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OPINIÃO

Bleeding Edge mal nasceu e já precisa decidir o que vai ser quando crescer

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Daniel Esdras

Do GameHall

08/04/2020 04h00

A primeira coisa que pensamos ao olhar Bleeding Edge é compará-lo logo a Overwatch, jogo de tiro em equipes da Blizzard. Na verdade, o novo jogo da Ninja Theory (Hellblade: Senua's Sacrifice) se encaixa mais no nicho dos"Brawlers" de arena, que tentam reduzir o escopo dos MOBAs e focam apenas no combate.

Bleeding Edge tenta buscar esse espaço ocioso e aposta na forma como pensou seus modos de jogo para revolucionar o gênero, mas com um lançamento cru e algumas decisões no mínimo contestáveis, vai ser mais um jogo no formato de serviço que vai precisar de tempo para mostrar o seu potencial.

Beleza que salta aos olhos

A Ninja Theory, especialmente na parte técnica dos seus jogos, sempre foi um estúdio que fez muito com pouco. Com um número reduzido de funcionários, entregaram animações e gráficos impressionantes no recente Hellblade, por exemplo. Com Bleeding Edge, embora a escolha tenha sido por uma arte mais estilizada, as animações e o polimento gráfico impressionam.

Alguns personagens têm detalhes que beiram o desnecessário. Os ataques e magias de todos eles também seguem esse detalhamento e mostram que a parte gráfica é realmente uma das virtudes da Ninja Theory.

Os cenários dos mapas presentes no jogo também são, assim como os personagens, bem diversos e detalhados. Há fases mais aéreas, que exigem que os jogadores saltem por rampas para atravessar penhascos, enquanto outras contam com trens que passam no meio da ação e podem atropelar os times durante o combate.

Tudo é bem executado e bonito, agregando bastante ao conteúdo, que é escasso, e dando a sensação de que, ao menos nessa parte, o jogo é muito competente.

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O que quero ser quando crescer?

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Os acertos na parte técnica, porém, tiveram o seu custo e comprometeram seriamente o conteúdo. No momento, Bleeding Edge conta com apenas dois modos de jogo, sendo que ambos são no máximo básicos, sem nada que chame muita atenção.

Tal qual no beta que rolou antes do lançamento, após algumas horas de jogo você já está saturado, não há nada mais para descobrir e não existe mais a vontade de voltar no dia seguinte.

Para piorar a situação, o conteúdo cosmético também é pobre. As skins de personagem disponíveis no momento só alteram a cor das roupas já existentes, o que nem de longe incentiva encarar dezenas de partidas para juntar o necessário para comprá-las. Tirar dinheiro da carteira então, nem pensar.

Em Bleeding Edge a sensação é de um jogo que definiu bem o que quer ser quando crescer, mas ainda não passou do ensino fundamental

Não há também um modo de partidas ranqueadas, algum tipo de nível de jogador ou algo que te incentive a melhorar para jogar contra times mais habilidosos.

Para servir de comparação, os últimos dois sucessos nos jogos como serviço, Apex Legends e Call of Duty: Warzone, vieram recheados de conteúdo e incentivam demais o jogador a continuar batalhando pelos recursos que o jogo oferece.

Em Bleeding Edge a sensação é de um jogo que definiu bem o que quer ser quando crescer, mas ainda não passou do ensino fundamental. Falta muito conteúdo para alcançar os títulos que chamam a atenção dos jogadores no universo dos multiplayers.

Jogabilidade divertida, mas com problemas de design

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O jogo permite que você alterne o que eles chamam de Mods, que são modificações para os lutadores que alteram de alguma forma a sua habilidade. Esses Mods não estão disponíveis de imediato, é preciso ganhar partidas para liberá-los.

Essa decisão por si só já é ruim, mas fica ainda pior quando você não ganha o Mod do personagem com quem você está jogando, mas um aleatório.

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É comum que os jogadores escolham um personagem preferido para melhorar com o tempo, o chamado "main", e queiram coletar os seus Mods, mas o jogo vai simplesmente dar o Mod de algum personagem aleatório. Isso incentiva a jogar com outros personagens? Não sei, mas me pareceu que não, já que os Mods alteram de forma bem tímida as habilidades, como um aumento de duração aqui ou de dano ali.

Eu preferiria que existisse a possibilidade de escolher habilidades diferentes, como eles fazem com os ultimates. Ou que pelo menos as alterações no personagem fossem bem mais incisivas, criando algo único para o meu estilo de jogo.

Pelo menos na hora em que a pancadaria começa, o jogo brilha. O combate é realmente dinâmico e rápido. A maioria dos personagens conta com habilidades de movimentação para fazer fugas e entradas em momentos críticos. Há várias sub funções dentro dos três arquétipos padrões: tanker, suporte e dano.

Combinações de times podem criar alguns momentos mágicos. Como há pouca variação na construção do personagem antes do jogo e dentro dele não há o que melhorar durante a partida, como os níveis em um Moba, mesmo o combate acaba cansando.

Problemas típicos de lançamento

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Além da quantidade escassa de conteúdo e design confuso, o jogo ainda conta com problemas clássicos de lançamento. Nos primeiros dois dias as desconexões e lag eram um problema constante. A impressão é que, por vezes, o jogo te manda para servidores estrangeiros, o que causa lags sofríveis.

Como foi implementado um sistema que bane da partida os jogadores com instabilidade de conexão, essa soma gera desconexões em massa. Para piorar, após ser desconectado de mais de um jogo no meio da partida, você recebe uma penalidade que não te permite procurar partidas por um determinado tempo.

Durante o primeiro dia, o tempo na fila para encontrar uma nova partida não era longo. Jogando sozinho, no máximo 40 segundos, em grupos um pouco mais. No segundo dia esse tempo já aumentou bastante, em alguns casos chegando a dois minutos.

Com os problemas do jogo, a tendência é que no curto prazo o número de jogadores diminua, o que vai causar ainda mais demora e afastar novos jogadores, um problema enorme para a Ninja Theory lidar.

Com tanta coisa para ser resolvida, fica claro que o jogo precisava de mais tempo para desenvolver seus conteúdos e refinar as ideias. Como todo jogo como serviço, o trabalho da Ninja Theory só está começando e o que desenvolver de agora para frente vai decretar o sucesso ou o fracasso do título. O fato é que, da forma como está hoje, Bleeding Edge não é algo para se gastar tempo em um ano com tantas opções melhores.

Bleeding Edge é um Arena Brawler que tenta tomar um espaço inocupado na indústria, mas falha em muitas frentes para alcançar um lugar ao sol. O gráfico estilizado e as animações detalhadas chamam a atenção positivamente.

Já o conteúdo muito escasso (apenas dois modos de jogo), poucos personagens e os vários problemas de design devem fazer o jogo ser ignorado neste primeiro momento. Até mesmo pelos jogadores do Xbox Game Pass, que possuem opções bem melhores em um ano tão bom para os games.

Bleeding Edge - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução
Lançamento: 10/04/2020
Plataformas: PC e Xbox One
Preço sugerido: R$ 129 (disponível também no Xbox Game Pass)
Classificação indicativa: 12 anos (violência)
Desenvolvimento: Ninja Theory
Publicação: Xbox Game Studios
Jogue também: Overwatch, Apex Legends, Paladins

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