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West of Dead é tiroteio original e estiloso atrapalhado por bugs

West of Dead tem direção de arte estilosa e dublagem de Ron Perlman, ator que encarnou Hellboy no cinema - Divulgação
West of Dead tem direção de arte estilosa e dublagem de Ron Perlman, ator que encarnou Hellboy no cinema
Imagem: Divulgação

João Varella

Colaboração para o START

05/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Tiroteio tático e exigente segue a jogabilidade de "morreu-perdeu" em um faroeste sombrio
  • Jogador controla William Mason, um caubói sem memória no final do século 19
  • Alto nível de dificuldade fica ainda pior com problemas técnicos e falta de polimento

Tal um cowboy que exige uma dose tripla de uísque no balcão do saloon, West of Dead deixa claro o que quer logo de cara. A proposta é de tiroteio tático e exigente, inserido em um curto ciclo de jogabilidade dentro de um faroeste sombrio.

O game toma emprestado elementos conhecidos para fazer uma mistura única. West of Dead é um twin stick shooter de cobertura roguelite isométrico. Assuste um amigo, mande agora mesmo um áudio berrando a frase anterior. Se o camarada jogar videogame, você pode complementar com referências como Dead Nation, Gears of War, Dead Cells, Diablo e Sunset Riders (esse último só para aloprar).

Excesso de referências à parte, o jogo oferece uma proposta original, inclusive na direção de arte. A paleta de cores utilizada é dessaturada, com sombras de preto sólido (que são importantes na jogabilidade, como veremos a seguir). Dá para apostar um chapéu do John Wayne que a inspiração veio dos quadrinhos Hellboy, de Mike Mignola.

A dublagem feita por Ron Perlman, ator que encarnou o próprio Hellboy no cinema, deixa a referência ainda mais clara. A voz grave dele faria um pedido de pão na chapa soar áspero e sujo feito a sola de uma bota.

(Quem gostar dessa composição estética pode curtir também o quadrinho brasileiro O diabo & Eu, de Alcimar Frasão, sobre o suposto pacto que o músico Robert Johnson fez com o belzebu).

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Caubói sem memória

A trama se passa no oeste americano, no final do século 19. O jogador é o desmemoriado William Mason, transformado em uma espécie de versão pistoleira do Motoqueiro Fantasma com poncho vermelho. Para descobrir o que aconteceu, é preciso se embrenhar pelo labiríntico purgatório, em cenários de igrejas, minas e fazendas.

O enredo não é lá muito importante, age mais como elemento de ambientação e, dessa perspectiva, atinge o objetivo. A jornada de West of Dead tem como fundamento a jogabilidade.

O caminho escolhido pela desenvolvedora Upstream Arcade exige reflexo e pensamento tático. É preciso se posicionar e administrar os armamentos. As balas e habilidades são infinitas, mas precisam de tempo para serem recarregadas

Morreu? Perdeu (quase) tudo

Parte da palavrosa descrição que usamos para assustar os amigos pode indicar ação frenética, inferno de balas, Enter the Gungeon. Porém, perceba que não há "run and gun" no mix de West of Dead.

O caminho escolhido pela desenvolvedora Upstream Arcade exige reflexo e pensamento tático. É preciso se posicionar e administrar os armamentos. As balas e habilidades são infinitas, mas precisam de tempo para serem recarregadas (cooldown). Lembra, em termos de filosofia de design, a barra de vigor dos soulslike, como Bloodborne e Nioh, que pune quem se afobar nos botões.

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E sim, é um jogo difícil, tal qual os mencionados. Uma semana depois do lançamento, as duas opções de segunda fase, "Caçada" e "Pântano", ainda eram consideradas conquistas raras na versão de Xbox One.

Os mapas, feitos proceduralmente, consistem em labirintos. Exceto nos chefes, são sempre corredores que ligam a salas onde acontece a ação. Além de barricadas, que são destruídas com uns poucos tiros, essas áreas geralmente estão cobertas de sombras, o preto chapado da direção de arte. Para saber onde estão os inimigos e a mira automática funcionar, é preciso acender lâmpadas no cenário, o que atordoa os adversários.

West of Dead - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Ou seja, nada de ficar só escondido atirando de trás do conforto da barreira, é preciso se mover. Há um movimento responsivo de esquiva, que quando apertado no último instante dispara um satisfatório efeito de zoom e câmera lenta.

