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Acesso fora de padrão tira site do STF do ar; dados sigilosos não vazaram

Pete Linforth/ Pixabay
Imagem: Pete Linforth/ Pixabay

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

07/05/2021 12h14

O site do Supremo Tribunal Federal (STF) está fora do ar desde a madrugada desta quinta-feira (6), após um possível ataque hacker. Segundo o órgão, foi identificado um acesso fora do padrão, e para garantir a segurança das informações, o portal foi retirado do ar para usuários externos.

site do stf fica fora do ar - Reprodução - Reprodução
Mensagem no site do STF nesta sexta-feira
Imagem: Reprodução

Em nota, o STF afirma que foram iniciadas análises em diversas de suas páginas. "A equipe técnica trabalha para retomada gradual dos serviços a partir desta sexta (7), e ainda não há previsão para o retorno do serviço".

Ainda de acordo com informações do órgão, o acesso fora do padrão foi contido enquanto ainda estava em andamento e, segundo informações preliminares, somente dados públicos ou de características técnicas do ambiente foram acessados, sem comprometimento de informações sigilosas — o STF não detalhou, no entanto, que informações foram vazadas.

O STF destacou, em nota, que o caso esta sendo investigado sob sigilo pelas autoridades competentes.

Os sistemas que garantem a atuação jurisdicional do STF, como peticionamento eletrônico, não precisaram sair do ar.

Pelo Twitter, o STF informou que o site está fora do ar por conta de "manutenção necessária para garantia da segurança do portal e das informações contidas nele". O órgão afirma ainda que o serviço não afeta e nem prejudica o andamento normal das sessões, que podem ser acompanhadas pelo Youtube ou pela TV Justiça.

O órgão comunicou ainda que, devido às restrições ao acesso do portal, a contagem dos prazos processuais e a vigência das sessões virtuais do Plenário e das Turmas que se iniciaram em 30 de abril ficam suspensos nos dias 6 e 7 de maio.

Crescente acessos de robôs

O STF informou que tem registrado um aumento expressivo na quantidade de acessos no portal por meio de "robôs" adotados de forma lícita por empresas, entidades e profissionais de direito para automatizar a coleta de informações sobre dados públicos, como processos.

Nos casos em que os sistemas não identificam de imediato se a alta quantidade de acessos provém de um desses robôs ou de um hacker com intenções ilícitas, algumas medidas são adotadas para reforço da segurança.

Segundo o STF, já foi possível detectar que, no episódio desta quinta-feira, o acesso não teve intuito de "sequestro" de ambiente, com características de ransomware, mas apenas de obtenção de dados.

Ataques recentes

Órgãos públicos viraram alvos de ataques hackers e vazamentos preocupantes. Foram vários registros divulgados recentemente visando a possibilidade de acesso a um vasto banco de dados que pode render um retorno rápido. E a explicação é bem pouco surpreendente: burocracia e falta de investimentos.

Para Rafael Zanatta, advogado diretor da Data Privacy Brasil, uma das principais consultorias de direito digital do país, a possibilidade de um ataque hacker ao site do STF não pode ser descartada, tendo em vista casos recentes, como o que bloqueou a base de dados dos processos que estavam em aberto do Superior Tribunal de Justiça, em novembro passado e o registrado no final de abril, no TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul).