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Times brasileiros brilham em clubes estrangeiros no Rainbow Six; conheça

Equipe de Rainbow Six da Team Liquid, uma das principais do cenário mundial - Divulgação/ESL
Equipe de Rainbow Six da Team Liquid, uma das principais do cenário mundial Imagem: Divulgação/ESL

Gabriel Oliveira

Colaboração ao START

20/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Brasileiros já conquistaram diversos títulos no exterior
  • Desempenho sem igual, paixão e custo-benefício na contratação é o diferencial para clubes estrangeiros
  • Com melhores salários e condições, brasileiros tem mais motivação para representar o país lá fora

O Brasil está em alta no Rainbow Six Siege, o First-Person Shooter (FPS) da Ubisoft. Quatro clubes estrangeiros de ponta contam com equipes brasileiras na modalidade e se destacam nas competições nacionais e internacionais. Na mais recente conquista no exterior, a Ninjas in Pyjamas (NiP) ficou com o vice do Six Invitational 2020, no Canadá.

Além da NiP, baseada na Suécia, as norte-americanas FaZe Clan e Made in Brazil (MiBR) e a holandesa Team Liquid são as outras organizações estrangeiras que investem em pro-players brasileiros no Rainbow Six.

Elas começaram a entrar no cenário nacional em janeiro de 2018. Foi quando Liquid e FaZe contrataram os elencos de MOPA TEAM e Team Fontt, respectivamente. Depois, em junho daquele ano, vieram Immortals (que se transformaria na MiBR) e NiP.

Faz, portanto, pouco mais de dois anos que os clubes internacionais encontraram, no Brasil, bons jogadores para competir no Rainbow Six. Por tabela, investiram também em comissão técnica, equipe administrativa, analistas de mídias sociais, entre outros profissionais daqui.

Os atrativos

A FaZe Clan sagrou-se campeã do Brasileirão de Rainbow Six Siege 2018 - Divulgação/Ubisoft
A FaZe Clan sagrou-se campeã do Brasileirão de Rainbow Six Siege 2018
Imagem: Divulgação/Ubisoft

De acordo com especialistas e membros de equipes ouvidos pelo START, o cenário brasileiro tem quatro principais atrativos: o alto nível dos cyber-atletas; a paixão e o engajamento do público; o custo reduzido em razão da diferença de câmbio do dólar sobre o real; e o incentivo, inclusive com dinheiro, da desenvolvedora Ubisoft.

Victoria Rodrigues foi a primeira mulher no planeta a comentar campeonatos oficiais de Rainbow Six Siege - Divulgação/Ubisoft
Victoria Rodrigues foi a primeira mulher no planeta a comentar campeonatos oficiais de Rainbow Six Siege
Imagem: Divulgação/Ubisoft

"Começamos a chamar muita atenção quando a atual line da NiP, ainda na Black Dragons, bateu a Penta (hoje na G2 Esports)", relembra a comentarista Victória "Viic" Rodrigues, referindo-se ao vice-campeonato da equipe brasileira na 3ª temporada da Pro League, em 2017. O time derrotou a Penta, da Europa, e chegou à final, mas perdeu para a também europeia ENCE eSports.

Ela explica que o Brasil conta com equipes e jogadores de destaque e com potencial de crescimento. "Apesar de termos poucos resultados internacionais expressivos e ainda estarmos abaixo de América do Norte e Europa, o desempenho da NiP no Six Invitational 2020 mostrou que, com investimento e bootcamp [período de treinamento no exterior], nós podemos chegar muito longe".

Os impactos positivos

Cameraman, um dos jogadores mais estimados da FaZe Clan, esteve na line-up desde a época de Team Fontt - Divulgação/Ubisoft
Cameraman, um dos jogadores mais estimados da FaZe Clan, esteve na line-up desde a época de Team Fontt
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Na opinião do caster Otávio "Retalha" Ceschi, as organizações estrangeiras proporcionam uma maior infraestrutura aos pro-players brasileiros contratados. "Elas permitem que os jogadores tenham melhores salários e condições, e isso obviamente os motiva. São jogadores com a oportunidade de representar times tier 1 do cenário internacional dos eSports".

Retalha é narrador oficial de Rainbow Six Siege - Saymon Sampaio/Ubisoft
Retalha é narrador oficial de Rainbow Six Siege
Imagem: Saymon Sampaio/Ubisoft

Por consequência, o cenário competitivo torna-se mais atraente para cyber-atletas e novos talentos. "Organizações nacionais foram mais do que essenciais no início e, neste processo de evolução, as estrangeiras ajudaram a dar uma potência para o cenário".

O cyber-atleta Julio "Julio" Giacomelli, da NiP, exalta a oportunidade de representar um clube de outro país jogando no Brasil. "É muito legal o contato que você tem com outras culturas e times dos demais jogos e ver por dentro a estrutura que essas organizações grandes possuem".

O Brasileirão de Rainbow Six, principal campeonato da modalidade no País, contará com dez equipes participantes em 2020, sendo seis brasileiras e as quatro de organizações internacionais.

