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Surgeon Simulator 2 me fez arrancar cabeças e dar boas gargalhadas

Tá liberado serrar pernas, encaçapar globos oculares e até mandar aquela cesta de três pontos com cérebros - Reprodução
Tá liberado serrar pernas, encaçapar globos oculares e até mandar aquela cesta de três pontos com cérebros
Imagem: Reprodução

Bruno Araujo

Colaboração para o START

13/06/2020 17h00

Resumo da notícia

  • Game da Bossa Studios chega em agosto aos PCs, mas antes terá uma fase de "closed beta"
  • Jogador poderá criar suas próprias fases, além de curtir multiplayer para 4 pessoas
  • Cirurgias absurdas ainda são a melhor parte, agora com elementos de "puzzle"

Adentrei a sala de cirurgia e logo avistei o paciente enquanto a equipe de assistentes explicava o que estava por vir. Bob, com o tórax escancarado, mas feição constantemente impávida, aguardava seu transplante de rins. O procedimento ainda não havia começado e pensei: por que não?

O que custa tentar, senhores? Cheguei mais perto e segurei sua cabeça. E em nome da medicina, puxei. O cocoruto teimou, mas saiu em minhas mãos, com direito àquele barulhinho de abrir pote de palmito, sabe, aquele PLOC satisfatório. Só para em seguida eu repousá-lo sobre a própria caixa torácica de Bob, o corajoso e incansável Bob, como uma coroa que retorna à sua almofadinha após mais um dia de reinado.

Foi um pouco Hannibal? Talvez. Mas foi divertido? Sempre. É que uma das melhores sensações num jogo é tentar fazer algo estapafúrdio, absolutamente improvável, e aquilo acontecer.

E surpresa é a tônica de Surgeon Simulator 2, que o START testou em um preview exclusivo.

Um médico muito louco

Com um novo modo multiplayer para 4 jogadores, um criador de fases e uma atenção especial a quebra-cabeças, o game inédito da Bossa Studios, dev britânica fundada, na verdade, por brasileiros, promove uma reimaginação completa do que significa ser um simulador (inconsequente, mas totalmente hilário) de cirurgias.

Surgeon Simulator 2 Maca - Divulgação/BossaStudios - Divulgação/BossaStudios
Imagem: Divulgação/BossaStudios

É como se Surgeon Simulator 2 tivesse participado de um congresso com Shigeru Miyamoto e Rube Goldberg, o engenheiro que construía máquinas extremamente complexas para realizar tarefas simples. E saísse de lá abastecido com ideias de Super Mario Maker e The Incredible Machine, clássico do Windows que possibilita construir engenhocas terrivelmente sofisticadas apenas para acionar uma rodinha de Hamster.

Quem jogou o primeiro Surgeon Simulator sabe que o grande desafio é dominar sua física selvagem e quase imprevisível para executar procedimentos milimétricos, como uma cirurgia oftalmológica ou uma operação basiquinha no cérebro

Entre bisturis e bongôs

Surgeon Simulator 2 Instrumentos - Divulgação/BossaStudios - Divulgação/BossaStudios
Imagem: Divulgação/BossaStudios

Quem jogou o primeiro Surgeon Simulator sabe que o grande desafio é dominar sua física selvagem e quase imprevisível para executar procedimentos milimétricos, como uma cirurgia oftalmológica ou uma operação basiquinha no cérebro. Nessa sequência, no entanto, entrar na faca é tão somente a etapa final (e bem menos complicada) de uma série de trapalhadas que vai além do bom, velho e sofrido Bob.

Até porque Surgeon Simulator 2 não acontece só na sala de cirurgia ou dentro de uma ambulância. Depois de me encontrar num lobby com o pessoal da Bossa que iria me guiar pela demo, andei livremente por um hospital art déco com um toque de escritório, como num jogo em 1ª pessoa convencional, para aprender o básico dos controles.

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E tudo está mais simples. Agora, em vez de apertar um botão para mexer cada dedo, a mão inteira se move com um único comando de agarrar. Também dá para girar o braço e ir com ele pra frente ou pra trás. É assim que você interage com os objetos que vê pela frente, como cadeiras, garrafas e... pulmões.

Alguns estão ali pela piada, como bongôs 100% tocáveis, enquanto outros são parte da solução de puzzles, que surgem como o principal objetivo do jogo. Isso fica evidente logo no primeiro paciente de verdade, que precisa passar por um transplante sem que haja um órgão por perto.

Tudo está mais simples. Agora, em vez de apertar um botão para mexer cada dedo, a mão inteira se move com um único comando de agarrar

Surgeon Simulator 2 Arsenal - Divulgação/BossaStudios - Divulgação/BossaStudios
Tem de tudo aqui, bicho..
Imagem: Divulgação/BossaStudios

A operação é só uma desculpa para explorar o cenário e aplicar a física destrambelhada de Surgeon Simulator, sozinho ou com outros jogadores, para resolver novas situações. Nesse caso, o coração que eu precisava devia ser coletado em uma máquina à la empresa ACME dentro de uma sala trancada.

Para abrir a porta, era preciso colocar o coração velho numa gaveta. E na outra uma fita VHS, que já havia servido de chave antes e estava escondida no andar de cima da sala de cirurgia. Com o novo órgão em mãos, o transplante em si foi moleza —é meio que só jogar lá dentro do paciente e já era.

