang et al., 1994. Vibration arthrometry of the knee with torn meniscus; a preliminary report

Kalo, Kristin; Niederer, Daniel; Sus, Rainer; Sohrabi, Keywan; Banzer, Winfried; Groß, Volker; Vogt, Lutz. Reprint of "The detection of knee joint sounds at defined loads by means of vibroarthrography". Clin Biomech (Bristol, Avon) ; 79: 105175, 2020.

Kernohan et al., 1990. Vibration arthrometry. A preview.

Kim K.S, Seo J.H, Song C.G. An acoustical evaluation of knee sound for non-invasive screening and early detection of articular pathology. J. Med. Syst. 2012; 36: 715-722. https://doi.org/10.1007/s10916-010-9539-3.

McCoy et al., 1987. Vibration arthrography as a diagnostic aid in diseases of the knee.

Pazzinatto, D. M. F et al. Knee crepitus is prevalent in women with patellofemoral pain,but is not related with function, physical activity and pain. https://doi.org/10.1016/j.ptsp.2018.06.002.

Robertson et al., 2010. Joint crepitus — are we failing our patients?

Robertson et al., 2017. People's beliefs about the meaning of crepitus in patellofemoral pain and the impact of these beliefs on their behaviour: A qualitative study.

Song S.J, Park C.H, Liang H, Kim S.J. Noise around the knee. Clinics in orthopedic surgery. 2018; 10: 1-8. https://doi.org/10.4055/cios.2018.10.1.1.