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'Efeito Zoom': por que chamadas de vídeo fazem busca por plástica aumentar

Chris Montgomery/ Unsplash
Imagem: Chris Montgomery/ Unsplash

Nicole D'Almeida

Colaboração para Tilt*, em São Paulo

18/09/2021 10h21

A pandemia de covid-19 fez com que aumentassem o uso de videoconferências e também a procura por tratamentos relacionados à aparência. E ambos estão interligados. Foi o que a dermatologista e professora na Harvard Medical School, Shadi Kourosh, e seus colegas descobriram.

Kourosh e profissionais de outras áreas, como cirurgia plástica, notaram que muitos pacientes os procuravam pedindo tratamentos para melhorar a aparência.

"Muitas pessoas estavam realmente preocupadas em achar que pareciam muito piores do que o normal", diz a dermatologista. Flacidez ao redor do pescoço e da papada, tamanho e formato do nariz e palidez na pele foram algumas das queixas mais ouvidas pelos profissionais.

Os pacientes buscavam por procedimentos como botox, preenchimentos e cirurgias plásticas. Ao perguntarem o motivo que os levaram a essa decisão, muitos responderam: videoconferência.

Ficar se olhando na tela durante uma boa parte do dia e todos os dias estava causando problemas na autoimagem. A videoconferência durante o período de confinamento estava contribuindo para o transtorno dismórfico corporal, que eles chamaram de "Zoom Dysmorphia".

Após um novo estudo, com mais de 7.000 pessoas, o grupo de Kourosh em Harvard descobriu que a Zoom Dismorfia (em português) ainda continua, sugerindo que os problemas de saúde mental causados durante o período de pandemia de coronavírus ainda permanecem mesmo depois da retomada das atividades presenciais.

Sabemos que as câmeras frontais distorcem nossa imagem, fazendo com que o nariz pareça maior, os olhos menores e até mesmo o rosto seja torto.

Isso acontece por causa da proximidade da lente. A câmera geralmente está mais próxima a nós, diferente de quando estamos conversando com alguém pessoalmente.

O tempo gasto no Zoom também influenciou no grau de distorção da autoimagem. Aquelas que passavam mais tempo na plataforma tinham uma autopercepção piorada de sua aparência. Além disso, expressaram mais ansiedade.

Em uma pesquisa de acompanhamento, Kourosh e seu grupo descobriram que 71% das 7.000 pessoas estavam ansiosas ou estressadas com o retorno às atividades, e que quase 64% procuraram suporte para a sua saúde mental.

O estudo deve ser publicado no International Journal of Women's Dermatology.

De acordo com Kourosh, a melhor forma de combater esse transtorno é a conscientização. Inúmeras pessoas pensavam que estavam sozinhas e sofriam silenciosamente por sentir que havia algo errado com a aparência. É preciso ajudar essas pessoas a entenderem que não estão passando por isso sozinhas.

Snapchat Dysmorphia

Essa crescente procura por tratamentos estéticos já estava acontecendo antes da pandemia de covid-19.

Em 2015, o termo Snapchat Dysmorphia referia-se ao aumento do número de pessoas que queriam ficar parecidas com filtros do aplicativo, como olhos grandes e pele brilhante.

Contudo, o novo transtorno é diferente. No Snapchat, as pessoas tinham consciência de que estavam se vendo através de um filtro. Já o Zoom distorce nossa aparência de maneira que não é percebida conscientemente.

*Com informações do site Wired