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De boa na lagoa: Animal Crossing New Horizons é vacina contra estresse

Faça amigos, visite outras ilhas, ganhe e dê presentes: Animal Crossing mostra que o mundo pode ser bom - Divulgação
Faça amigos, visite outras ilhas, ganhe e dê presentes: Animal Crossing mostra que o mundo pode ser bom
Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

03/04/2020 04h00

Minha experiência com Animal Crossing foi a mais pura possível. Essa é uma das poucas franquias mainstream de que eu tinha absolutamente zero conhecimento anterior. Minha curiosidade aumentava à medida que os memes que colocavam a Isabelle (uma das personagens do jogo) com o Doom Slayer, protagonista de Doom Eternal, lançado no mesmo dia, bombavam na minha timeline.

Então, depois de muito tempo desde o lançamento do primeiro jogo da série, caí de paraquedas em Animal Crossing: New Horizons, minha primeira experiência com a franquia.

Quando eu digo que não tinha nenhum contato, era literalmente nenhum. Até eu começar, de fato, o Animal Crossing no Nintendo Switch, não sabia sequer que o tempo do jogo era vinculado ao tempo real. Fosse um jogo convencional, eu precisaria me adaptar rápido a todas as suas novidades, mas longe de ser uma corrida de 100 metros rasos. Animal Crossing está muito mais para uma maratona. Entre altos e baixos, tive uma das experiências mais interessantes do ano até agora e com certeza voltarei para a minha ilha diariamente nas próximas semanas.

Um pedacinho de terra para chamar de seu

Os primeiros passos do jogo são bem convencionais. Tanto que, a princípio, pensei que teria uma experiência parecida com Stardew Valley, talvez Dragon Quest Builders ou algum dos outros jogos neste estilo em que gastei algumas centenas de horas.

O primeiro contato do meu personagem foi com Timmy e Tommy, dois roedores adolescentes que lembram guaxinins e são os responsáveis por me levar para uma ilha deserta onde objetivo é iniciar uma nova vida repleta de liberdade e aventuras. A criação de personagens é bem simples e você só vai realmente se transformar no que quer durante a jornada, quando novos cortes de cabelo e dezenas, ou até centenas, de roupas são liberadas.

Antes de zarpar, eles pedem para o jogador escolher o formato da ilha. Esse ponto é importante, pois define o quanto você vai precisar de certos equipamentos para navegar de um lado para o outro enquanto pontes e escadas não são feitas.

Tudo pronto e voo feito para o prometido paraíso. Agora quem aparece para me dar as boas vindas é o megaempreendedor Tom Nook, outro guaxinim, esse maior e mais gordinho. Foi ele quem idealizou todo o projeto de povoamento da ilha e conta com a gente para transformá-la em um local agradável e repleto de vida.

Como assim eu não tenho mais o que fazer hoje? O jogo está me mandando dormir? Mas eu quero jogar mais!

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Imagem: Reprodução

Como nada é de graça, ele já avisa logo que há uma taxa a ser paga para morar ali, mas que pode ser zerada em outra moeda. Chamada de Nook Points, ela é conseguida ao completar marcos na ilha, seja pescando, melhorando a sua casa ou conversando com outros moradores. Aliás, dois desses vizinhos, NPCs, pousaram na ilha comigo com as mesmas esperanças.

Escolhi o nome da ilha, o lugar onde colocar a minha barraca, ajudei meus vizinhos a escolherem o local deles e aprendi as primeiras receitas de equipamentos com o Tom Nook.

Pouco mais de duas horas depois e eu tinha experimentado de tudo um pouco naquele primeiro dia. Pesquei alguns peixes, entreguei insetos, comprei uma melhoria para o meu inventário e vendi alguns itens. Quando voltei para o Tom Nook com as mãos abanando por mais, ele já não tinha o que recomendar, era hora de esperar o tempo passar. Somente no dia seguinte um novo morador da ilha começaria um trabalho de catalogação dos animais para um futuro museu. Eu estava livre para fazer o que quiser, inclusive fechar o jogo.

Esse foi o momento que entrei em choque pela primeira vez. Como assim eu não tenho mais o que fazer hoje? O jogo está me mandando dormir? Mas eu quero jogar mais! Era só o início do processo de descoberta do que você leu na introdução: Animal Crossing se trata de uma maratona e não de uma corrida de velocidade.

Dia a dia, pouco a pouco

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Animal Crossing não pode ser comparado com os outros jogos de criação de uma fazenda ou desenvolvimento de um local ou empreendimento. Nestes outros jogos o foco é desenvolver o local de forma produtiva, com o mínimo possível de erro no uso de recursos e foco no próximo objetivo. Animal Crossing é sobre descobertas e criar o ambiente que você acha legal para passar alguns bons momentos todos os dias.

Ao cortar uma árvore para conseguir madeira, você deixa o toco exposto. A princípio eu não fazia ideia que era possível utilizar uma pá para retirá-lo do chão, mas a maior descoberta foi a de que ele serve para atrair alguns insetos diferentes. Animal Crossing é exatamente isso, um ambiente repleto de segredos para você descobrir por conta própria e com o tempo.

