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O que é o combustível "perfeito" que a China busca no lado oculto da Lua

China realizou primeiro pouso de sonda no lado oculto da Lua - EPA/Agência Espacial Chinesa
China realizou primeiro pouso de sonda no lado oculto da Lua Imagem: EPA/Agência Espacial Chinesa

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

20/01/2019 04h00

A ida da China para o lado oculto da Lua, onde nenhum país havia chegado, pode ter uma outra meta: encontrar um combustível para viagens interplanetárias. De acordo com a Bloomberg, os chineses podem estar atrás do hélio-3 nessa expedição.

A mineração dessa substância da Lua é debatida há décadas e muitos apontam-na como a energia do futuro. O hélio-3 é, basicamente, uma forma isotópica não radioativa do gás hélio com dois prótons e um nêutron em seu núcleo atômico. A substância é rara na Terra e acredita-se que exista em abundância em camadas da Lua e nos planetas gasosos gigantes do Sistema Solar.

O passo dado com o bem-sucedido pouso da sonda e início das pesquisas no lado oculto pela China, que até então não era considerada uma grande potência espacial, pode causar benefícios não só teóricos ao país. Especialistas entrevistados pela Bloomberg consideram que é possível que o combustível seja o alvo da nação asiática.

A China pensa em décadas, os Estados Unidos pensam em mandatos presidenciais 

Clive Neal, especialista lunar da Universidade de Notre Dame

O objetivo estabelecido da missão chinesa no lado oculto é coletar amostras e identificar que minerais existem por lá. No entanto, especialistas espaciais apontam que existem mais chances de achar ouro, prata, irídio e platina em asteroides.

É aí que entra o hélio-3. Esse é o material primário da Lua, mas, por enquanto, a substância é muito cara para ser transportada para a Terra. Esse isótopo não radioativo é apontado como uma solução para dar combustível às futuras gerações de espaçonaves explorarem mais profundamente o Espaço --incluindo a ida para outros planetas.

O fato do transporte ser caro não impede que haja um esforço de mineração lunar no futuro distante para que nosso satélite natural sirva como um "posto de combustível" para a ida às estrelas longínquas.

"Imagine você dirigir de Nova York até Los Angeles sem postos de combustível ao longo do caminho. Se você pode conseguir o combustível do Espaço, reduz-se o custo", aponta Peter Diamandis empreendedor que fundou a XPrize para encorajar espaçonaves privadas.

Na última terça (15), a China anunciou planos de construir uma base internacional na Lua - a exemplo do que a Nasa já havia mencionado planejar fazer anteriormente.

Importância do hélio-3

O hélio-3 é visto como um "combustível do futuro" por causa de seu possível uso para fusão nuclear. Essa substância é vista para muitos cientistas como uma energia perfeita, já que seria potente, não é contaminante e não produz subprodutos radiativos.

Sendo assim, ele poderia ser usado em fusões nucleares, reação vista até por Bill Gates como a energia limpa necessária na Terra, sem deixar resíduos tóxicos. Por enquanto, o custo de transportar o hélio-3 não compensaria o investimento nessa empreitada. Por outro lado, poder deixar uma nave fazer um pit-stop na Lua baratearia os custos de uma viagem espacial potencializada pelo combustível.

Especialmente para as naves, o hélio-3 traria benefícios por causa do seu alto desempenho e poder de fusão. A própria Nasa (agência espacial norte-americana) já disse querer construir foguetes movidos a fusão nuclear, o que aumentaria nossa capacidade de viajar no Espaço;

Essa substância chega à Lua por ventos solares, que nada mais são do que partículas emitidas pelo Sol. Um problema a ser resolvido pelos terráqueos é a extração desse elemento, que requer técnicas específicas para que ele não seja perdido no processo. 

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