Surgeon Simulator 2 Arsenal - Divulgação/BossaStudio - Divulgação/BossaStudio
"De boa aqui sendo operado.."
Imagem: Divulgação/BossaStudio

Mas as coisas não estão necessariamente mais fáceis. É que todo o gameplay do primeiro jogo, concentrado nos cortes precisos para remover o osso esterno e os intestinos (grosso E delgado!), agora foi diluído nessas novas interações. E essa decisão de design se reflete no visual do jogo. SS2 se distancia da fidelidade anatômica do primeiro e parte para um estilo mais caricato, com aparência de brinquedo mesmo, como se órgãos e instrumentos fossem peças de um jogo ou de uma daquelas maletinhas de médico para crianças.

Por isso, não se engane. Surgeon Simulator 2 ainda quer ver você agonizando para realizar as ações mais básicas, como recolher um serrote que, diabolicamente, escapuliu da sua mão enquanto você fatiava a perna podre de Bob. É a cena do Leonardo DiCaprio se rastejando para fora da Lamborghini all over again.

Surgeon Simulator 2 ainda quer ver você agonizando para realizar as ações mais básicas, como recolher um serrote que, diabolicamente, escapuliu da sua mão enquanto você fatiava a perna podre de Bob

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Surgeon Simulator 2

Medicinecraft? Super Doctor Maker?

Surgeon Simulator 2 Thumb  - Divulgação/BossaStudios - Divulgação/BossaStudios
"Deixa eu só mandar aquela sarrada no ar antes de deitar-lhe o bisturi"
Imagem: Divulgação/BossaStudios

Nate Gallardo, game designer sênior na Bossa Studios, comenta com o START essas mudanças surpreendentes em Surgeon Simulator 2.

"A ideia sempre foi fazer algo fiel ao primeiro jogo. Mas quando começamos a experimentar, percebemos que quando você tem uma perspectiva e um mundo como esse, você quer interagir com tudo. Não existem muitos jogos assim, é algo único de Surgeon Simulator", diz.

"Então ao invés de deixarmos tudo dentro do Bob, levamos essa interação para o mundo. O que esse jogo merecia era algo que trouxesse essas mecânicas para fora da mesa de cirurgia".

O criador de fases e o modo multiplayer de Surgeon Simulator 2 também fazem parte dessa nova apropriação do mundo do jogo. Gallardo frisa que as fases de SS2 foram criadas com as ferramentas que serão disponibilizadas aos jogadores e que será possível construir em tempo real com seus amigos.

"Muitas pessoas que têm testado Surgeon Simulator 2 internamente estão construindo fases parecidas com o primeiro jogo. Muitas outras, no entanto, têm criado mapas de exploração, calculadoras, fases musicais", conta Marc Pick, produtor sênior na Bossa Studios.

Então ao invés de deixarmos tudo dentro do Bob, levamos essa interação para o mundo. O que esse jogo merecia era algo que trouxesse essas mecânicas para fora da mesa de cirurgia
Nate Gallardo, game designer sênior na Bossa Studios

"E o objetivo é que não se pareça com uma ferramenta. Até por isso todas as informações do jogo estão no mundo, e não em interfaces. A ideia é que você faça suas fases, seus próprios jogos, e se sinta um game designer. Eu não sou um game designer e uma sexta-feira dessas criei um modo Capture a Bandeira de órgãos", brinca Pink.

"Queremos que os jogadores se expressem. Não estamos impondo nada", completa Gallardo.

Essa expressão individual em SS2 também passa por outros elementos. Primeiro, você pode personalizar a aparência do seu personagem. E eu fiz questão de manter meu médico de coturno, calça jeans, jaqueta de couro, óculos de grau e um baita topete —um autêntico Rick Moranis punk.

E segundo, suas mãos extremamente habilidosas podem ser usadas também para fazer gestos, que vão de chifrinhos rock and roll a sinal de paz e amor e até um estalar de dedos (o meu favorito).

O hospital de Goldberg

Surgeon Simulator 2 Necrosado - Dviulgação/BossaStudios - Dviulgação/BossaStudios
Veja o que o jogo trouxe de diferente da primeira edição
Imagem: Dviulgação/BossaStudios

Essa amplitude de novas ideias deixa o primeiro Surgeon Simulator, apesar de original, engraçado e um sucesso comercial e de memes, com cara de limitado diante de todas as possibilidades.

Alguns podem dizer que a sequência perdeu um pouco da essência ao abraçar essa cultura maker e de craft, mas gosto da ideia. Sempre ri com o primeiro SS, mas a dificuldade solitária diante da minha falta de coordenação motora também me deixava agoniado.

Se antes o jogo era uma única mão desengonçada tentando operar instrumentos médicos —e quase sempre falhando miseravelmente— agora essa vergonha é compartilhada e rende boas risadas em grupo. Por mim, tudo bem.

E nos tempos em que vivemos, é impossível não relacionar tudo que é consumido com a pandemia e o isolamento social. Nesse contexto, Surgeon Simulator 2 tem um efeito catártico ao permitir que sejamos completamente irresponsáveis com questões sanitárias, manuseando órgãos como se fossem melões, derrubando-os no chão, e colocando-os de volta em seu lugar sem precisar nem pensar em álcool em gel.

Quando o teste terminou, depois de dar boas risadas arrancando cabeças, serrando pernas e trabalhando desordenadamente em equipe, fiquei muito curioso em chamar alguns amigos, rodar Surgeon Simulator 2 e ver que tipo de engenhocas de Goldberg a comunidade do jogo é capaz de construir.

Surgeon Simulator 2 será lançado em agosto de 2020 para PCs, com direito a uma fase de "closed beta" (em breve) para quem comprar na pré-venda da Epic Store. O game será lançado em português, em duas versões: Standard (R$ 47,99) e Deluxe (R$ 75,99).

Se antes o jogo era uma única mão desengonçada tentando operar instrumentos médicos —e quase sempre falhando miseravelmente— agora essa vergonha é compartilhada e rende boas risadas em grupo

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