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Muita ciência embarcou aqui: qual é o voo comercial mais longo do mundo?

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Imagem: Pixabay
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

09/03/2020 04h00

Pergunta de Bia Dumont, de Boa Viagem (CE) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

Desde outubro de 2018, a Singapore Airlines disponibiliza voos sem paradas entre Cingapura e o aeroporto de Newark, próximo a Nova York, percorrendo 15,3 mil km em 18 horas e 25 minutos a bordo de um Airbus A350. Isso vale para o sentido Singapura-Newark. Partindo dos EUA para a Ásia, o voo é 40 minutos mais breve.

Mas atenção passageiros do voo 7879, partindo de Nova York com destino a Sydney, na Austrália. Uma viagem de 16,2 mil km foi realizada em outubro de 2019 pela companhia Qantas e percorrida em 19 horas e 16 minutos, non-stop - uma média de 840 km/h.

Para o passeio inaugural dessa rota que está em fase de testes, um Boeing 787-9 Dreamliner serviu de balão de ensaio: o principal objetivo era observar como os efeitos de um voo tão longo nos 50 passageiros e demais tripulantes. Sim, o voo não estava cheio porque este modelo de avião não foi projetado para viajar com capacidade máxima por um trajeto tão longo. A saída para estabelecer o recorde foi limitar a quantidade de pessoas a bordo, carregar o máximo de combustível, bagagem pessoal limitada e nada mais de carga.

Mais leve, a nave seguiu suave até o destino, cumprindo o trajeto três horas mais rápido do que um voo lotado faria - estima-se que um voo de carreira ficaria mais de 22 horas no ar! E ainda pousou esbanjando combustível: o capitão do voo, Sean Golding, declarou para a imprensa australiana que sobraram 70 minutos de combustível no tanque.

Além da tripulação convencional, um grupo de pesquisadores acompanhou as atividades dos passageiros, desde o padrão de sono até o consumo de alimentos. Para evitar problemas circulatórios, todos a bordo participaram de sessões de exercícios coletivas, que incluíram até dançar a Macarena. Os cientistas também colheram dados sobre os níveis de melatonina da tripulação - por meio de amostras de urina - e monitoraram a atividade cerebral dos pilotos na longa empreitada. Se liga no relato de um repórter que embarcou no voo-teste:

A viabilidade comercial da nova rota ainda está sendo estudada pela Qantas, que pretende, com isso, ligar o leste australiano ao leste dos EUA e a Londres. Atualmente, apenas voos partindo o oeste australiano, na cidade de Perth, chegam até Londres sem paradas em pouco mais de 17 longas horas.

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