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Abrindo passagem: como é a tech por trás das pontes levadiças?

Guilherme Zamarioli/Arte UOL
Imagem: Guilherme Zamarioli/Arte UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt, de São Paulo

24/02/2022 04h00

Apesar de não ser tão comum no Brasil, o país tinha no Lago Guaíba, em Porto Alegre (RS), uma das pontes levadiças mais simbólicas. Se você curte o Reino Unido, deve se lembrar da poderosa Tower Bridge, em Londres. Mas como estruturas de concreto conseguem ter seções móveis? Que tecnologia permite que embarcações de grande porte possam passar por baixo delas?

Esse tipo de construção desperta a curiosidade de muita gente. Afinal, trata-se de uma ponte que parece unir duas coisas opostas: ter resistência para aguentar o trânsito em sua parte superior e, ainda assim, ser móvel. Veja a seguir como elas são capazes de fazer isso.

Como funciona?

1 - Abrindo passagem: como é a tech por trás das pontes levadiças? - Guilherme Zamarioli/Arte UOL - Guilherme Zamarioli/Arte UOL
Imagem: Guilherme Zamarioli/Arte UOL

De maneira geral, uma ponte levadiça tem construção praticamente idêntica à de uma ponte convencional. Isso, claro, vale para toda a estrutura fixa da construção, o que envolve pilares (normalmente feitos de concreto), a parte da pista onde os veículos trafegam, possíveis estruturas de estabilização, entre outros.

A grande diferença está na parte móvel da ponte. Aqui, há duas variações mais comuns: as pontes que elevam toda uma seção de sua superfície verticalmente, mantendo essa porção plana — a Ponte do Guaíba é um exemplo desse tipo —, e as basculantes.

Essas últimas podem elevar a seção móvel de duas formas distintas: em duas partes, cada uma rotacionando com base em um eixo localizado nas extremidades da parte fixa da ponte e terminando em uma posição diagonal, ou em uma parte só, como se fosse a capa de um caderno sendo aberto.

Ponte levadiça em West Palm Beach, na Flórida (EUA) - Reprodução/Polícia de West Palm Beach - Reprodução/Polícia de West Palm Beach
Ponte levadiça em West Palm Beach, na Flórida (EUA)
Imagem: Reprodução/Polícia de West Palm Beach

Em todos os tipos citados, o mecanismo que faz a ponte ser erguida, normalmente, possui um sistema de contrapeso, que é responsável por equilibrar grande parte do peso total da estrutura da ponte e facilita a sua elevação, e outro sistema ligado diretamente a motores, que possibilitam a ascensão da ponte.

É um sistema que lembra, vagamente, o de um elevador. Na hora de ser baixada, novamente o sistema de contrapesos atua, ajudando a manter um movimento contínuo e equilibrado.

Dúvidas comuns

Como é feito o controle dessas pontes?

Ainda que existam pontes que funcionem de forma automática, muitas delas são controladas por uma central de controle e são operadas manualmente.

A central de operação recebe os horários nos quais haverá travessia de embarcações que exigem o levantamento da ponte e, com alguma antecedência, realiza os procedimentos necessários para bloquear o trânsito e realizar a operação de liberar caminho para os navios.

Pontes do tipo aguentam menos peso?

Não necessariamente. A principal diferença está na parte móvel das pontes, que ao invés de ser construída com concreto, é feita em metal — geralmente aço.

Com isso, é possível obter um peso menor, o que é útil para diminuir a força necessária para sua elevação, aliado a um alto grau de resistência.

Há sistemas para evitar acidentes quando a ponte é acionada?

Mesmo nas pontes com acionamento automático, a operação é supervisionada por profissionais humanos. Naquelas com central de controle, há procedimentos padronizados para evitar acidentes, com o uso de cancelas para parar o fluxo de veículos e avisos sonoros.

Além disso, elas são levantadas com considerável antecedência para evitar que possíveis problemas de funcionamento causem colisões com os navios.

Fontes:

  • Tiago Carmona, professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Presbiteriana Mackenzie
  • Pedro Henrique Cerento de Lyra, mestre e professor do curso de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)