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Jairo Bouer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Já decidiu o que vai fazer nas festas de final do ano?

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Jairo Bouer

Jairo Bouer é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e pelo Instituto de Psiquiatria do HC-USP. Bacharel em biologia pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e mestre em evolução humana e comportamento pela University College London (UCL). Nos últimos 30 anos, trabalha com comunicação em saúde e sexualidade nos principais veículos de mídia do país.

Colunista do VivaBem

15/12/2021 04h00Atualizada em 15/12/2021 10h10

Estamos no meio de dezembro e, se você ainda não pensou sobre isso, agora a pergunta é inevitável: já decidiu como vai passar as festas de final de ano?

Quase dois anos depois do início da pandemia, com boa parte da população vacinada e os números mais baixos de novos casos no Brasil, muitas pessoas resolveram "chutar o balde" e enfrentar, sem maiores preocupações, as diversas celebrações com colegas de trabalho, amigos e familiares. Já outros, mesmo sob a crescente pressão para os reencontros sociais, ainda tentam driblar esses compromissos a todo custo. No meio desses extremos se encontram milhões de brasileiros, entre os quais esse que vos escreve.

Somente nessa semana, fui convidado para dois eventos de encerramento de ano em São Paulo (atualmente moro em Santa Catarina). Sócios e parceiros que só conheci até hoje virtualmente querem me encontrar ao vivo e em cores. Família e amigos não ficam atrás e já cobram uma definição para o Natal e a virada. O que você faria?

Fadiga pandêmica

Do ponto de vista comportamental, a fadiga em relação às restrições sociais pode até ser compreensível e explicar, ao menos em parte, a menor aderência às medidas que tentam evitar novas ondas de proliferação do vírus. Já do ponto de vista biológico, as variantes (ômicron em evidência no momento) estão por aí, à espreita de oportunidades e brechas entre os vulneráveis para se propagar. Assim, esse cenário complexo e multifatorial ajuda a entender as reações tão distintas das pessoas.

Salvo alguma mudança drástica na evolução da pandemia nas próximas semanas, o que cada um de nós terá que fazer é pesar os prós e os contras desses encontros, e gerenciar da melhor forma possível os eventuais riscos. Como as vacinas são eficazes em evitar as formas mais graves da doença, mas não são esterilizantes, essa equação deve estar presente em nossas vidas (dos vacinados) ainda por um bom tempo.

Encontros em ambientes abertos, uso de máscaras bem ajustadas em locais fechados, distanciamento físico e reuniões mais curtas e com menos gente envolvida são algumas das estratégias defendidas por especialistas. Mas e quando isso tudo não for possível?

Calculadora de riscos

Uma matéria dessa semana do jornal espanhol "El País" discute esse momento e descreve o trabalho de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Sevilha (Espanha) que desenvolveu uma calculadora para avaliar o risco de transmissão aérea da covid-19 por meio de aerossóis.

Achei interessante fazer os cálculos do risco que correria em cada um dos meus eventos, tendo algumas informações básicas sobre quem vai e o local em que eles serão realizados (há uma versão simplificada e uma versão detalhada na plataforma). De qualquer forma, adianto aqui um resumo do que os números e dados revelam:

  • Quanto menor a dimensão do recinto, maiores os riscos
  • Quanto menos gente estiver presente, melhor
  • Quanta menos movimentação e deslocamento dentro do local, melhor
  • Quanto mais quietas as pessoas estiverem, menores os riscos
  • Quanto maior a ventilação (cruzada, de preferência), melhor
  • Quanto mais distantes as pessoas, melhor
  • Quanto menos transmissível for a variante do vírus, melhor (nesse ponto, se o ômicron já estiver circulando pelo Brasil, maiores os cuidados e precauções necessários)
  • Quanto mais gente vacinada, muito melhor
  • Quanto mais gente com máscaras bem ajustadas, melhor.

Embora não exista risco zero de transmissão nos eventos mais públicos, a adoção das medidas sugeridas acima traz camadas adicionais de segurança à saúde das pessoas.

Medidas coletivas à vista

Além das decisões individuais, uma série de medidas coletivas tem sido anunciadas pelas autoridades para esse final de ano. No Brasil, diversas cidades já cancelaram as comemorações na virada de 2021 para 2022 e algumas delas também desistiram da folia de Carnaval, em fevereiro. Prefeitos e governadores estão reavaliando a possibilidade e o risco de shows e de outras formas de aglomeração.

Fora daqui algumas medidas mais restritivas (não sem protestos de parte da população) estão sendo propostas e implementadas. Portugal, por exemplo, o país mais vacinado da Europa (87% da população) impôs uma semana de quarentena após as festas de final de ano, para evitar que se repita o cenário pós-virada de 2021.

E você, como está se sentindo nesse momento? Sente algum tipo de pressão do seu grupo? Reduziu suas festas e tamanho dos encontros ou resolveu encarar riscos e seguir em frente? Talvez estar mais atento para o que vai acontecer nas próximas semanas e seguir algumas das medidas de redução de riscos pode servir como parâmetros importante para você colocar na sua balança. Boa sorte para nós!