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"Bloodborne" é para poucos, mas é joia rara nos videogames

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Rodrigo Guerra

Do UOL, em São Paulo

24/03/2015 13h11

"Bloodborne" é um jogo fantástico, mas é um jogo para poucos. Mais especificamente, um nicho: viciados em desafios, dominação de mecânicas de jogo e muito perseverantes. Quem se enquadrar neste grupo vai descobrir um mundo horripilante, cheio de mistérios e seres malignos se arrastando pelos cantos, sedentos pelo sangue de seu personagem - mas impossível de não querer explorar.

Dominar as técnicas de combate é apenas o início da jornada pelo mundo de Yharnam. É necessário decorar o modus operandi de cada inimigo, aprender formas de ser efetivo com suas armas e, acima de tudo, ser perseverante.

Se você não se encaixa nesse misto entre masoquismo e perseverança, não se importe com "Bloodborne" - esse jogo não foi feito para você. A história está escondida, geralmente atrás de uma multidão de inimigos implacáveis, fazendo com que, por vezes, você não a aproveite bem.

A beleza de "Bloodborne" está na forma imponderável de gratificar o jogador na busca pela perfeição. Os obstáculos, sejam eles chefes ou até inimigos comuns, vão frustrá-lo, mas a gratificação de superá-los é ainda maior. Você vai sentir raiva, mas a adrenalina de vencer um desafio será um bálsamo inebriante para a alma.

Sim. Esse jogo é para poucos. Mas quem estiver disposto a sofrer e até chorar, vai encontrar uma joia rara no mundo dos videogames.

Introdução

Dos criadores de "Demon's Souls" e "Dark Souls", "Bloodborne" é um jogo exclusivo para PlayStation 4 que desafia jogadores mais exigentes. A história do jogo se passa na cidade de Yharnam, onde é encontrado um remédio poderoso que atrai pessoas de todos os cantos do mundo.

Porém, ao pisar na cidade, você descobre que uma praga se espalhou pelas ruas da cidade que transforma as pessoas em feras terríveis. O jogador deve percorrer as ruas de Yharnam e caçar os monstros que amaldiçoam o local para tentar acabar com tal maldição.

Muitos inimigos o aguardam nas ruas de Yharnam em "Bloodborne" - Divulgação
Muitos inimigos o aguardam nas ruas de Yharnam em "Bloodborne"
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Pontos Positivos

Mecânicas simples, mas eficientes

Esse é o primeiro ponto positivo, por um bom motivo: a base principal de "Bloodborne" é um RPG de ação no qual você precisa assimilar as mecânicas de jogo para aproveitar a experiência em sua plenitude.

Você tem em uma das mãos uma pistola e uma arma branca na outra. Cada uma dessas armas pode ser usada tanto na ofensiva quanto na defensiva. Disparar a arma em um inimigo que prepara um ataque abre uma janela de tempo para dar um golpe fatal devastador.

Existe um botão de esquiva que deve ser usado com extrema cautela, pois você pode acabar se encurralando e abrindo espaço para ataques dos inimigos. Isso vai contra o que vemos em "Dark Souls", que dá prioridade à jogada segura, à defesa e a contra-ataques no tempo certo. Aqui é necessário ser mais agressivo, mas sem ser irresponsável. Cada movimento conta e tem que ser meticulosamente calculado.

Já a progressão do personagem é similar à mecânica dos outros jogos da From Software. Cada inimigo lhe concede pontos de experiência que vão sendo acumulados conforme você avança, mas morrer faz com que você perca tudo o que acumulou.

Ou seja, gaste seus pontos sempre que encontrar um portal para o Sonho do Caçador (uma espécie de centro que reúne no mesmo lugar portais para mundos diferentes, loja de itens e onde você pode melhorar suas estatísticas). Essa é a única forma que você garante que não vai perder tudo o que acumulou.

Desafiador

Há quem diga que os níveis V e VI de Suplício de "Diablo III" sejam difíceis. Sabe de nada, inocente. A From Software, produtora de "Bloodborne", é conhecida por seus jogos extremamente desafiadores. Foi assim com "Demon's Souls" e os dois "Darksouls" e não seria diferente com esse exclusivo do PS4.

"Bloodborne" é muito difícil e sai da mecânica 'defende-ataca' de "Demon's Souls" e parte para o 'esquiva, atira e ataca' - nem sempre nessa ordem, mas é mais ou menos isso. Cada um dos inimigos requer uma rotina diferente. Os menores podem ser destruídos com um golpe carregado de sua arma, mas os maiores pedem mais estratégia, mais noção de espaço.

O RPG "Bloodborne" é desafiador e sombrio, bem ao estilo da produtora From Software, da série "Dark Souls". - Divulgação
O RPG "Bloodborne" é desafiador e sombrio, bem ao estilo da produtora From Software, da série "Dark Souls".
Imagem: Divulgação

Você vai ter que decorar as rotinas de cada um dos inimigos, dos corvos gigantes e desengonçados até os chefes que sempre exigem mais concentração e estratégia.

O desafio é sempre crescente. Constante. Qualquer erro pode colocar seu progresso no jogo em risco. Morrer em "Bloodborne" significa perder toda a experiência acumulada - bem do jeitinho da série "Souls", mas mais do que isso: significa ter que encarar uma tela de loading muito demorada.

