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Soluções criativas de startups farão governos mais digitais e modernos

Rawpixel/Freepik
Imagem: Rawpixel/Freepik
Letícia Piccolotto

Letícia Piccolotto especialista em gestão pública pela Harvard Kennedy School, presidente da Fundação Brava e fundadora do BrazilLAB, primeiro hub de inovação que conecta startups com o poder público. Em 2020, foi a única brasileira na lista das 20 principais lideranças mundiais em GovTech da Creators, laboratório de inovação sediado em Tel Aviv (Israel).

21/11/2020 04h00

O Brasil foi o epicentro dos debates sobre inovação e tecnologia para o setor público. Entre os dias 16 e 19 de novembro, a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) liderou a Semana de Inovação 2020, que, de forma inédita, reuniu em um ambiente online mais de 20 mil pessoas de todos os lugares do Brasil e do mundo, que puderam acompanhar os 400 palestrantes e mais de 200 horas de conteúdo.

Em meio a um ano tão desafiador, ter um espaço para refletir sobre o futuro que queremos representou um respiro fundamental para todos e todas que trabalham com governo. As mais de 200 horas de conteúdo trouxeram debates fundamentais para a transformação digital e poderão ser compartilhadas e revistas diversas vezes.

Mas não posso deixar de compartilhar o que, em minha avaliação, foi o grande destaque do evento: a quantidade de discussões sobre o papel de startups na transformação digital de governos.

Em uma rápida busca, identifiquei ao menos 15 palestras nos quais os temas de empreendedorismo e startups foram debatidos. Esse é um indicador que brilha os olhos e me faz acreditar que a pauta govtech tem crescido em importância entre aqueles e aquelas que desejam um setor público digital, efetivo e ágil.

Se, há 5 anos, quando fundei o BrazilLAB, o termo govtech não era sequer conhecido, hoje ele ocupa um espaço relevante no maior evento de inovação pública da América Latina. Deixamos de ser uma promessa e nos tornamos, hoje, uma realidade.

Em 2020, a Semana de Inovação teve como mote "(re)imaginar e construir futuros". A proposta foi ser um espaço de reflexão sobre possíveis caminhos para superar desafios antigos do país, bem como os que surgiram em virtude da pandemia de coronavírus.

O BrazilLAB e a Fundação Brava marcaram presença no evento, apresentando os resultados e oportunidades da agenda govtech. Compartilho aqui como foi participar desse momento histórico.

Pensando o futuro, a começar pelo hoje

A Semana de Inovação envolveu especialistas de diversos países e áreas de conhecimento. Estiveram presentes nomes como Beth Noveck (diretora do GovLab - Laboratório de Governança na New York University), Ngaire Woods (fundadora da Blavatnik School of Government) e Tim O'Reilly (fundador, CEO e Chairman da O'Reilly Media).

A diversidade de temas, palestrantes e formatos certamente foi fundamental para alcançar o objetivo de que o evento fosse um espaço para discutir e (re)imaginar o futuro do setor público. Afinal, os palcos virtuais abordaram os mais variados assuntos: desde aplicação da inteligência artificial no setor público, passando por educação 4.0, seguindo por debates sobre a relevância de ampliar a participação de mulheres em cargos de liderança, até estratégias para aperfeiçoar a experiência de trabalho remoto.

O BrazilLAB marcou presença com a atividade "Vitrine de Startups". Fundadores e fundadoras das startups abaixo puderam apresentar suas soluções para um público de 120 gestores governamentais, especialistas e empreendedores.

  • 3Wings --que criou um sistema de monitoramento remoto e em tempo real de unidades de terapia intensiva;
  • Auá Conecta --uma plataforma de fomento aos pequenos empreendimentos da região metropolitana de Belém
  • Bright Cities --uma solução para cidades inteligentes;
  • Fonte de Preços --especialista em otimizar o processo de compras públicas;
  • Universaúde --que criou uma plataforma para a gestão em saúde para profissionais e população.

Ficou evidente a diversidade de tecnologias desenvolvidas, bem como o grau de maturidade e a resiliência das govtechs. Muitas delas, inclusive, desenvolveram tecnologias específicas para o combate à pandemia, como é o caso da Universaúde, que criou o AVISASaúde.

Também estivemos presentes na discussão sobre compras públicas de inovação tecnológica— tema que já abordei aqui. Guilherme Dominguez, cofundador do BrazilLAB e diretor do programa de aceleração, participou de dois painéis para discutir a agenda, especialmente considerando as propostas em tramitação, como o marco legal das startups: "Caminhos Jurídicos para Inovação Aberta no Setor Público" e o "Aquário da Compra Pública de Inovação".

Muitos argumentos foram debatidos, mas um consenso é evidente: as compras públicas devem se transformar em um instrumento fundamental para promover a inovação no setor público.

A Fundação Brava, por sua vez, organizou o painel "Foresight: Pensar no Futuro para Agir no Presente" —que teve a participação de nomes como Jacques Barcia (do Institute for The Future), Nitika Agarwal (do Apolitical) e Luís Gustavo Delmont (do SENAI)— e buscou difundir o tema de estudos do futuro: uma área de pesquisa e prática que é bastante antiga, estratégica, mas pouco conhecida. Com os estudos de foresight é possível refletir sobre o futuro e estar preparado para a sua chegada.

Finalmente, pude participar da Arena Futuros —você pode acompanhar como foi a apresentação no vídeo abaixo - e compartilhar os aprendizados sobre o trabalho que desenvolvo há mais de 20 anos atuando com organizações da sociedade civil e com projetos de inovação e tecnologia. Foi uma oportunidade para falar sobre o tema que mais me apaixona: o trabalho das govtechs e como elas são parceiras estratégicas para a transformação digital.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL