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Plataforma vibratória melhora resultado do treino? Veja mitos e verdades

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

16/06/2020 04h00

No "mercado fitness" há diversos equipamentos ou "gadgets" que prometem melhorar a rotina de exercícios e turbinar os resultados do treino. E muitas pessoas adoram buscar essas alternativas que dizem trazer resultados imediatos sem exigir muito esforço. Entre essas modas está a plataforma vibratória. Provavelmente você já deve ter ouvido falar dela, mas será que ela realmente pode fazer milagres no seu corpo?

A plataforma vibratória foi desenvolvida na década de 1970 pela Nasa para astronautas recuperarem a massa muscular e densidade óssea, já que as perdiam durante o tempo no espaço sem a ação da gravidade.

Clinicamente, sua primeira aplicação foi no tratamento da osteoporose, os estudos encontraram melhorias significativas na formação óssea. Posteriormente, foi utilizada com o objetivo de melhorar o desempenho de atletas olímpicos e para a recuperação do corpo. Aprimorado na Holanda, o aparelho foi adaptado para tratamentos estéticos focados em emagrecimento, onde passou a ser conhecido também como "acceleration training".

Nesse período do "boom", famosas como Madonna desfilavam afirmando os resultados benéficos da plataforma. Por isso, diversas academias aderiram ao equipamento com promessas de intensificar os resultados do exercício no corpo. O problema foi começar a gerar altas expectativas para quem desejava ganhos imediatos: sedentários ou pessoas com pouco tempo para se exercitar. Os resultados para esse grupo de pessoas não vieram e o equipamento perdeu credibilidade...

Como funciona a plataforma?

A plataforma vibratória possui motores que geram movimentos em todas as direções, em uma velocidade tão rápida que o que se sente no corpo é apenas a vibração.

Como qualquer equipamento, a plataforma depende de variáveis e parâmetros calibrados, como a amplitude que se refere à extensão de medida do deslocamento da base vibratória, a frequência de repetição dos ciclos oscilatórios (medidos em Hertz) e o tempo de exposição à vibração.

Estudos demonstraram que os resultados obtidos na melhora do desempenho físico dependem da combinação dessas propriedades.

Diversos pesquisadores revelam que baixas frequências e amplitudes menores, em casos específicos, tornam a plataforma de uso seguro. Porém, os mecanismos de resposta dos tecidos corporais ainda não foram completamente compreendidos.

O que a ciência diz

Para se manter em equilíbrio na plataforma é preciso fazer força para recrutar mais fibras musculares. A teoria por trás da melhora do desempenho se deve a mudanças neurais, como recrutamento de unidades motoras, potencialização do reflexo de estiramento muscular, sinergismo da atividade muscular e alterações do sistema de inervação recíproca, inibindo a ação de musculatura antagonista. Acredita-se que o treinamento de força sobre a plataforma vibratória leva a maiores adaptações fisiológicas devido à diminuição no limiar de despolarização e ao maior recrutamento de unidades motoras com fibras musculares do tipo II (músculos responsáveis pela potência de movimentos).

Poucas pesquisas são voltadas às características ideais de exposição e a compreensão das adaptações do corpo em longo prazo e ainda não há consenso na literatura em relação aos protocolos de exposição que variam entre 30 segundos a 16 minutos.

Alguns estudos mostraram que o período de exposição de quatro semanas não parece gerar ganhos adicionais nas características morfológicas e propriedades neuromusculares do corpo.

Além disso, outros estudos demonstraram que o treinamento na plataforma ocasiona uma maior resposta do consumo de oxigênio e frequência cardíaca. Parte dessas respostas agudas ocorrem por alterações hemodinâmicas, desencadeadas pelo aumento da atividade simpática durante o exercício.

Mitos e verdades

A plataforma " turbina" o seu treino
Verdade A combinação do treinamento com a vibração pode, sim, potencializar os benefícios de um exercício. Estudos recentes mostraram a eficácia para a realização de atividades que envolvam ganho de trofismo muscular e flexibilidade. Lembre-se: em cima da plataforma, os exercícios devem sempre ser realizados com a orientação de um profissional.

Com 20 a 30 minutos de treino na plataforma é possível obter resultados
Verdade É possível trabalhar o corpo todo em no máximo meia hora. O ideal é não ultrapassar esse tempo, pois a musculatura entrará em fadiga e maior será o risco de lesões e acidentes.

Apenas ficar em pé na plataforma rompe o sedentarismo
Mito Se você acredita nessa conversa de vendedor, irá se decepcionar! Subir na plataforma e esperar que ela fará todo o trabalho sozinha é um mito! Não vale ficar parado esperando o milagre acontecer! Os exercícios (agachamento, abdominais, flexões) devem ser realizados em cima da plataforma (com a orientação de um profissional). Ou seja, mesmo na plataforma, você vai precisar suar e fazer esforço.

A plataforma sozinha melhora o meu condicionamento físico.
Mito O uso dessa máquina não substitui o exercício físico. Para se beneficiar é necessário encarar a plataforma como um acessório a mais no seu treinamento e seguir todas as recomendações do profissional de educação física, nutricionista e dos demais profissionais da área médica.

A plataforma pode melhorar a circulação sanguínea e recrutamento de fibras musculares e o treinamento nela levar a maiores adaptações neuromusculares do que cardiovasculares. Mas o aumento da intensidade no programa de treinamento de força sem a plataforma, por exemplo, é capaz de gerar uma maior sobrecarga ao sistema cardiovascular.

Não há restrições e todos podem usar a plataforma livremente!
Mito Ela é contra indicada para pessoas com labirintite, epilepsia, grávidas e hipertensos. Quem tem próteses metálicas e implantes de lente nos olhos, crianças, histórico de hérnias de disco e listeses e tumores também não devem usar o equipamento.

Quanto mais tempo, melhor o resultado
Mito As sessões prolongadas e intensas podem causar problemas como dores e fadiga. O uso diário não é recomendado. É necessário deixar um dia de descanso entre cada uso para que os músculos se recuperem.

É sempre seguro ter uma plataforma em casa
Mito O uso equivocado pode lesionar ou gerar um acidente. É fundamental conferir a potência do motor, os programas disponíveis e principalmente a segurança do aparelho. Antes de investir e utilizar qualquer tipo de equipamento e dispositivo novo, procure sempre a orientação adequada de um profissional de saúde e atenção às contraindicações.

*Com colaboração de Renata Luri, fisioterapeuta doutorada pela Unifesp, e Juliana Satake, fisioterapeuta especializada pela Unicamp.

Referências:
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