Superação a cada batalha

Houve momentos que pensei em desistir. Depois de algumas horas preso em um mesmo chefe, sentia uma frustração crescer em meu peito. "O que eu estou fazendo de errado?", eu me perguntava.

Precisei pausar e traçar uma nova estratégia. Voltei e venci o chefe. Isso se repetiu no próximo, mas, dessa vez, nada do que eu imaginava dava certo - até que, sem vergonha alguma em admitir, pedi a ajuda de um jornalista brasileiro para me dar uma "dica". Mesmo assim, morri diversas vezes no mesmo inimigo.

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No momento em que a palavra "desistência" começou a preencher meus pensamentos novamente, consegui vencer o dito cujo. A satisfação de passar por um inimigo poderoso foi recompensadora. A sensação de estar jogando melhor invadiu minha mente. Eu estava jogando melhor. Estava ficando mais ágil. Eu era poderoso.

Isso durou apenas até o próximo chefe.

Você sabe que está fazendo algo de errado. Não é o jogo, mas você que está falhando. Sua estratégia está errada. Seu jeito de jogar que é ineficiente. A regra é: melhore suas habilidades.

Tente encarar "Bloodborne" como um jogo de xadrez - sempre existe espaço para melhorar suas técnicas. Isso é algo raro em hoje em dia.

Esse é um jogo que pede principalmente habilidade e, em menor grau, um pouco de tempo melhorando suas estatísticas com pontos de experiência. Totalmente diferente da maioria dos títulos de hoje em dia, que quase levam o jogador pela mão do início ao fim, sem apresentar desafio algum.

Incrivelmente belo

Cada um dos cenários que vão se apresentando para você mostra o capricho da From Software com o visual do mundo de "Bloodborne". A era vitoriana é mesclada com uma decadência ímpar. O mundo de Yharnam sempre tem uma surpresa pra você.

Das florestas, às catedrais, passando pelos esgotos e as ruas esburacadas e em chamas. Esse mundo grita desespero e dor, com toques religiosos, sobrenaturais e ao mesmo tempo bucólico e oprimido.

As pessoas não saem de casa porque sabem que algo muito perigoso espreita do lado de fora, esperando o momento certo para atacar. E o que está lá fora são monstros incrivelmente detalhados, lobisomens que fazem sua alma gelar, camponeses zumbis armados até os dentes e feras indescritíveis que até mesmo o ser místico Cthulhu teria receio de encarar.

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Câmaras multiplayer são bacanas

O componente online de "Bloodborne" é dividido em duas partes. A primeira é conhecida de longa data de quem jogou "Dark Souls", na qual você pode invadir mundos de outros jogadores ou ainda pedir ajuda para encarar um chefe - o que ajuda e muito em algumas partes do jogo.

A segunda parte é formada com as Câmaras de Sangue, na qual você entra em uma missão para acabar com monstros em masmorras geradas aleatoriamente. Aqui ambos os jogadores lutam em equipe para passar pelo desafio. Algumas vezes é necessário trilhar caminhos separados para ativar alavancas e abrir passagens e caminhos.

No final você sempre encontrará chefes tão desafiadores quanto os da campanha normal, mas preparados especificamente para serem combatidos por dois caçadores. A experiencia é bem bacana e divertida e vai ampliar a vida útil do jogo.

Pontos Negativos

Criação de personagens

A criação de personagens segue o mesmo padrão de "Demon's Souls" e "Dark Souls": você escolhe alguns detalhes da aparência do seu personagem, responde algumas perguntas e depois o jogo te deixa livre para fazer alguns ajustes.

Porém, alguns detalhes, como o tipo físico, fazem pouca ou nenhuma diferença no visual do personagem. Colocar "Compleição física" no valor máximo não muda em muita coisa em comparação com o valor mínimo. Você verá um personagem mais alto do que outro, mas não um corpulento e outro magrelo.

Conforme as suas escolhas na hora da criação do personagem, o jogo vai dar a você as armas e estatísticas iniciais. Porém isso não fica claro e em momento algum é avisado o que você deve fazer para criar um caçador da forma que você realmente quer.

Loadings demorados

Essa talvez seja a pior punição para quem morre: encarar um tempo de carregamento enorme. Talvez isso seja pelo fato de cada cenário ser gigantesco, com diversas áreas para serem exploradas, mas isso não muda o fato de que a espera para voltar para a ação é irritante.

Lembra da dica de sempre gastar seus pontos de experiência? Pois é. Isso significa ir para outro cenário e ter que esperar cerca de 1 minuto de carregamento. Morreu em um chefe? Vai voltar do último ponto de save daqui 60 segundos. Em resumo, grande parte da experiência de jogo é ver o logotipo de "Bloodborne" enquanto espera.

História escondida

A história de "Bloodborne" é macabra e cheia de nuances, mas a maior parte dela está escondida longe de seus olhos. Os personagens de apoio falam em enigmas, os panfletos estão escondidos em cantos obscuros e praticamente nada é exposto de forma direta e objetiva.

Você precisa estar muito, mas muito interessado em saber o que aconteceu com o mundo de Yharnam e sair catando papéis em lugares que poderiam passar batidos. O triste é que é uma história muito intrigante, mas quase tudo pode passar batido, pois o jogo faz questão de deixar tudo escondido. Você pode acabar deixando de lado muitas partes bacanas e importantes do enredo - inclusive qual seu objetivo nesse mundo de terror e aflição.

Nota: 8 (Ótimo)

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