No combate surge um dos muitos problemas de polimento. O jogo nunca deixa claro se é lícito batalhar nos corredores. Fato é que a mira passa a falhar nessas áreas, não funciona nem mesmo de maneira manual, o que é frustrante. Como roguelite, ao morrer é preciso reiniciar a jornada praticamente do zero. Com essa pressão extra, é esperado que o jogador empreenda todas as táticas à mão, inclusive recuos táticos (forma bonita de dizer CORRA PELA SUA VIDA).

O fator morreu-perdeu acrescenta uma camada de tensão potente. Dada a raridade de itens de cura, cada ponto de vida conta.

Se serve de consolo, cabe a West of Dead a mesma consideração zen do gênero soulslike: o aprimoramento mais importante é do próprio jogador. Aprender e dominar questões como o comportamentos dos inimigos, tempo da esquiva, atenção aos sinais sonoros e visuais importam mais do que encontrar uma escopeta de alto nível. Em tese, dá para zerar o jogo com a primeira pistolinha mequetrefe que o jogador pega no início da partida (em breve alguém há de postar um vídeo com essa façanha).

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Ferro e pecado

West of Dead tem duas moedas, ferro e pecado. Ferro é usado para comprar equipamentos de um mercador encontrado nas masmorras. William Mason pode carregar até duas armas e duas habilidades, acionadas nos botões de ombro do controle.

Pecado é usado para comprar aprimoramentos permanentes, que o jogador terá no início de novas partidas, ou novas armas e habilidades que passam a fazer parte dos itens distribuídos aleatoriamente pelo mapa. Ao concluir uma área, é hora de esvaziar os bolsos de pecados com uma bruxa que oferece esses itens. Como se fosse uma Tom Nook, de Animal Crossing, ela permite que você vá pagando os aprimoramentos em prestações suaves, sem juros, de pecado em pecado.

Diante do ciclo de jogabilidade repetitivo, o melhor jeito de consumir West of Dead é aos poucos, uma espécie de casual para usuários exigentes

Podia melhorar

O jogo parece uma torta que merecia mais tempo no forno. Aparentemente, os próprios desenvolvedores concordam com isso, já que a versão continua numerada em 0.9, mesmo depois de meses de fase beta — o costume é lançar com 1.0. Talvez a meta seja arredondar o título para o lançamento no Nintendo Switch e PlayStation 4, previsto para agosto.

Além de pequenos bugs, variáveis conforme a versão (houve ao menos dois patches de correção desde o lançamento), o inventário é onde essa espécie de fase de teste estendida fica mais evidente.

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As abas são vazias, poderiam trazer informações sobre os upgrades permanentes já obtidos ou de talismãs e runas. O mapa é feio de doer —o que destoa dentro de uma direção de arte tão estilosa— e pouco prático. Não que seja essencial, mas para aumentar as chances de sucesso convém limpar as áreas de cada etapa.

Poderia ter também opções de reconfigurar os botões, principalmente para quem jogar no PC com teclado e mouse (recomendo com ênfase um joystick).

E já que o balcão de sugestões está aberto, ter um cross-save ou ao menos o progresso permanente compartilhado entre PC e Xbox One seria ideal, ainda mais levando em conta a proposta do game.

Diante do ciclo de jogabilidade repetitivo, o melhor jeito de consumir West of Dead é aos poucos, uma espécie de casual para usuários exigentes. Como a ação é direta ao ponto e compartimentada, começa e termina nas salas, o game atende aquela jogatina no tempo de espera da entrega da pizza. Não deixe o jantar esfriar, ao sair dá para continuar de onde parou.

West of Dead é uma adição estimulante ao catálogo do Game Pass, o serviço de assinatura "jogue o quanto puder" da Microsoft. Encaixa como uma pistola no coldre para uma pausa nos títulos longos, aqueles cheios de sistemas dentro de sistemas (estou olhando para vocês, Witcher III e Red Dead Redemption 2).

West of Dead

Lançamento: 18/06/2020
Plataformas: PC e Xbox One (futuramente Switch e PS4)
Preço sugerido: R$ 37,99 (PC), R$ 74,95 (Xbox One), ou grátis para assinantes Game Pass
Classificação indicativa: Livre (Violência Fantasiosa)
Desenvolvimento: Upstream Arcade
Publicadora: Raw Fury
Jogue também: Desperados 3, Dead Cells, Risk of Rain 2

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