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Cápsula espacial da Boeing apresenta problema de órbita

20.dez.2019 - Um foguete Atlas V decolou hoje de Cabo Canaveral, Flórida, nos Estados Uniods - Joe Raedle/Getty Images/AFP
20.dez.2019 - Um foguete Atlas V decolou hoje de Cabo Canaveral, Flórida, nos Estados Uniods Imagem: Joe Raedle/Getty Images/AFP

Em Washington (EUA)

20/12/2019 10h54

A cápsula espacial da Boeing, Starliner, lançada hoje de Cabo Canaveral, nos EUA, em um teste crucial para a agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), apresentou um problema que afetou a trajetória inicial da nave.

Apenas um manequim chamado Rosie e uma pelúcia do Snoopy estão a bordo para a missão de oito dias.

Os primeiros minutos do voo transcorreram normalmente, com uma separação bem-sucedida do primeiro andar, de acordo com as imagens transmitidas pela Nasa.

Contudo, a inserção orbital foi "não nominal", disseram a Boeing e a Nasa, o que significa que a cápsula ainda não está na trajetória adequada para alcançar a Estação Espacial Internacional (ISS). A Starliner não ligou seus motores conforme planejado para ganhar altitude e alcançar a estação espacial, localizada a cerca de 400 km da Terra.

A Boeing informou, no entanto, que a cápsula está em uma órbita estável. "Starliner teve uma inserção não nominal. Mas controlamos a nave. A equipe de navegação e controle estuda a manobra seguinte", tuitou a empresa.

A Nasa interrompeu a transmissão ao vivo da missão e prometeu informações sobre o que aconteceu. Uma entrevista coletiva está marcada para 14h GMT (11h de Brasília) no Centro Espacial Kennedy.

"Starliner está em uma órbita estável. A ignição necessária para um acoplamento na ISS não aconteceu. Estamos trabalhando no problema", tuitou o administrador da Nasa, Jim Bridenstine.

A CST-100 Starliner, nome oficial da cápsula, deixou o Cabo Canaveral às 6h36 (8h36 de Brasília).

A Nasa contratou a Boeing e a SpaceX em 2014 para desenvolver cápsulas para transportar astronautas entre os Estados Unidos e a Estação Espacial Internacional (ISS), uma função que apenas os foguetes russos da Soyuz exercem desde 2011, quando Washington encerrou seu programa de ônibus espaciais.

O projeto Starliner está com dois anos de atraso, e a agência espacial americana espera enviar astronautas no primeiro semestre de 2020, desde que esses testes finais sejam realizados sem incidentes.

A missão de hoje durará oito dias e servirá como um ensaio geral.

Se tudo der certo, pousará no dia 28 de dezembro às 3h47 (7h47 de Brasília) no deserto do Novo México, após uma descida de quatro horas.

A Starliner leva a bordo um único passageiro, um manequim chamado Rosie, em homenagem a "Rosie the Riveter" (em português, "Rosie, a rebitadeira"), nome com o qual é conhecida a imagem icônica de uma jovem mulher que mostra seu bíceps e diz "Nós podemos", símbolo da participação das mulheres nos esforços de guerra americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Sob a presidência de Barack Obama, a agência espacial americana concedeu bilhões de dólares à Boeing e à SpaceX para desenvolver cápsulas espaciais fabricadas nos Estados Unidos.

"No início do próximo ano, lançaremos astronautas americanos em foguetes americanos do solo americano pela primeira vez desde a retirada dos ônibus espaciais em 2011", disse ontem o administrador da Nasa, Jim Bridenstine, no Centro Espacial Kennedy.

A cápsula da SpaceX, empresa de Elon Musk, completou com sucesso em março uma missão semelhante à que a Starliner realiza nesta sexta-feria. A nave, chamada Crew Dragon, decolou com outro manequim a bordo, Ripley, aclopou-se à ISS e retornou à Terra sem inconvenientes.

Ao contrário da nave da Boeing, que aterrizará, seu retorno terminou em um pouso no mar.

Os manequins que participam desses testes não são apenas bonecos decorativos: estão equipados com vários sensores para verificar se a viagem será segura para a tripulação humana.

Para o astronauta da Boeing Chris Ferguson, a espera foi longa demais. Ferguson comandou em julho de 2011 o último voo do programa Space Shuttle e liderará o primeiro voo tripulado da Starliner.

"Mas aqui estamos, no limiar de estarmos prontos para fazê-lo. Não uma, mas duas empresas", disse.

Essas cápsulas não são iguais às usadas no programa Artemisa, que planeja levar homens e mulheres à superfície lunar em 2024. Essas viagens serão feitas com outra cápsula, Orion, projetada para viagens espaciais profundas e cuja fabricação está a cargo da Lockheed Martin.

Noventa milhões de dólares

Em uma mudança de filosofia, a Nasa já não será proprietária de seus veículos como no passado, mas pagará às empresas pelo serviço de transporte. Essa modalidade foi decidida durante o governo Obama para reduzir os custos da agência.

As empresas deverão garantir seis viagens com quatro astronautas cada, até 2024.

Em troca, a Nasa pagará mais de US$ 8 bilhões no total.

Assim, uma passagem de ida e volta à ISS custa US$ 90 milhões por passageiro na Starliner, de acordo com um relatório do Escritório do Inspetor-Geral da Nasa.

A viagem no Crew Dragon é estimada em US$ 55 milhões por passageiro.

Atualmente, a agência americana paga à Rússia mais de US$ 80 milhões por astronauta.

Bridenstine e Boeing rejeitaram esses números, alegando que foram inflados porque foram obtidos de uma divisão do total do investimento da Nasa para cada uma das futuras viagens estipuladas, sem considerar fatores que resultam em um menor custo por viagem.

O chefe da Nasa também se referiu à crise de confiança pela qual a Boeing está passando. "As pessoas que desenvolvem naves espaciais não são as mesmas que desenvolvem aviões", disse ele.