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Uma morte a cada 2 minutos: números mostram drama da mortalidade materna

Mulheres grávidas e que acabaram de dar à luz correm risco quando não serviço de saúde adequado Imagem: iStock

De Universa, em São Paulo

28/05/2022 04h00

Enquanto esperava o nascimento do segundo filho, a publicitária Taíssa Souza morreu, aos 30 anos, deixando dois meninos —o caçula, que nasceu prematuro, e o filho mais velho, de 3 anos, em Vila Velha (ES); outra família que perdeu a mãe foi a da jornalista Luana Gurgel, em Imperatriz (MA), que estava grávida do primeiro filho, não resistiu à covid-19 e morreu na UTI, pouco depois de dar à luz.

Essas são apenas algumas histórias recentes, noticiadas por Universa, sobre mortalidade materna no Brasil, país que registra alta contínua nos índices de morte de mulheres durante a gestação ou nos 42 dias após o parto ou por aborto.

Durante o estado de emergência da pandemia de covid-19, a situação ficou ainda mais grave: o Brasil ocupou o primeiro lugar no ranking de mortalidade materna em decorrência da doença no mundo; três a cada quatro grávidas mortas pelo coronavírus eram brasileiras.

Neste sábado, 28 de maio, Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, Universa traz seis números para entender e refletir sobre o triste cenário de mortes —quase sempre evitáveis— de grávidas e puérperas:

1. Brasil volta à taxa de mortes de 1990

Nos últimos dois anos, com a pandemia de covid-19, o país retrocedeu à taxa de mortalidade materna que tinha nos anos 1990. Segundo dados do Ministério da Saúde obtidos e compilados pelo UOL, em 2021 foram registradas 77% mais mortes do que antes da pandemia, em 2019.

2. Pandemia contribuiu para alta nos dados

Um estudo publicado em 2021 na revista científica "International Journal of Gynecology and Obstetrics" destacou que a mortalidade de pessoas gestantes e puérperas pela doença no Brasil é, sozinha, "equivalente a 77% de todas essas mortes no mundo, em todos os demais países somados".

Segundo a médica Melania Amorim, professora da Universidade Federal de Campina Grande e médica da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras, em entrevista concedida a Universa, além do vírus, a superlotação dos hospitais e a falta de pré-natal durante o pico da pandemia deixou mulheres mais desprotegidas.

3. Mães brasileiras são as que mais morrem

Também no período da pandemia, o Brasil ocupou o 1º lugar no ranking de países com mais mortes por covid-19 de mulheres gestantes e puérperas no mundo.

Para Amorim, isso foi resultado de falhas assistenciais de saúde e na "condução catastrófica" da pandemia pelo governo. As gestantes foram muito acometidas por covid-19 e SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), mas morreram mais por falhas assistenciais", disse.

4. Uma mãe morre a cada dois minutos no mundo

Segundo dados da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), cerca de 830 mulheres morrem todos os dias por complicações relacionadas à gravidez ou ao parto em todo o mundo —isso dá, em média, 34 por hora e uma a cada dois minutos.

Ainda de acordo com a Opas, quase todas essas mortes aconteceram em ambientes com poucos recursos, e a maioria delas poderia ter sido evitada.

5. Mulheres pretas morrem 3 vezes mais do que brancas

Segundo a Opas, a mortalidade materna é maior entre mulheres que vivem em áreas rurais e comunidades mais pobres, especialmente em decorrência da distância de hospitais, falta de informação de qualidade e serviços inadequados de saúde.

Na cidade do Rio de Janeiro, para cada 100 mil nascidos vivos entre 2010 e 2017, houve 71 mortes de mulheres brancas, 81 de mulheres pardas e 188 de mulheres pretas, segundo dados da pesquisadora Silvana Granado, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz —ou seja, mulheres pretas morreram quase três vezes mais do que as brancas.

"Elas passam mais por pré-natal inadequado, são menos informadas sobre o trabalho de parto e sobre as complicações na gravidez. A mulher preta peregrinou mais [para achar uma maternidade], teve menos acompanhante durante a hospitalização", diz Granado em entrevista ao podcast "Repórter SUS".

Além disso, enquanto países desenvolvidos têm taxa de mortalidade materna de 12 mães mortas a cada 100 mil nascidos vivos, países em desenvolvimento, como o Brasil, têm uma média bem mais alta: 239 mulheres mortas e cada 100 mil nascidos vivos.

6. Meta é reduzir índice até 2030, mas país não avança

Atualmente, o Brasil tem média de 100 mães mortas para cada 100 mil nascidos vivos.

A meta da Opas é de, até 2030, reduzir a média mundial de mortalidade materna para menos de 70 mulheres mortas a cada 100 mil nascidos vivos. Além disso, garantir que nenhum país do mundo tenha essa taxa superior a 140.

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