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Criar farsa sobre ir à Lua custaria mais do que viagem rumo ao satélite

16/07/2019 07h12

Carmen Rodríguez.

Redação Central, 16 jul (EFE).- Há meio século dois seres humanos pisaram pela primeira vez sobre a superfície da Lua... ou não? Ainda há quem acredite que tudo foi uma montagem dos Estados Unidos, uma grande mentira sustentada por milhares de pessoas durante 50 anos.

Os argumentos negacionistas ganharam forma no livro "Nunca fomos à Lua" (1976), do americano William Kaysing, e, desde a chegada da internet, embora as razões continuem sendo as mesmas, voltam a ser tema de debate de maneira periódica. Mas o que pensam os que de verdade têm conhecimento sobre o espaço?

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- O diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), Jan Wörner, lembra que uma vez, em uma conversa com um administrador da Nasa, disse: "Olha, estamos só nos dois em uma sala. Pode me contar se vocês estiveram na Lua. E ele me disse: 'Sim, Jan, simplesmente porque fazer uma montagem de tudo aquilo seria muito mais caro'".

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- O historiador e editor espanhol Ricardo Artola, autor do livro "Corrida espacial: Do Sputnik à Apollo 11", considera que "o argumento mais forte contra os negacionistas" é que, em plena Guerra Fria, se os soviéticos tivessem "qualquer motivo" para acusarem os Estados Unidos de fazerem uma montagem, teriam usado isso, mas "em nenhum momento questionaram".

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- O ex-astronauta espanhol e ministro interino de Ciência da Espanha, Pedro Duque, fala sobre o argumento que na Lua, onde as temperaturas chegam a 120 graus centígrados, Neil Armstrong e Buzz Aldrin teriam morrido pelo calor.

O pouso aconteceu ao amanhecer, quando a temperatura ainda não tinha chegado a esse patamar, segundo Duque, que explica que "somente a primeira camada de areia estaria a 120 graus", por isso bastava "um bom isolamento no solado das botas".

"Os trajes espaciais, quando ficam sob o sol durante muito tempo, podem se aquecer por fora, mas, para isso, estão cheios de camadas de isolamento; é tudo pensado", diz Duque, que esteve duas vezes no espaço: A primeira na nave Discovery (1988) e depois na Estação Espacial Internacional (2003).

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- O astrofotógrafo Rogelio Bernal, cujas imagens foram selecionadas 60 vezes pela Nasa como "a foto astronômica do dia", explica o motivo de não haver estrelas no céu nas fotografias tiradas pelos astronautas. Para os negacionistas, a Nasa se esqueceu de colocá-las enquanto filmavam em algum lugar secreto a suposta chegada à Lua.

As fotos - segundo Bernal - "foram feitas sobre uma superfície muito brilhante da Lua (que está recebendo diretamente a luz do sol) e, consequentemente, são feitas com exposição muito curta. É o mesmo que fazer uma foto de muito curta exposição do céu durante a noite - não daria para ver as estrelas. De fato, se essas fotos mostrassem estrelas, isso sim traria suspeitas de montagem".

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- O astrônomo do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) Fernando Comerón rebate o argumento de que a radiação do cinturão de Van Allen, que circunda a Terra e pelo qual a Apollo 11 teve que passar em sua viagem até a Lua, teria matado os astronautas.

"Na época das missões Apollo, tanto a geometria como a intensidade da radiação no cinturão de Van Allen já tinham sido medidas por satélites com precisão suficiente para avaliar com confiabilidade seu impacto nas missões tripuladas", disse Comerón.

Assim, as trajetórias das missões à Lua "foram otimizadas para minimizar a exposição dos astronautas à radiação de alta energia". No caso do cinturão exterior, que é mais extenso porém mas possui intensidade de radiação muito menor, o nave o atravessou em pouco tempo, por isso "o nível de exposição à radiação acumulada pelos astronautas se manteve muito abaixo de representar algum risco".

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- O astrônomo americano Philip Plait, autor do site "Bad Astronomy", responde ao argumento mais típico dos negacionistas. Se na Lua não há atmosfera e, portanto, não há vento, como a bandeira fincada por Armstrong e Aldrin tremula?

"Não está tremulando, dá para ver pela maneira com que foi desdobrada". A bandeira foi pendurada em um mastro vertical e tinha uma haste horizontal, mas os astronautas não conseguiram desdobrar esta última totalmente, "assim a bandeira não se estendeu completamente. Tem uma ondulação, como uma cortina que não está completamente fechada".

Plait diz que em voos posteriores à Lua "os astronautas não a desdobraram completamente de propósito porque gostavam de seu aspecto".

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- Franco Malerba, primeiro astronauta italiano a viajar para o espaço, lembra que ao se preparar para sua missão teve "a sorte" de trabalhar com John Watts Young, o nono homem a pisar na Lua.

"John não era um ator. Não teria se prestado a um exercício de ficção, e o mesmo acontece com os demais. Certamente, os astronautas protagonistas desta aventura não eram atores, mas pessoas de verdade". EFE

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