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Pandemia e hecatombe zumbi: O remake de Resident Evil 3 chega na hora certa

Nemesis em chamas e Jill Valentine com uma escopeta: o que você faria?  - Divulgação
Nemesis em chamas e Jill Valentine com uma escopeta: o que você faria?
Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

30/03/2020 12h00

Resumo da notícia

  • Lançamento revitaliza as tecnologias e a narrativa do clássico game de terror de 1999
  • Prepare-se para momentos de tensão no controle de Jill Valentine, a heroína que luta contra uma horda de zumbis
  • O cenário é Raccoon City, que ganhou ainda mais detalhes e situações desesperadoras
  • O vilão Nemesis é um show à parte: implacável, ele persegue o jogador quebrando paredes e usando lança-chamas

No começo do ano passado, o remake de Resident Evil 2 caiu como uma bomba. Revigorou por completo os fundamentos deixados pelo criador da franquia, Shinji Mikami, num longínquo 2005 com Resident Evil 4, recriou cenários icônicos, como a delegacia de Raccoon City, e reintroduziu personagens simbólicos, como Leon e Claire, a toda uma nova geração. O triunfo foi total. Ou quase.

Agora, pouco mais de um ano depois, algo semelhante é sugerido a Resident Evil 3, mesmo sem o Nemesis no título. Já foram vinte anos do confronto heroico de Jill Valentine não só com a aberração biológica, mas também com a megacorporação Umbrella, dona de Raccoon City. "Se ao menos eles tivessem coragem para lutar", diz a ex-S.T.A.R.S. em seu impactante monólogo no início do jogo original.

Mas como ficou essa reimaginação, essa revisitação, esse remake?

A maior pandemia já vista

É importante contextualizar, assim como lembrar é viver: em 1999, o mercado multimidiático e de entretenimento estava em polvorosa —teria sido o bug do milênio o responsável pela explosão criativa da época? Resident Evil já era um fenômeno de vendas e a Capcom procurava tirar o máximo de proveito possível do momento. Yoshiki Okamoto, o então produtor responsável pela franquia, gerenciava diversos projetos: Resident Evil 0 para Nintendo 64, um tal novo capítulo numerado na Europa, uma nova visão em primeira pessoa a série e uma ideia menor, mais experimental e até indie.

O que viria a ser Resident Evil 3: Nemesis, nasceu como um jogo de sobrevivência na cidade sitiada, com total inspiração no seminal filme A Noite dos Mortos-Vivos, de 1968. Razões contratuais trouxeram a heroína do primeiro jogo, Jill Valentine, para os holofotes, com storyline bem definido: dar fim ao arco em Raccoon City.

A "maior pandemia já vista" é o ponto de partida do jogo: cidade em chamas, zumbis se arrastando pelas ruas - Reprodução
A "maior pandemia já vista" é o ponto de partida do jogo: cidade em chamas, zumbis se arrastando pelas ruas
Imagem: Reprodução

O novo Resident Evil 3 acerta em cheio ao fazer de Raccoon City sua maior fonte de inspiração. Graças ao poderio técnico da RE Engine, é possível mergulhar em um nível de detalhamento quase sem precedentes. Fãs do original encontrarão uma infinidade de minúcias, sempre ladeando novidades muitíssimo bem-vindas na antes pacífica cidade. Estamos no coração da hecatombe zumbi e "a pandemia se espalhou mais rápido que qualquer outra na história moderna...", como noticia desesperadamente a repórter no início do jogo. Qualquer relação com a realidade não é mera coincidência?

O prólogo de Resident Evil 3 já figura entre os grandes momentos da franquia. Há surpresas o suficiente para entusiasmar até aos mais criteriosos, e a forma como o roteiro nos reapresenta à icônica Jill Valentine, sem dúvida uma das personagens mais populares dos videogames, é nada além de memorável. Mais acertada ainda é a decisão de trazer Nemesis, a monstruosidade da Umbrella cujo único objetivo é exterminar os dois membros restantes da já desmantelada unidade especial S.T.A.R.S., logo cedo na aventura. O tom irrecuperável é dado, assim como o produtor Masachika Kawata havia apontado: há mais ação dessa vez, mas isso não significa que o terror seja tolhido por consequência. Afinal, a tensão é algo inerente a quase toda jornada de Jill nessa espiralada infernal de mãos dadas a cidade-cobaia da Umbrella.

O novo Resident Evil 3 acerta em cheio ao fazer de Raccoon City sua maior fonte de inspiração. Graças ao poderio técnico da RE Engine, é possível mergulhar em um nível de detalhamento quase sem precedentes

Parasitas e tiranos

Nessa fuga descontrolada, você usa fintas úteis para lidar com a mortualha trôpega, e é um alívio ver como o comando do jogo original funciona tão bem quanto o botão dedicado a isso. Há inevitáveis interações com objetos de cenário, como barris de combustível, baterias energizantes e geradores distribuindo choques.

Jill, totalmente consciente dos reais responsáveis pelos catastróficos eventos desencadeados em Raccoon City, se depara com membros da U.B.C.S., uma espécie de unidade especial da Umbrella designada para conter a situação e salvar civis. São mercenários cujo intento designa-se aos espólios e nada mais. Ou estaríamos todos enganados?

