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Pergunta pro Jokura

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mistura de vários ingredientes: como a poeira se forma e do que é feita?

Free-Photos/ Pixabay
Imagem: Free-Photos/ Pixabay
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Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa, na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL.

19/04/2021 04h00

Como a poeira se forma e do que é feita? - Pergunta de Ivete Magalhães, de Porto Velho (RO) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Como cantaria sua xará baiana, levantou poeira essa pergunta, cara porto-velhense. E quem me ajudou a espanar a dúvida foi o sempre disponível professor Claudio Furukawa, do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo).

Para começo de conversa, é preciso esclarecer que há inúmeras fontes de partículas. De tão minúsculas, podem ficar suspensas por longos períodos e se aglomerar formando desde nuvens de poeira cósmica, fora da Terra, até aquela fina camada de sujeira acumulada nos cantos da casa mais difíceis de limpar.

No ambiente doméstico, Furukawa explica que, por mais que fechemos todas as portas e janelas, ao longo do tempo a poeira entra porque as partículas microscópicas que a formam entram por pequenas frestas, carregadas pelo ar em movimento. Ah, e também tem os ingredientes da poeira que entram em casa na sola dos nossos calçados.

É o caso da terra, areia, fuligem, restos de insetos e plantas, fungos e bactérias. Até mesmo partículas de sal que saem dos oceanos chegam ao continente levados por correntes de vento em grandes altitudes. "Aliás, muitas destas partículas de poeira são responsáveis por aglutinar gotículas de água contidas na atmosfera e que ajudam a formar as nuvens de chuva", diz o professor.

Além do que vem de fora, sobra matéria-prima caseira para empoeirar a nossa vida. Variações de temperatura podem ocasionar dilatações e contrações nas paredes, tetos, pisos, portas e e janelas, desprendendo pequenas partículas que produzem poeira. O mesmo vale para o ressecamento da tinta das paredes, vibrações no prédio e uma série de outras fontes.

Outros ingredientes do pó nosso de cada dia são: fibras de tecido (presentes em roupas, toalhas, lençóis, cobertores, sofás etc.) restos de alimentos, pele descamada de pessoas e animais, pólen, insetos, bactérias, fungos e, preste muita atenção, ácaros e suas fezes.

De acordo com Furukawa, os ácaros estão entre as criaturas vivas mais comuns da poeira doméstica. Por causa do seu tamanho, são invisíveis (medem aproximadamente 0,2 mm) e proliferam por ter uma dieta à base de pele morta, que a gente espalha sem perceber pelo lar —uma pessoa pode descamar mais de um grama de pele por dia, o suficiente para alimentar cerca de 100 mil ácaros.

O resultado disso é uma explosão populacional. Estima-se que um travesseiro com seis anos de uso tenha cerca de 10% do seu peso constituído por ácaros e suas fezes, para desespero de asmáticos e alérgicos.

Para lidar com essa nuvem de poeira que nos rodeia, só há duas saídas: limpeza frequente dos ambientes que frequentamos e uso de máscaras capazes de barrar micropartículas - alô, coronavírus.

Enquanto isso, fora de nossas casas e até da Terra, tem a tal da poeira cósmica, gerada no interior das estrelas, expelida e espalhada por toda parte do Universo, formando nebulosas, anéis planetários e recobrindo a superfície de asteroides, cometas, satélites e planetas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL