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Túnel do tempo: como eram os torneios de games antes dos eSports

O sucesso de Street Fighter II mudou para sempre a cultura dos arcades. Até hoje é possível encontrar máquinas do jogo, especialmente no distrito de Akihabara, em Tóquio. - Reprodução/junkerhq.net
O sucesso de Street Fighter II mudou para sempre a cultura dos arcades. Até hoje é possível encontrar máquinas do jogo, especialmente no distrito de Akihabara, em Tóquio. Imagem: Reprodução/junkerhq.net

André "AVCF" Franco

Do GameHall

15/02/2020 04h00

Cada vez mais populares nos calendários de evento a cada ano, os torneios de eSports como League of Legends, Free Fire e outros já conquistaram um grande público, apesar de ainda serem novidade para muita gente de fora desse universo. Bem antes dos atuais eventos em ginásios lotados e transmissões com milhões de espectadores, as competições de videogames já davam seus primeiros passos.

Desde torneios de fliperama nos Estados Unidos até disputas por "high scores" organizadas por revistas especializadas, esse passado guarda histórias sensacionais. Vamos relembrar algumas?

Walter Day, o juiz dos recordes, ganhou até homenagem na animação Detona Ralph - Reprodução
Walter Day, o juiz dos recordes, ganhou até homenagem na animação Detona Ralph
Imagem: Reprodução

Twin Galaxies e o juiz dos fliperamas

Em 1981, o empresário Walter Day comprou uma casa de jogos chamada Twin Galaxies e a transformou na fundação Twin Galaxies Incorporated. Ela seria responsável por registrar as melhores pontuações de fliperamas espalhados pelos Estados Unidos e criar o primeiro ranking nacional da história dos games.

A iniciativa de Day foi um grande sucesso, e logo ele começou a receber centenas de telefonemas e fotos de jogadores querendo comprovar que eram campeões em diversos jogos da época. Em 1983, o Guinness World Records passou a usar o Twin Galaxies como a fonte para os recordes de pontuação que apareceriam no livro. No mesmo ano, Walter Day e Jim Riley fundaram o U.S. National Video Game Team, um campeonato de jogos de fliperama que excursionava por todo território americano. Os times competiam entre si, e Day assumia o papel de capitão de um dos times e árbitro, com o tradicional uniforme listrado.

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Imagem: Reprodução

O Twin Galaxies ficou tão famoso, que foi tema do documentário de 2007 The King of Kong: A Fistful of Quarters (trailer abaixo), que mostrou uma grande batalha entre Steve Wiebe e Billy Mitchell, com a organização de Day lutando para definir o que era verdade e o que era fraude na disputa pelos recordes. Cinco anos depois, Walter Day foi homenageado no longa metragem Detona Ralph, com o personagem Mr. Litwak (o dono do fliperama onde ficam os jogos mostrados no desenho), cuja aparência foi baseada no antigo proprietário do Twin Galaxies.

A organização existe até hoje e continua organizando campeonatos e registrando os high scores do mundo inteiro.

Nintendo World Championship

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Imagem: gamebits.net

Talvez inspirada pelo torneio que aparece no final do filme The Wizard (O Gênio do Video Game, no Brasil), a Nintendo começou a organizar seu própria competição. A partir de 1990, a Nintendo e a Mattel começaram a organizar o Nintendo Challenge Championship, primeiro no Canadá, e posteriormente o Nintendo World Championship, nos Estados Unidos.

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Imagem: gamelife.com

Seguindo o mesmo modelo da Twin Galaxies, a Nintendo organizava excursões por diversas cidades, e jogadores competiam para atingir o maior high score em versões modificadas de Super Mario Bros., Rad Racer e Tetris. Inclusive, foi através desses eventos que muitos jogadores da América do Norte conheceram Super Mario Bros.3, que seria lançado também em 1990.

