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Manequim, bola, slime, vinho: em 2019 soltaram de tudo no espaço

Manequim "Rosie, a Fogueteira" "posa" com equipe de engenheiras da Boeing - Divulgação/Twitter Boeing Space
Manequim "Rosie, a Fogueteira" "posa" com equipe de engenheiras da Boeing Imagem: Divulgação/Twitter Boeing Space

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

20/12/2019 08h36Atualizada em 20/12/2019 15h05

Sem tempo, irmão

  • Manequim "Rosie, a Fogueteira" ajudará cientistas a ver efeitos do espaço sobre humanos
  • Ele é inspirado em Rosie the Riverter, cartaz que virou ícone feminista com "We Can Do It"
  • Em 2019, vários objetos curiosos foram ao espaço, como slime, bolas e maconha
  • Ideia é descobrir como microgravidade pode afetar esses objetos

O manequim Rosie foi escalado para ser o primeiro tripulante da Starliner, cápsula para astronautas da Boeing lançada para a Estação Espacial Internacional (ISS) na manhã desta sexta-feira (20), mas que acabou tendo problemas e terá que voltar à Terra em 48 horas. O lançamento era considerado um teste considerado crucial para que a Nasa retome os voos tripulados a partir de 2020, e para isso Rosie terá um papel fundamental.

"Rosie, a Fogueteira", como vem sendo chamada, tinha a missão de ajudar os cientistas a observar os efeitos que os voos espaciais têm sobre os seres humanos. O manequim foi o terceiro enviado para uma missão espacial.

Oficialmente chamada de Dispositivo de Teste Antropomórfico (ATD), Rosie foi equipada com uma série de sensores estrategicamente posicionados que serão ativados assim que a Starliner deixasse o Cabo Canaveral. Assim, os cientistas da Nasa poderiam observar como a força G (da gravidade) atua no crânio, pescoço e coluna vertebral dos tripulantes.

De acordo com a Space.com, Rosie voou para a estação espacial no assento do comandante e usou um traje muito semelhante ao que os tripulantes humanos usarão nos voos da Boeing. Os dados obtidos a partir do manequim garantiriam que os futuros astronautas façam voos mais seguros.

Cartaz 'We Can Do It', da Segunda Guerra Mundial, com a personagem Rosie the Riverter - AFP
Cartaz 'We Can Do It', da Segunda Guerra Mundial, com a personagem Rosie the Riverter
Imagem: AFP

Símbolo da força feminina

O nome Rosie a Astronauta é inspirado em Rosie the Riverter ("Rosie, a rebitadeira", em português), ícone que representa as mulheres americanas que trabalharam em estaleiros e fábricas produzindo armas, munições e suprimentos durante a Segunda Guerra Mundial.

O manequim vestiu roupas parecidas com o famoso cartaz americano que carrega a frase "We can do it" ["Podemos fazer isso"], incluindo a bandana vermelha com bolinhas brancas. Embora o cartaz não tivesse ligação com o empoderamento feminino no momento de sua criação, a partir dos anos 1980, com sua redescoberta, é que ele foi ligado ao movimento feminista.

Apesar de ficar famosa como Rosie the Riverter, a mulher retratada no cartaz se chamava Naomi Parker e era operária.

"Rosie é um símbolo não apenas das mulheres que estão abrindo caminho na história dos voos espaciais humanos, mas também de todas as pessoas que demonstraram coragem e determinação enquanto trabalhavam incansavelmente para garantir que a Starliner possa transportar astronautas com segurança de e para a Estação Espacial Internacional", disse a executiva-chefe e presidente da Boeing Defense, Space & Security, Leanne Caret, em comunicado.

2019: o ano dos objetos em órbita

O manequim não será o primeiro item curioso enviado ao espaço para estudos. Bola de praia, garrafas de vinho, slime e até maconha foram enviados durante a missões espaciais. Confira:

Satélite de telecomunicações em forma de bola de praia, desenvolvido pela empresa FreeFall - Divulgação/FreeFall
Satélite de telecomunicações em forma de bola de praia, desenvolvido pela empresa FreeFall
Imagem: Divulgação/FreeFall

Bola de praia

O professor norte-americano Chris Walker, da Universidade do Arizona, criou telescópios e satélites que são mais baratos do que os convencionais. Mas o que chama atenção é o formato desses equipamentos: parecem gigantescas bolas de praia, que podem chegar a ter 40 metros de diâmetro.

A ideia de Walker facilita na operação dos satélites, já que a antena fica dentro da esfera, deixando seu funcionamento diferente dos equipamentos comuns. Por ser esférico, o telescópio oferece um grande campo de visão, o que permite visualizar áreas extensas do Universo sem ter de ser movido.

A grande bola de praia é chamada de Telescópio Espacial Terahertz. Ela é inflada com nitrogênio ou neon por apresentarem baixas temperaturas de congelamento.

skynesher/iStock
Imagem: skynesher/iStock

Garrafas de vinho

A Estação Espacial Internacional recebeu um carregamento com 12 garrafas de vinho tinto em dezembro. A startup Space Cargo Unlimited vai analisar o processo de maturação do vinho e compará-lo com o de garrafas da mesma safra que ficaram em Terra. A teoria é que o impacto da viagem seja positivo, com vinhos mais saborosos e que levam menos tempo para chegar a seu auge —um ano na Estação pode significar cinco anos em uma adega por aqui.

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Imagem: Getty Images

Slime

A SpaceX, de Elon Musk, levou muitos objetos ao espaço neste ano. Entre eles, o slime, a gosma que faz sucesso entre as crianças. A ideia, que teve colaboração do canal de TV infantil Nickelodeon, era desenvolver vídeos de experimentos com o slime no espaço, já que não era possível saber o comportamento da gosma sem a gravidade.
Um dos experimentos visa fazer os astronautas jogarem "slime pong", em que os tripulantes da estação espacial irão usar o líquido como se fosse uma bola de tênis de mesa, batendo de um lado para o outro.

iStock/Getty
Imagem: iStock/Getty

Bola de futebol

Com o slime, a SpaceX enviou bolas de futebol para a ISS. O objetivo era observar o movimento das bolas de futebol na microgravidade para compreender o comportamento dos objetos que voam livremente. Os resultados de velocidade de rotação, oscilação e eixo de rotação obtidos no espaço serão comparados com os registrados na Terra.

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Imagem: Getty Images

Maconha

A empresa Front Range Biosciences enviará culturas de células de café e maconha para ISS em 2020 para pesquisar os efeitos da microgravidade e voo espacial. A maconha que deixará a Terra rumo à ISS é da modalidade médica, com grandes quantidades de canabidiol, molécula ligada a tratamentos de epilepsia, ansiedade e dores.

Mas essa não é a primeira vez que a maconha sai do planeta. A companhia americana Space Tango enviou sementes de maconha ricas em canabidiol, recebeu de volta e as plantou na Terra. Os resultados da pesquisa não foram publicados.

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