PUBLICIDADE
Topo

Hacker sequestra sistema de saúde da Irlanda e afeta consultas e vacinação

The Rotunda Hospital, uma das principais maternidades da capital irlandesa, foi afetado pelo ataque cibernético - Alexander P Kapp/Wikipedia
The Rotunda Hospital, uma das principais maternidades da capital irlandesa, foi afetado pelo ataque cibernético Imagem: Alexander P Kapp/Wikipedia

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt, de Dublin

14/05/2021 09h46

O serviço público de saúde da Irlanda, o HSE Ireland, foi obrigado a paralisar os seus sistemas de informação devido a um ataque ransomware, quando um programa malicioso bloqueia os dados do sistema e só libera sob pagamento, geralmente solicitado em criptomoeda.

O ataque foi classificado como "sério e sofisticado" pelo chefe-executivo do HSE Ireland, Paul Reid, durante entrevista ao programa de rádio Morning Ireland da RTÉ, empresa pública de comunicação da Irlanda.

As autoridades irlandesas atribuíram o ataque a criminosos internacionais e disseram que a segurança dos pacientes não está em perigo, mas o atendimento foi afetado.

Reid explicou que o ataque foi concentrado no acesso aos dados armazenados nos servidores centrais. O desligamento do sistema se deu, segundo ele, como medida de precaução para proteger os sistemas-chave do HSE Ireland.

Especialistas do NCSC (Centro Nacional de Segurança Cibernética, da sigla em inglês), da Garda (a polícia irlandesa) e de outras forças de defesa do governo estão dando suporte à autoridade de saúde para solucionar o problema.

"Nossa maior prioridade é conter o problema. Esse é um grande incidente para nós. No decorrer da manhã, nós teremos maior clareza sobre os impactos disso", disse ele durante a entrevista.

Já se sabe que ciberataque contra o HSE utilizou um software malicioso semelhante ao que atacou a Colonial Pipeline, operadora de um enorme oleoduto nos Estados Unidos que reiniciou todo seu sistema na quinta-feira à noite depois de ter sido paralisado no último fim de semana.

No caso dos EUA, o ataque foi executado pelo grupo criminoso DarkSide, segundo o FBI, a Polícia Federal americana.

Ataque afeta cadastro para vacina da covid-19

Por causa do ataque, o portal aberto para que pessoas com mais de 50 anos se cadastrem para receber a vacina contra a covid-19 está paralisado. Enquanto isso, quem já pode receber a primeira dose do imunizante precisa entrar em contato com o HSE por telefone.

Além disso, o ataque afetou o sistema de médicos da família e o sistema de referência para testagem de pessoas que tiveram contato com casos positivos para covid-19. Os resultados de quem foi testado para covid-19 também devem atrasar, segundo o HSE.

Quem tem horário marcado para se vacinar foi aconselhado a ir normalmente para os centros de vacinação.

"Isso está tendo um impacto severo em nossos serviços de saúde e assistência social hoje, mas serviços individuais e grupos de hospitais são impactados de maneiras diferentes. Os serviços de emergência continuam, assim como o Serviço Nacional de Ambulâncias", disse Reid.

A maternidade Rotunda de Dublin cancelou todas as consultas que não eram de urgência, com exceção para as mulheres grávidas de 36 semanas, ou mais. Fergal Malone, diretor da unidade, explicou que o "problema envolve os computadores que se conectam aos históricos eletrônicos de saúde", também em entrevista à RTÉ.

Enquanto o sistema não volta a funcionar, um plano de contingência foi colocado em prática para que os registros sejam feitos em papel. Malone afirmou ainda à RTÉ que "o processamento seria muito mais lento" desta forma.

O HSE pediu desculpas pelos problemas provocados a seus pacientes.

Ataques por ransomware é a nova "moda"

Sistemas de governos de vários países do mundo têm sofrido ataques cibernéticos por ransomware. No ano passado, o sistema do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sofreu uma invasão com todas as características de um ransomware. O Ministério da Saúde e o governo do Distrito Federal também tiveram seus sistemas atacados no mesmo dia, mas não foi confirmado se o incidente foi ocasionado por esse tipo de malware.

Em 2017, um ransomware afetou sistemas de 74 países, incluindo o do NHS (o SUS britânico). Na época, a então primeira-ministra do país, Theresa May, chamou o ataque de um "incidente grave" e disse que vários países e organizações foram afetados.

Os Estados Unidos também sofreram uma recente onda de ataques cibernéticos, incluindo um contra o sistema de oleodutos na semana passada e uma grande ação de hackers contra a empresa de software SolarWinds.

Neste contexto, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, pediu na quarta-feira a formação de uma coalizão internacional para fortalecer a segurança cibernética. "Estes atores são os vândalos em escala industrial do século 21. Querem minar as bases de nossa democracia", afirmou em uma conferência virtual organizada pelo NCSC britânico.

* Com informações da AFP