Os impactos negativos

No Six Major Raleigh 2019, a FaZe caiu para Team Empire - Divulgação/Ubisoft
No Six Major Raleigh 2019, a FaZe caiu para Team Empire
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Se por um lado a presença dos clubes estrangeiros traz benefícios, por outro também tem impactos negativos, principalmente em razão da disparidade econômica.

Organizações do Brasil possuem dificuldade maior para oferecer salários expressivos e, assim, segurar jogadores que se destacam, como explica o cofundador da Black Dragons e-Sports Denis "Pings" Vidigal.

"Os salários foram inflacionados, sem recebermos nenhuma ajuda de custo. Basicamente quem se destaca é comprado [pelos estrangeiros], o time todo ou um jogador", comenta Pings.

Ele acredita que, nesta temporada, a situação irá melhorar pois a Ubisoft prometeu incluir clubes brasileiros no Pilot Program, programa de incentivo financeiro lançado pela desenvolvedora em meados de 2018 e antes restrito às principais potências internacionais. "Mas, esses últimos dois anos foram suficientes para aumentar bastante a diferença de nível entre as equipes"

Isso é confirmado pelo pro-player Eduardo "Dudds" Torassi, da brasileira INTZ. "O sonho de qualquer jogador de Rainbow Six é conseguir jogar em uma organização estrangeira, porque elas têm muito mais estrutura e os salários são muito maiores".

Ele alega que, se um clube do Brasil tiver bons equipamentos e centro de treinamento, a equipe "não deixa a desejar em nada" em questão de performance. O problema é a motivação. "Se os jogadores estão recebendo salário muito abaixo do que os outros times, acaba sendo um pouco frustrante".

Nas duas últimas temporadas, clubes estrangeiros conquistaram o título do Brasileirão: em 2019, a Liquid venceu e, em 2018, deu FaZe. Nos dois primeiros campeonatos nacionais, em 2017, quando não havia organizações internacionais no cenário, Black Dragons e Team Fontt foram campeãs.

Investimento e visibilidade

Investimentos e melhores estruturas melhoram o desempenho dos profissionais de R6 - Saymon Sampaio/Ubisoft
Investimentos e melhores estruturas melhoram o desempenho dos profissionais de R6
Imagem: Saymon Sampaio/Ubisoft

O diretor de eSports da Ubisoft para América Latina, Marcio Canosa, destaca que o papel da desenvolvedora no Brasil é "promover um cenário competitivo composto por torneios estruturados e organizados, que ofereçam atrativos para atletas, equipes e patrocinadores".

Conforme argumenta o executivo, como a América Latina conta com vagas para as principais competições do mundo, faz sentido para os clubes estrangeiros "investir em lines qualificadas como as brasileiras para chegar nesses campeonatos internacionais como fortes candidatos ao título".

Ele entende que há diversos benefícios para o cenário nacional, como estrutura de alto nível para os jogadores profissionais e maior visibilidade do Brasil no exterior.

"Esse fenômeno é benéfico para todos os envolvidos, já que aumenta os investimentos, agrega valor ao cenário e aos jogadores e eleva o padrão dos clubes", defende Marcio.

Sobre o menor poder econômico das organizações brasileiras, o diretor diz que a Ubisoft busca oferecer possibilidades iguais para toda as equipes. "Nós acreditamos que é benéfico termos cada vez mais investimentos e melhores estruturas para todos os profissionais envolvidos no competitivo, seja estrangeiro ou nacional. Isso faz com que a modalidade evolua e ganhe protagonismo dentro do universo dos esportes eletrônicos".

Ele cita a expansão do Pilot Program como maneira de "equilibrar ainda mais" a competitividade. O programa prevê compartilhamento de receitas da venda de in-game itens com os clubes. A INTZ passou a fazer parte em 2020.

Quais são os clubes estrangeiros

Atualmente são quatro clubes estrangeiros com investimento no Brasil. Conheça:

Team Liquid

Team Liquid é um dos maiores times com brasileiros no elenco a conquistar mais títulos - Divulgação/Ubisoft
Team Liquid é um dos maiores times com brasileiros no elenco a conquistar mais títulos
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Em janeiro de 2018, a Team Liquid contratou a MOPA TEAM, que na época contava com Leo "ziGueira" Duarte, maior ídolo do Rainbow Six brasileiro. Ele está aposentado, mas continua no clube como streamer.

O nível das equipes brasileiras e a paixão do público foram os atrativos para a organização norte-americana, segundo explica o country manager Rafael Queiroz. "O Brasil é a terceira maior audiência do mundo em eSports e a Liquid procurava uma maneira de expandir para o Brasil".

Ele diz que o balanço desses pouco mais de dois anos é positivo. "Somos um time com grande torcida, conseguimos títulos importantes, temos expandido a marca pelo Brasil e a operação nacional vem aumentando".

