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Relembre o Genesis Nomad, o "Nintendo Switch" da Sega

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Imagem: Reprodução

André "AvcF" Franco

Do GameHall

10/03/2020 04h00

Apesar de ter sido lançado mais de três anos depois que seus concorrentes de geração, o Xbox One e Playstation 4, o Nintendo Switch tomou a liderança mundial no mercado de consoles, com mais de 50 milhões de unidades vendidas e vários jogos de sucesso. Entre os fatores que contribuíram nessa jornada está a funcionalidade híbrida do console, que pode ser jogado tanto conectado a uma televisão quanto como portátil, utilizando sua tela embutida e controles que podem ser acoplados em suas laterais.

Se, por um lado, essa funcionalidade parece inovadora, chegando até mesmo a ser um argumento de compra, por outro, ela já apareceu antes na história dos videogames. E justamente pela Sega, que já foi a maior rival da Nintendo durante a década de 1990. Hora de relembrar o Sega Nomad, o "Nintendo Switch", da Sega.

Guerra e mudanças

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A década de 1990 foi marcada pela chamada "guerra dos 16-bits", quando o Super Nintendo e o Sega Genesis (ou Mega Drive, se preferirem) brigavam pela liderança do mercado de consoles domésticos. Se o flanco oriental já estava tomado pela Nintendo, que exercia domínio absoluto no território japonês, na América do Norte - e sobretudo os Estados Unidos - a briga era de trincheira em trincheira. Uma das táticas da Sega para manter seu console doméstico em evidência foi lançar acessórios (add-ons), como o Sega-CD e o Sega 32X, que expandiam as capacidades e funcionalidades do Genesis em comparação ao rival Super Nintendo. Foi nesse contexto que a Sega lançou o Genesis Nomad.

Sega Switch

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Em 1995, a geração 16-bits se aproximava do fim, com o mercado de consoles passando por uma fase de transição. O PlayStation já havia sido lançado no Japão, a Sony preparava seu embarque triunfal nos EUA (curiosidade: o PS1 foi lançado cerca de um mês depois do Nomad), a própria Sega já preparava o lançamento do Saturn em território americano. Os consoles 32-bits, junto do ainda conceitual "Ultra 64", da Nintendo, eram o grande assunto do momento. Assim, natural que tanto Genesis quanto SNES já estivessem em declínio tanto comercialmente quanto em popularidade.

Por outro lado, a Nintendo seguia em confortável liderança no mercado de consoles portáteis com seu Game Boy, que àquela altura já havia derrotado todos os concorrentes até então, como o Atari Lynx, o Nec TurboExpress, além do Game Gear, da própria Sega. Talvez tentando retomar esse mercado, e ao mesmo tempo manter a chama de seu console 16-bits acesa, a Sega resolveu lançar o Sega Nomad, versão híbrida de seu Sega Genesis tradicional.

Sega almost does what Nintendon't

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A proposta do Nomad era unir o melhor de dois mundos: um console que já era compatível com a extensa biblioteca de jogos da versão tradicional do Genesis (a caixa fala em mais de 500 jogos), com a portabilidade de um aparelho que conta com tela colorida e iluminada com a mesma resolução padrão do Genesis (320×224), uma qualidade impressionante para o padrão dos aparelhos portáteis da época. O console também contava com controle de 6 botões embutido, que passou a ser padrão da versão tradicional desde o lançamento de Street Fighter 2: Champion Edition, em 1993.

Ainda sobre controles: o Nomad, também contava com uma porta paralela que permitia a entrada de um segundo controle, permitindo dessa forma partidas com dois jogadores simultâneos. O portátil funcionava tanto com 6 pilhas AA quanto por alimentação via fonte - que, inclusive, é a mesma do modelo Mega Drive 2 (no Brasil, a Tec Toy lançou esse modelo como Mega Drive 3).

Mas o que torna esse console o "pai" conceitual do Nintendo Switch é sua saída de áudio e vídeo, que permitia que o aparelho fosse ligado a qualquer televisão com entrada A/V. Assim, o Nomad podia ser apreciado tanto como um portátil "puro", quanto ser jogado da mesma maneira que o Genesis tradicional, com o portátil servindo como controle, e a televisão exibindo imagens e sons dos jogos. Da mesma forma que o Nintendo Switch faz atualmente, o Nomad podia trocar de "modo" de forma instantânea, embora a ausência de um suporte como a doca do console da Nintendo, fizesse o jogador do Nomad ficar limitado à extensão dos cabos que ligavam o console à televisão.

Nomad em seu modo "Switch" - The Gaming Historian
Nomad em seu modo "Switch"
Imagem: The Gaming Historian

Mas, infelizmente, essa foi apenas a primeira das várias limitações que prejudicaram o aparelho, consequentemente levando-o ao rápido fracasso.

Para começar, sua portabilidade era limitada, pois o console devorava as 6 pilhas AA necessárias para seu funcionamento em 2, no máximo 3 horas de jogo. Para efeito de comparação, o modelo original do Game Boy tinha autonomia de até 40 horas com 4 pilhas AA, e o Game Gear, da própria Sega, de 3 a 5 horas.

Além disso, a tela do Nomad tinha um visível efeito de "ghosting", um borrado que aparece quando imagens rápidas são exibidas, devido ao seu tempo de resposta lento. Embora contasse com todos os jogos do Genesis lançados até então, segundo o blog da Tec Toy, o console tinha problemas de compatibilidade com alguns títulos, como por exemplo, Chakan, DecapAttack, Golden Axe II, Streets of Rage e, ironia das ironias, Sonic the Hedgehog.

Além desses problemas, outros fatores contribuíram para o fracasso do console híbrido da Sega. Primeiramente, o Genesis Nomad teve lançamento restrito aos Estados Unidos, pois a Sega do Japão preferiu focar seus esforços sobre o Saturn, descontinuando o Mega Drive e todos os seus derivados. Ainda assim, o Nomad teve distribuição limitada mesmo em território americano.

Além disso, o aparelho também era caro, custando US$ 180 (US$ 300,95 no valor atual) no seu lançamento. A Sega rapidamente cortou US$ 100, mas a medida não surtiu efeito e o Nomad não atraiu consumidores. Apesar de ter permanecido no mercado até 1999, o Genesis Nomad teve vendagem pífia, permanecendo como um console obscuro da Sega até anos recentes, quando se tornou um cobiçado item de colecionador.

De uma forma ou de outra, o Genesis Nomad tem seu nome na história dos games, e por vias tortas, foi o predecessor do Nintendo Switch. E vocês, já viram esse console da Sega? Já jogaram? Contem aí nos comentários. Até a próxima!

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