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Wasteland 3 é o RPG que você deveria estar jogando

Sai o deserto do Arizona, entra a neve do Colorado: prepare-se para o frio de Wasteland 3 - Divulgação
Sai o deserto do Arizona, entra a neve do Colorado: prepare-se para o frio de Wasteland 3
Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

30/09/2020 04h00

Passar perrengue no gelo não era exatamente o que eu esperava ao encarar Wasteland 3, jogo de uma franquia que ficou famosa no deserto escaldante do Arizona. Com o meu comboio de Rangers, uma espécie de força policial em um mundo pós-apocalíptico, vou rumo ao Colorado passando por rios congelados e florestas que sobreviveram ao conflito nuclear de anos passados.

Já nos primeiros minutos, na primeira cutscene, todo o batalhão cai em uma armadilha mortal de psicopatas da região, no melhor estilo Mad Max. Com mísseis lançados pelo alto e balas vindas por todas as direções, todo o time está sendo trucidado diante dos meus olhos. O gelo fica manchado de sangue ao som de uma música gospel glorificando ironicamente a América.

Pelo caminho do tutorial é possível ver os corpos dos seus amigos estirados, com as tripas para fora em uma espécie de ritual bizarro dos selvagens. Também fica evidente, ao decidir pela primeira vida ou morte de alguém com apenas uma escolha de diálogo, que os momentos importantes do jogo podem ser abordados de diversas maneiras com consequências impactantes.

Após mais de 80 horas de uma experiência formidável, às vezes truncada, mas revigorante, venho contar por que você deveria dar uma chance para Wasteland 3, um dos melhores RPGs de 2020.

Evolução dos antecessores

Wasteland 3 Artigo 01 - Daniel Esdras/GameHall - Daniel Esdras/GameHall
Wasteland 3
Imagem: Daniel Esdras/GameHall

Com a popularização dos jogos indie, engines comerciais e financiamentos coletivos, uma série de gêneros que estavam presos no passado ganharam uma nova vida nos últimos anos. Wasteland 3, desenvolvido pela Inxile e já disponível para PC, Xbox One e PS4, faz parte dos CRPGs, ou "Computer RPGs", que ressurgiram com muita força nessa geração.

A câmera isométrica, que foca nos personagens pelo alto, a narrativa ramificada, com diálogos densos e longos, a jornada em grupo e o poder de decisão nas mãos do jogador são bem característicos desse gênero que teve seu auge no final dos anos 90. Wasteland 3 não foge da regra e acaba sendo bem diferente (talvez até datado) para quem está acostumado só com os títulos mais atuais, mas guarda momentos incríveis.

Wasteland 3 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Para começar essa conversa, vamos um pouco para o passado. Pouca gente conhece a série Wasteland, mas saiba que o impacto dela na indústria foi marcante. Para se ter uma ideia, a série Fallout, que veio depois, era considerada uma sucessora espiritual do primeiro jogo dessa franquia, na época desenvolvido pela icônica Interplay.

O primeiro Wasteland foi lançado no final dos anos 80 e moldou muito do que é um jogo no cenário pós-apocalíptico nos videogames. Os Rangers do Arizona, uma espécie de força formada para trazer um pouco de ordem aos oprimidos de um mundo onde as nações acabaram após uma guerra nuclear, são os protagonistas da franquia desde então. O foco é sempre dar ao jogador a capacidade de criar os seus Rangers e interagir com um mundo que conta com o que de pior e melhor a humanidade pode fazer pelo próximo.

Wasteland 1988 - Divulgação/Steam - Divulgação/Steam
Wasteland 1988
Imagem: Divulgação/Steam

Através de um financiamento coletivo a Inxile conseguiu, depois de décadas, reviver a franquia. Com seu lançamento em 2014, Wasteland 2 foi um marco à sua maneira por pavimentar o caminho para a volta de diversos jogos do gênero. Junto dos méritos, vieram também muitos defeitos graças ao baixo orçamento para o desenvolvimento do jogo, o que sempre afasta muita gente.

Wasteland 3 também surgiu de um sucesso em um financiamento coletivo, mas só atingiu o estado atual por conta do dinheiro extra que a Inxile teve após ser adquirida pela Microsoft. Bem mais polido que os antecessores, mesmo contando com diversos problemas ainda presentes na versão dos consoles, o jogo leva os Rangers do deserto do Arizona para o gelo absoluto do Colorado.

A história dos antigos bebe dos temores da época da guerra fria e talvez não teria tanto impacto no público atual, mas com a mudança de cenário e papel dos Rangers, Wasteland 3 conta com dilemas morais complexos para o jogador lidar. Na essência, é uma sátira à América atual e brinca com todas as suas facetas, de negacionistas e conspiradores até desigualdades, imigração e problemas relacionados à tecnologia.

