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Casal gay conta saga pra adotar bebê prematuro abandonado: "História linda"

O pequeno Vinícius entre os pais, Benjamin e Louis - Arquivo Pessoal
O pequeno Vinícius entre os pais, Benjamin e Louis Imagem: Arquivo Pessoal

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

25/05/2020 04h00

Um longo caminho separou o casal de franceses Benjamin Cano Planès, de 41 anos, e Louis Planès, 59, do sonho de adotar um bebê no Brasil: um ano de processo burocrático e dois de espera, mais três semanas de apreensão.

Hoje, quando se celebra o Dia Nacional da Adoção, esse percalço é só uma lembrança —afinal, o pequeno Vinícius, de 3 anos, cresce feliz ao lado dos pais. Mas o processo enfrentado pelo casal é um exemplo de como ainda pode ser difícil adotar no país.

Das 33.840 crianças que estão em casas de acolhimento e instituições públicas do país, apenas 5.059 estão disponíveis para adoção. Do outro lado da equação, há 36.432 pessoas que têm intenção de adotar um filho, segundo dados do painel online do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), lançado no ano passado.

Vinícius - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Vinícius tem hoje 3 anos
Imagem: Arquivo Pessoal

Para adotar Vinícius, o casal Benjamim e Louis, junto há 20 anos, engrossou a estatística. Os dois, que se mudaram para o Rio de Janeiro em 2010, não planejaram viver no Brasil. "Viemos passar férias aqui em abril 2009 e foi amor à primeira vista. Ficou evidente que o Rio seria nossa próxima casa", conta Benjamin.

"É lindo que aqui chamam de 'família homoafetiva'"

Em 2010, voltaram para ficar. Louis já tinha dois filhos adultos e, segundo conta Benjamin, o novo país os inspirou e a vontade de serem pais juntos bateu forte.

"Nunca quisemos um filho biológico. Queríamos adotar uma criança e decidimos dar início ao processo em 2014", conta ele.

"Para nossa surpresa, foi muito fácil entrar com o processo de adoção. Acho lindo que aqui no Brasil chamam de 'família homoafetiva'. Na França, é muito recente isso, e é muito mais difícil para um casal gay adotar uma criança", acredita ele.

Depois de passar um ano realizando todos os processos burocráticos junto à Vara da Infância do Rio de Janeiro, que passa por entrevistas com psicológicos e muita papelada que garantam que o casal tem condições para cuidar de uma criança, foi concedido o direito à adoção aos dois em 2015. Só então eles entraram na fila.

Um bebê prematuro baiano

Família de Vinícius - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Depois de dois anos de espera e duas expectativas frustradas, em 2017 uma notícia que veio de longe mudou tudo.

"Uma juíza daqui do Rio nos avisou de uma criança prematura nascida na Bahia. Ele tinha nascido de 5 meses, estava com dois meses, tinha 900 gramas, nasceu na rua e havia sido abandonado. Como não tinha pretendente, acabaria em um abrigo. Ela nos perguntou se eu queria. Eu falei: 'Sim, quero'", lembra ele.

Eles foram avisados então por uma juíza na Bahia que tinham 48 horas para chegar lá e buscar o filho. A história tem pitadas de novela, com direito à confusão no aeroporto. "Compramos uma passagem direta do Rio e o voo foi cancelado. Tivemos que ir por São Paulo, chegamos superatrasados a Salvador, e ainda precisávamos viajar até Ilhéus, onde o bebê estava. Não conseguimos vê-lo naquele dia. Tivemos medo de perder o neném", diz ele.

"Dia mais lindo da minha vida"

Mas era para ser. "No dia seguinte, 15 de maio de 2017, foi o dia mais lindo da minha vida: quando conheci meu filho, o Vinícius. Ele estava tão magro que nem pudemos voltar para o Rio. Passamos três semanas na Bahia para que ele pudesse engordar e ter o peso mínimo para voar", conta Benjamin.

Depois disso, a vida da família com o pequeno Vinícius tem sido só felicidade. O menino chegou ao Rio saudável e foi direto para casa. "É uma criança maravilhosa, linda, está aprendendo três idiomas. Essa é a história linda da minha família", diz o pai coruja.

Agora, Benjamin e Louis voltaram à fila de adoção e se preparam para encarar uma nova espera. A ideia é dar um irmâo ou irmã a Vinícius.

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