Time é o atual campeão nacional de Rainbow Six - Saymon Sampaio/Ubisoft
Time é o atual campeão nacional de Rainbow Six
Imagem: Saymon Sampaio/Ubisoft

Por isso, o projeto da Liquid no País é a longo prazo e envolveu mais modalidades, segundo Rafael. No início deste ano, a organização contratou outra equipe brasileira, no Free Fire. O time participa da Liga Brasileira (LBFF).

A Liquid é a atual campeã nacional de Rainbow Six, com o título de 2019. No Six Invitational 2020, a equipe caiu na fase de grupos e ficou na 9ª/12ª colocação.

FaZe Clan

Janela de transferência da FaZe chama atenção global no cenário de R6 - Divulgação/Ubisoft
Janela de transferência da FaZe chama atenção global no cenário de R6
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Um dos donos da FaZe Clan, baseada nos Estados Unidos, é o brasileiro Thomas "Temperrr" Oliveira.

Ele sempre desejou ter outros brasileiros no clube e, em 2017, começou a estudar as regiões que participavam do cenário competitivo oficial promovido pela Ubisoft. Em janeiro de 2018, a FaZe contratou a Team Fontt, que havia conquistado o título da 2ª temporada do Brasileirão no mês anterior.

O manager avalia o impacto brasileiro nos torneios - Divulgação/Ubisoft
O manager avalia o impacto brasileiro nos torneios
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Temos uma torcida apaixonada pelo jogo. Somos fanáticos, fazemos barulho como ninguém e isso já é uma marca registrada do Brasil. Qualquer time do mundo ama jogar diante da nossa torcida. É algo contagiante que só encontramos aqui
Leandro Portela, gerente de Rainbow Six da FaZe Clan

Entre as conquistas mais importantes da FaZe estão o título do Brasileirão de 2018 e o vice do Brasileirão 2019 e da 8ª temporada da Pro League.

No Six Invitational 2020, a FaZe não passou da fase de grupos e amargou o 13º/16º lugar.

Ninjas in Pyjamas

NiP é vice-campeã do Six Invitational 2020 - Divulgação/NIP
NiP é vice-campeã do Six Invitational 2020
Imagem: Divulgação/NIP

Conhecida mundialmente pela equipe de Counter-Strike: Global Offensive, a sueca Ninjas in Pyjamas chegou ao Brasil ao contratar o elenco que antes defendia a Black Dragons.

"A Ninjas in Pyjamas tem duas décadas de história nos eSports. Ao longo dos anos construímos uma grande base de fãs, na qual focamos pouco. Com a adição do Rainbow Six, entramos para a América Latina para acordar nossa base um tanto adormecida", explica o diretor-executivo da NiP, Hicham Chahine.

Ele comemora que o investimento a longo prazo do clube vem dando resultados. Um exemplo recente é o vice do Six Invitational 2020, campeonato internacional com 16 participantes disputado no Canadá, em fevereiro. O resultado é classificado como fantástico por Hicham. O time ficou perto do título, mas acabou derrotado na final para a Spacestation, dos Estados Unidos.

NiP bateu recordes no Six Invitational 2020 - Divulgação
NiP bateu recordes no Six Invitational 2020
Imagem: Divulgação

"A base de fãs vem crescendo significativamente após investimento pesado em conteúdo e presença social localizada. O time está se saindo muito bem depois de ajustes e investimentos em instalações, em recursos e nos nossos jogadores. Vamos aumentar o investimento neste ano, para construir a melhor equipe de Rainbow Six que o mundo já viu", anima-se o dono da NiP.

Capacitação e apoio são essenciais no trabalho de Hicham Chahine - Divulgação/NIP
Capacitação e apoio são essenciais no trabalho de Hicham Chahine
Imagem: Divulgação/NIP

Nós acreditamos sinceramente em apoiar os jogadores a longo prazo e capacitá-los para que se tornem as melhores versões de si mesmos. Nós damos suporte em períodos bons e de desempenho mais fraco. Nos eSports, é fácil ficar cego pelo rápido crescimento e buscar o sucesso imediato, reforçando a rotatividade de jogadores
Hicham Chahine, CEO do Ninjas in Pyjamas

Made in Brazil

Equipe de R6 da Immortals foi incorporada pela MIBR em 2019 - Divulgação/MIBR
Equipe de R6 da Immortals foi incorporada pela MIBR em 2019
Imagem: Divulgação/MIBR

Apesar do nome e de ter sido 100% brasileira no passado, a MiBR é hoje operada pela empresa Immortals, dos Estados Unidos. O clube investe em equipes nacionais no Rainbow Six e no Counter-Strike: Global Offensive.

A Immortals entrou para o cenário competitivo do Brasil com a contratação do elenco da BRK e-Sports, em junho de 2018. Praticamente um ano depois, em agosto de 2019, a equipe transferiu-se para a MiBR, que pertence à organização norte-americana.

O time participou do Six Invitational 2020 e ficou com a 7ª/8ª colocação após perder nas Quartas de Final.

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