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'Abandonei carreira de executivo para abrir uma marca LGBT com meu filho'

Pai e filho criaram uma marca de produtos LGBT, a Logay. O e-commerce produz de camiseta a chaveiros nas cores da bandeira LGBT e frases "afrontosas" - Reprodução/Logay
Pai e filho criaram uma marca de produtos LGBT, a Logay. O e-commerce produz de camiseta a chaveiros nas cores da bandeira LGBT e frases 'afrontosas' Imagem: Reprodução/Logay

Marcos Candido

De Universa

16/09/2019 04h00

Pai e filho. Um produzia jogos de videogames. Outro trabalhava no mercado financeiro. Os dois largaram as profissões para serem sócios em um ramo até então não muito habitual a eles. Em 2017, Henrique Chirichella, 28, e Flavio Chirichella, 57, criaram a Logay, marca que produz, vende e entrega produtos LGBTs para todo o Brasil.

"Eu mesmo não sabia e me preocupei sobre como ia ser a reação do público à minha loja. Eu pensava: 'será que alguém usaria uma camiseta abertamente LGBT em uma sociedade como a nossa?'", lembra Henrique. A resposta surpreendeu. "Ao contrário [do que temia], as pessoas me pediam camisetas ainda mais afrontosas."

Uma jornada difícil

A expectativa no início tinha a ver com a vida de Henrique. Formado em cinema, ele trabalhava como animador de jogos de videogame na Europa em 2015. Naquela época, o hoje empresário tentava entender a própria orientação sexual. "Na verdade, ele meio que fugiu de tudo para se isolar lá", conta o pai, Flávio.

Do outro continente, ele fez uma videoconferência para anunciar à família sobre a orientação sexual. Não foi fácil. "Foi uma longa jornada de aceitação", relembra. "Sempre digo que sou privilegiado, pois falei aos meus pais que era gay e eles me apoiaram totalmente."

Pai abandonou carreira de 35 anos no mercado financeiro para apostar no sonho do filho - Divulgação/Logay
Pai abandonou carreira de 35 anos no mercado financeiro para apostar no sonho do filho
Imagem: Divulgação/Logay

Para celebrar o anúncio, um amigo inglês também lhe deu uma pulseira nas cores da bandeira LGBT. O acessório foi uma espécie de amuleto. "Toda a minha luta estava representada em um acessório", lembra. Mais aliviado, Henrique retornou ao Brasil.

Chegando aqui, porém, ele não encontrou uma pulseira igual para comprar. Um casal de amigos brasileiros não conseguiu encontrar uma vela de bolo com dois noivos para celebrar o casamento. Henrique, então, ligou uma coisa com a outra e teve 'o estalo' para criar o negócio.

'Primeiro, abracei meu filho'

Embora a população LGBT não seja contabilizada em estatísticas como as do IBGE, associações como a ABLGT (Associação Brasileira de Lésbicas, Bissexuais, Gays, Transexuais e Travestis) estimam a existência de 20 milhões de pessoas abertamente LGBTs no Brasil. Após muita análise, os dois investiram R$ 300 mil reais para dar início à Logay. "Primeiro, abracei meu filho. Depois, abracei o sonho dele", diz o pai.

Produtos são desenhados por Henrique, que tem experiência como animador de jogos de videogame - Reprodução/Divulgação
Produtos são desenhados por Henrique, que tem experiência como animador de jogos de videogame
Imagem: Reprodução/Divulgação

A dupla não revela o faturamento anual, mas afirma que, entre 2017 e 2018, as vendas quadruplicaram. Hoje, a Logay alcança mais de 80 mil pessoas no Instagram, principal plataforma de divulgação. "Todo dia nós enviamos produtos do Oiapoque ao Chuí", afirma Flávio. Parte do valor arrecadado é doado para a organização da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, uma das maiores do mundo.

"Nada disso teria acontecido sem a ajuda do meu pai, uma pessoa que é sensacional em todos os sentidos", diz Henrique.

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