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A participação do Cabo Carlos Oliveira, subalterno tanto do Capitão Mikhail Victor quanto do Sargento Nicholai Ginovaef, é um tanto mais acentuada, até ríspida. Carlos figura em momentos icônicos do jogo original e também deste, tornando-se ainda mais reconhecível e marcante desta vez. A figura nefasta de Nikolai paira em cada ação inescrupulosa confrontada por Jill, mas há algo ali que coloca todos no mesmo vagão de um trem desgovernado: Nemesis. Dentre as criaturas mais icônicas dentro e fora de seu ambiente de origem, o Tyrant em simbiose com o parasita NE-alfa trouxe, há mais de 20 anos, vida nova ao conceito de "protagonista indefeso". Jill é capaz de confrontá-lo, mesmo em meio ao seu terror bastante particular, mas a criatura sempre retorna, e ainda mais sedenta por extermínio, sendo o grande responsável pela tensão constante no jogo.

Estamos no coração da hecatombe zumbi e 'a pandemia se espalhou mais rápido que qualquer outra na história moderna...', como noticia desesperadamente a repórter no início do jogo. Qualquer relação com a realidade não é mera coincidência?

O nível de detalhes na cidade é impressionante e resgata minúcias do jogo original - Reprodução
O nível de detalhes na cidade é impressionante e resgata minúcias do jogo original
Imagem: Reprodução

Nemesis é antagonista de momentos completamente envoltos em incerteza, surgindo do alto de um prédio ou de trás de uma parede de concreto armado, aterrorizando não só Jill, mas seja lá qual criatura disforme estiver pelo seu caminho. Já em outros, bem menos eficientes, porém megalomaníacos e espalhafatosos, quando faz uso de seu arsenal próprio para conduzir sequências das mais roteirizadas, de certo a resgatar momentos nada inspirados de jogos como Resident Evil 6, por exemplo.

Enquanto Resident Evil 3 acerta em pegar emprestado virtualmente tudo aquilo que pudemos assimilar da reimaginação de Resident Evil 2, da precisa perspectiva da câmera ao decepcionante menu que breca a tensão, da pólvora tática para conduzir o seu próprio tipo de armamento a pochetes que expandem o inventário, sempre necessitado de espaço, do baú de armazenamento até as seguras salas de salvamento, com máquinas de escrever e a remixagem da clássica composição de Masami Ueda, erra ao ignorar icônicas mecânicas do título original, como as Live Selections ou a aleatoriedade de certos eventos, assim como da omissão de cenários inteiros e seus quebra-cabeças, antes interessantes e instigantes, agora quase inexistentes.

Há mais ação dessa vez, mas isso não significa que o terror seja tolhido por consequência. Afinal, a tensão é algo inerente a quase toda jornada de Jill nessa espiralada infernal de mãos dadas a cidade-cobaia da Umbrella.

Jill e Carlos criam uma aliança conturbada, e cheia de provocações. Afinal, ele trabalha para o inimigo - Reprodução
Jill e Carlos criam uma aliança conturbada, e cheia de provocações. Afinal, ele trabalha para o inimigo
Imagem: Reprodução

O fim de uma era

Assim como o jogo de 1999, a nova versão de Resident Evil 3 representa o fechamento de um arco, o da cidade tomada por ganância, por políticos e cientistas inescrupulosos, e pelo total conformismo da população, comprado com comodismo e espelhinhos mágicos. Não foi o vírus o que obliterou Raccoon City da história, e Jill sabe bem disso.

Nemesis: mais de 2 metros de pura bestialidade  - Reprodução
Nemesis: mais de 2 metros de pura bestialidade
Imagem: Reprodução

Resident Evil 3 e o monstro que já lhe serviu de subtítulo concluem uma fase muito inspirada e determinada na franquia de aberrações biológicas da Capcom. Sem o experimentalismo do sétimo capítulo, mas com as certezas, por fim, encontradas e devidamente assimiladas na quintessencial reimaginação da chegada de Leon e Claire a cidade, Resident Evil 3 representa o fim da era de um de seus personagens mais marcantes: Raccoon City. E a Capcom segue firme em seu melhor momento em anos.

Assim como um cadáver recém-despertado, há um novo mundo de possibilidades para ser explorado em Resident Evil com tal perspectiva, mas com a certeza do respeito por tudo aquilo que foi vivido até esse decisivo ponto onde não há retorno.

Divulgação
Imagem: Divulgação
Lançamento: 03/04/2020*
Plataformas: Xbox One, PS4, PC (via Steam)
Preço sugerido: R$ 129,99 (PC), R$ 249 (consoles, versão digital), R$ 279,90 (consoles, versão física)
Classificação indicativa: 16 anos (Violência Extrema, Linguagem Imprópria)
Desenvolvimento: Capcom
Publicação: Capcom
Jogue também: Resident Evil 2, Dead Space, The Evil Within
*O modo multiplayer Resident Evil Resistance faz parte da experiência de Resident Evil 3 e será discutido em breve aqui no START!

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