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Amor à causa: influenciadores LGBTQ+ dizem ganhar pouco por posts nas redes

Getty Images
Imagem: Getty Images

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

26/07/2020 04h00

Mimos, viagens, parcerias, jobs: é mais ou menos assim que você imagina a vida de um influenciador, não é? Mas essa está bem longe de ser a realidade da influenciadores LGBTQ+ que produzem conteúdo para redes sociais, segundo aponta um levantamento feito em junho pela agência Mosaico, que faz a gestão de 172 influenciadores dessa área.

A enquete sugere que há grandes diferenças de valores pagos a lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis e a todas as demais letras do movimento e revelou, ainda, que muitos sequer têm alguma remuneração.

lgbt - Agência Mosaico - Agência Mosaico
Maioria de influenciadores que não recebe por trabalho é transexual ou travesti
Imagem: Agência Mosaico

Os influenciadores gays são os mais bem pagos, e transexuais são os que menos recebem dentro do universo de criadores de conteúdo LGBT. Em relação aos temas tratados, os principais são arte e entretenimento, seguidos por questões relacionadas ao ativismo.

"A pesquisa comprovou alguns 'achismos' que já tínhamos sobre o universo de influenciadores, como uma presença maior de homens gays brancos de São Paulo nesse nicho, assim como a falta de representatividade e de remuneração de outras letras da sigla, como a T, de transgêneros, transexuais e travestis", diz Yheuriet Kalil, CEO da agência Mosaico.

Muitos seguidores, pouca grana

A empresária carioca Lela Gomes - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Influenciadora Lela Gomes diz que recebe pouco por trabalho nas redes sociais
Imagem: Arquivo Pessoal


Quase metade dos que participaram da pesquisa tem entre 10 mil a 50 mil seguidores, enquadrando-se como microinfluenciadores. É o caso da influenciadora lésbica Lela Gomes, que tem 41 mil seguidores em seu perfil, que aborda questões da militância e da vida de mulheres que amam mulheres. Lela produz, também o Podcastão, um podcast voltado para o público lésbico. Mas esses trabalhos não pagam suas as contas, pelo contrário.

"Tenho pouquíssimos jobs pagos, raramente. Está longe de ser minha fonte de renda. Eu gravo dois episódios do podcast por semana, faço pesquisa sobre o convidado, tenho feito vídeos, pesquiso sobre o que vou falar, penso muito em conteúdo", diz ela, que faz o trabalho por acreditar na importância do ativismo.

LGBT - Agência Mosaico - Agência Mosaico
Quase metade dos criadores de conteúdo tem entre 10 mil e 50 mil seguidores
Imagem: Agência Mosaico

LGBT+ o ano todo

Outra característica apontada pela pesquisa é que os criadores LGBTQ+ são lembrados principalmente em junho, mês que celebra a diversidade. "Nessa ocasião, mais de 60% se envolvem em jobs, mas em outras datas do ano não. LGBT é LGBT 365 dias do ano. É importante as marcas verem esses resultados e investirem nos mais variados perfis em diferentes datas comerciais", diz Yheuriet Kalil.

No Dia dos Pais, por exemplo, apenas 0,6% dos influenciadores da sigla são procurados por marcas. "LGBT também é pai, mãe, comemora Natal ou Páscoa", afirma ele.

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