Nos primeiros dias eu cheguei a cair no erro de acelerar o tempo pelo menu do console, mas isso destrói a proposta do jogo e faz o loop não funcionar. Como todos os dias você tem algumas tarefas repetidas a fazer, em sequência direta elas tornam o jogo cansativo. É preciso ir aos poucos, com algumas horas por dia de jogatina, escape para o seu lugar do sonhos e então faça outra coisa, espere?

Um mar de descobertas

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Com o passar do tempo e a chegada de novos moradores, o número de coisas que você pode fazer aumenta exponencialmente. As receitas chamadas "DIY", que significa "faça você mesmo", são conseguidas aos montes. Garrafas na praia garantem receitas, presentes que passam voando e podem ser derrubados com estilingues também. Conversar com os vizinhos, visitar ilhas misteriosas ou gastar o seu suado dinheiro em lojas rendem ainda mais delas.

Mais do que nunca, a criatividade se torna o motor da aventura. Se não há um objetivo fixo para alcançar, você pode, como eu, gastar horas somente arrumando a sua casa e criando melhores caminhos para acessar toda a ilha, seja em busca de suprimentos ou para alcançar as novas casas dos vizinhos.

O museu se torna grandioso e começa a contar com fósseis de animais pré-históricos. Os insetos que você capturou são colocados em seus habitats naturais na forma de coleção. O mesmo para os peixes, que agora ficam em aquários enormes e repletos de lugares legais para se tirar umas fotos. Se você quiser, é possível saber mais sobre cada um deles, com informações reais e muito didáticas. Não fosse pela obrigação do inglês, que limita um pouco o público, seria ótimo para crianças que adoram ciências.

Ao visitar a ilha em diferentes dias e horários, você acaba descobrindo ainda mais segredos. No meio da madrugada, um fantasma medroso fornece a missão de recapturar parte do seu ectoplasma em troca de uma recompensa especial. Aos sábados é possível comprar roupas exclusivas na praça da cidade com uma designer que lembra o bom e velho Sonic. Durante a semana, o Sahara, um entre dezenas de personagens que passam pela sua ilha, pode passar vendendo mercadorias únicas também. Em praticamente todos os dias que entro para dar uma melhorada na minha ilha, acabo descobrindo algo novo e que me motiva a continuar e voltar no dia seguinte.

Achou pouco? Por volta do quinto dia ainda rola a construção da loja oficial da ilha. Nela são expostos itens novos diariamente, além de sementes para flores, equipamentos diversos e muito mais no armário de vendas. Há sempre um item do dia, que pode ser vendido pelo dobro do preço normal e que se você for esperto, vai fazer render uma grana essencial para fazer as outras melhorias do local.

Enfim, o jogo não para de entregar e você, se tiver a paciência para jogar da forma pensada pelos desenvolvedores, vai ter conteúdo por meses a fio.

Animal Crossing: New Horizons

Com os amigos é ainda melhor!

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Um dos maiores baratos do Animal Crossing: New Horizons é visitar a ilha dos amigos. Além de te abrir a cabeça para novas possibilidades no uso dos itens, vocês podem fazer diversas descobertas juntos e capturar insetos e peixes diferentes. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a possibilidade do multiplayer local.

Um segundo jogador pode criar um personagem para jogar com você, morando na mesma ilha, com uma casa própria e tudo mais. Essa decisão pegou alguns de surpresa, já que não é possível ter duas ilhas no mesmo Switch. Se por um lado deixa o segundo jogador meio chateado, por outro vocês podem trabalhar juntos pelo desenvolvimento da ilha.

Joguei praticamente todo o jogo ao lado da minha esposa e a diversão foi infinitamente maior que jogar sozinho. Você vai precisar ficar trocando o líder do grupo a todo momento para acessar o inventário correto e conseguir definir quem vai fazer o que, mas é um empecilho pequeno frente ao tamanho da diversão que você terá.

Independente da forma como você escolher jogar, o certo é que há sempre espaço para mais alguém na sua ilha e quanto mais amigos você trazer para experimentar descobertas do Animal Crossing, melhor.

Resumo

Animal Crossing New Horizons não é uma corrida de cem metros, mas uma maratona. Dia a dia e pouco a pouco, você vai construindo o local perfeito para escapar da rotina do mundo real. Sua ilha vai ter sempre uma novidade te esperando e personagens graciosos para interagir.

Com centenas de itens para fazer coisas para encontrar, a diversão é garantida e fica ainda maior com amigos, seja no modo online ou local. Em tempos de quarentena, é definitivamente o jogo que precisávamos.

Divulgação
Imagem: Divulgação
Lançamento: 20/03/2020
Plataformas: Nintendo Switch
Preço sugerido: R$ 250,79
Classificação indicativa: Livre
Desenvolvimento: Nintendo
Publicação: Nintendo
Jogue também: Stardew Valley, Harvest Moon, My Time at Portia

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