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Sam Smith: 'Por que querer ser chamado de forma neutra afeta os outros?'

O cantor Sam Smith, em ensaio para a revista OUT - Reprodução/Terry Tsiolis/Out
O cantor Sam Smith, em ensaio para a revista OUT Imagem: Reprodução/Terry Tsiolis/Out

De Universa, em São Paulo

18/11/2019 14h56

Sam Smith, cantor inglês, voltou a falar sobre a decisão de adotar os pronomes neutros para refletir sua identidade não-binária. Em entrevista à revista "OUT", ele contou que não entende por que isso incomoda tanto os outros.

"Nos últimos sete meses da minha real descoberta sobre mim, eu fico voltando para o fato de que eu sou apenas eu. (...) Eu sinto, olhando ao redor, que as pessoas têm medo de sua individualidade", disse Sam.

Questionado sobre porque se declarar não-binário afeta tanto os outros, Sam disse que ainda está "descobrindo".

"Sou muito novo nisso, então ainda estou descobrindo. Sinto-me mais feliz e mais confortável comigo mesma quando visto roupas mais femininas, as quais estou experimentando cada vez mais. Quando você se sente confortável consigo, sinto que isso ameaça outras pessoas que se sentem desconfortáveis consigo mesmas. Por que afeta você eu querer ser chamado de forma neutra? Por que isso afeta tanto você?", completou.

Sam comenta que a mudança em seus pronomes o deixou mais livre. "É como se um tijolo fosse arrancado do meu peito, e com essa liberdade vem outro tipo de dor. (...) Eu sempre me escondi atrás dos meus pronomes masculinos, porque estava com muito medo. Eu pensei que viver uma vida fingindo seria menos doloroso do que ser autêntico. Mas prefiro ser eu mesmo, mesmo que isso signifique sofrer. Eu prefiro ter toda essa merda por ser eu mesmo do que mentir para mim mesmo. Essa não é uma maneira de viver", diz o cantor.

Toda essa afirmação pessoal mexeu com Sam durante a composição das músicas do seu mais recente disco. "Eu estava deprimido porque eu era essa pessoa em trajes que outras pessoas queriam que eu usasse. (...) Senti que minha música sofreu. E as pessoas podem ouvir isso. Assim que eu lancei 'Promises' e 'Dancing With a Stranger', eu comecei a me divertir".

Relembrando cantoras que foram importantes durante a adolescência, como Britney Spears, Madonna, Christina (Aguilera), Sam comenta ainda que quer explorar ainda mais as possibilidades musicais.

"Escrever uma música que todos possam cantar, que se relaciona com muitas pessoas, isso exige muito trabalho", disse. Com relação às cobranças e pressão, Sam comenta que se sentir vulnerável não deve ser visto como problema.

"Estar sempre vulnerável me transformou em um perfeccionista em todos os sentidos. Eu acreditava que poderia alcançar a felicidade perfeita. Agora estou percebendo que nunca vou alcançá-la. Acredito que eu possa encontrar poder e força na minha vulnerabilidade e é isso que estou tentando fazer. Eu posso ter um colapso em algumas semanas e ter que sair do Instagram por um tempo, mas acho que estar nos olhos do público e mostrar esses altos e baixos, mostrar um corpo flutuante, todas essas coisas, é importante. Eu só quero ser humano. Esse é o meu objetivo agora: ser o mais humano possível".

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