Wasteland 3 Artigo 02 - Daniel Esdras/GameHall - Daniel Esdras/GameHall
Wasteland 3
Imagem: Daniel Esdras/GameHall

Se você jogou o segundo título da franquia, vai notar que o Wasteland 3 evoluiu em quase todas as frentes. O combate agora, por exemplo, conta com o popular sistema de grids que ficou famoso em títulos mais recentes, como XCOM 2, e deixou a ação mais dinâmica e muito estratégica. A interface é muito mais intuitiva e menos poluída. Há diálogos com a câmera focada nos NPCs, bem animados e com maior imersão. Navegar pelo mundo com um veículo customizável adiciona uma camada extra para a parte de exploração e as melhorias gráficas tornam todo o visual muito mais atrativo e imersivo.

Todo o escopo é maior, da criação dos seus Rangers, aos detalhes da base que você ganha para operar na região. Se por um lado ainda não é um jogo de orçamento exorbitante e com polimento em cada detalhe, Wasteland 3, tirando os problemas de crash no Xbox One, oferece uma experiência muito mais refinada que os antecessores e é indicado para todos aqueles que gostam desse tipo de ambientação e de um RPG denso.

O Fallout que não existe mais

Wasteland 3 Artigo 03 - Daniel Esdras/GameHall - Daniel Esdras/GameHall
Wasteland 3
Imagem: Daniel Esdras/GameHall

A Bethesda deu uma nova vida para o Fallout e levou a franquia novamente para o mainstream, conquistando toda uma geração, mas nesse processo perdeu muito da essência dos originais. Várias dos dilemas morais, a ambientação e especialmente os sistemas de RPG foram trocados pelo foco no combate em primeira pessoa e uma forma de narrar bem característica do estúdio que criou o Elder Scrolls.

A Inxile, por outro lado, é formada por membros da antiga Interplay, que desenvolveu os primeiros jogos da série Fallout. A forma crua de se mostrar os eventos, com um humor sádico mas sem perder a pegada sombria e um gameplay todo arquitetado em cima da liberdade do jogador, que fizeram parte dos Fallouts originais, estão todos presentes no Wasteland 3.

Wasteland 3 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Lembra da forma como eram tratadas as gangues formadas na anarquia do pós-apocalíptico? No Wasteland 3 é idêntico e elas também estão presentes das mais diversas formas. Há malucos que se vestem de palhaços, há cultistas insanos que fazem rituais macabros, há canibais, há até uma aldeia de robôs comunistas que tentam roubar uma IA do ex-presidente Ronald Reagan. A interação com todos eles e as consequências das suas atitudes em cada nova missão fazem o gostinho aqui ser nostálgico e relembrar os momentos mais marcantes de Fallout e Fallout 2.

O sistema de RPG, com customização de armas, perícias, atributos e toda aquela carga que, embora confusa no início, recompense demais com tempo, são pontos fortes aqui também e bebem dessa influência que vem lá do final dos anos 90.

Uma ótima opção até novembro

Wasteland 3 - Daniel Esdras/GameHall - Daniel Esdras/GameHall
Wasteland 3
Imagem: Daniel Esdras/GameHall

Quem é fã de RPGs neste momento deve estar ansioso para o dia 19 de novembro, quando será lançado, se não tivermos mais adiamentos, o aguardado Cyberpunk 2077. Nesse meio tempo você provavelmente está a procura de um RPG que preencha seu tempo e sirva como um ótimo aquecimento para o que está por vir.

Wasteland 3 pode ser a sua opção ideal. A campanha é longa, cheia de desafios, mas não depende em nada dos jogos anteriores. Existem alguns easter eggs e referências para quem jogou os títulos anteriores da série, mas todo o grupo de protagonistas aqui é novo e o mundo conta uma história independente.

A questão de preço também pesa na decisão, o que não é um problema para quem tem a assinatura do Game Pass. Como a Inxile é um estúdio da Microsoft agora, o jogo está disponível no serviço desde o seu lançamento, o que torna o teste uma obrigação para quem é amante do gênero.

Como 2020 ainda não nos presenteou com outros grandes RPGs até o momento, Wasteland 3 é a melhor opção disponível. Mergulhar na história dos Rangers no inóspito Colorado, sobreviver aos desafios criados pelas gangues e tomar as decisões que vão impactar para sempre esse mundo, é a pedida ideal e que você deveria estar jogando agora enquanto espera pelos blockbusters de logo mais.

Lançamento: 27/08/2020
Plataformas: PC (Steam), PS4 e Xbox One
Preço sugerido: R$ 159,00 (PC) e R$ 222,45 (consoles)
Classificação Indicativa: 18 anos (Violência Extrema, Conteúdo Sexual, Drogas Ilícitas)
Desenvolvimento: Inxile Entertainment
Publicação: Deep Silver
Jogue também: XCOM, Gears Tactics, Divinity: Original Sin, Fallout

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