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Essas competições eram realizadas com a utilização de cartuchos personalizados, sendo que por volta de 100 deles foram dados a finalistas dos torneios. Raríssimos, hoje esses cartuchos são itens de colecionadores, chegando a custar US$ 100.000 ou mais, caso sejam as ainda mais raras versões douradas.

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A Nintendo seguiu organizando torneios nos anos 1990 com o Nintendo Campus Challenge, que exersionava por campus de faculdades americanas e canadenses, em 1991 e 1992. A segunda edição passou a ter competições com jogos do recém-lançado Super Nintendo, como Super Mario World e F-Zero. Em 1994, a Nintendo voltou a organizar um campeonato, o Nintendo PowerFest '94, que acontecia em lojas de jogos, e desta vez só com jogos de Super Nintendo.

Em 2015, a Nintendo retomou o Nintendo World Championship, primeiro com qualificatórias em lojas Best Buy por todo Estados Unidos, culminando em um campeonato realizado na véspera da E3, cujo desafio final fazia dois jogadores enfrentarem uma fase personalizada e super difícil de Super Mario Maker. Shigeru Miyamoto entregou o troféu ao jogador vencedor. A última edição do Nintendo World Championship foi realizada em 2017.

Enquanto isso no Brasil...

O Brasil também tem sua contribuição nessa história. Os primeiros números das revistas brasileiras, como Ação Games e Video Game, já incentivavam seus leitores a enviarem fotos com high scores, além de publicarem rankings dos sistemas da época, como NES, Master System e Mega Drive.

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Coube à TecToy, representante oficial da Sega no Brasil, dar o próximo passo. Em parceria com a revista Super Game, ela organizou em 1992 a primeira Super Olimpíada do Video Game. Realizada em São Paulo, a Super Olimpíada reuniu centenas de jogadores que competiram em um grande torneio dividido pelas categorias Master System e Mega Drive. Os jogadores tinham que realizar o maior score possível em jogos de cada console que eram sorteados a cada rodada, com Sonic 2 de Master e Mega sendo o jogo da final. O evento contou com cobertura dos principais canais de TV e patrocínio de empresas como McDonalds.

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As revistas especializadas também organizaram eventos do tipo. A Video Game organizou três Video Game Shopping Festival que, apesar do nome, não rolava em um Shopping Center e sim no salão do Club Homs, na Avenida Paulista, em São Paulo. O Evento é descrito como um campeonato somente com lançamentos de Super Nintendo que aconteceria dentro de um festival.

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A revista Ação Games também organizou um torneio, o 2º Campeonato Brasileiro de Games, em parceria com a Nescau. A primeira etapa exigia que os jogadores enviassem fotos de high scores dos jogos OutRun Europa (Master System), Krusty's Super Fun House (Nintendo), Road Runner's Death Valley Rally (Super Nintendo) e Terminator 2: The Arcade Game (Mega Drive). Os jogadores com os maiores high scores então competiram em uma final que aconteceu no parque de diversões Playcenter, em São Paulo.

A evolução da EVO

Acrônimo para Evolution Championship Series, a EVO é hoje a grande referência de eSports para jogos de luta. Mas quando o torneio surgiu, em 1996, não passava de uma tímida competição de Street Fighter 2. A primeira edição, ainda chamada de Battle by the Bay foi focada nos games Street Fighter 2 Turbo e Street Fighter Alpha 2, e o nome EVO foi oficialmente adotado apartir da edição 2002.

A cada ano, o EVO foi crescendo não apenas em popularidade e relevância, mas também em escopo. Atualmente, ele abriga praticamente todos os títulos mais conhecidos. Mesmo Super Smash Bros, que para os jogadores auto-entitulados "hardcore" não é um jogo de luta, mas um "party game", tem grande destaque dentro da EVO, e recentemente o clássico Marvel vs Capcom 2 foi resgatado para a edição 2020.

Para os fãs de competições de jogos de luta e do EVO, certamente um dos momentos mais marcantes do evento foi a semifinal de Street Fighter III: 3rd Strike, de 2004, quando Justin Wong, jogando com Ken enfrentava Daigo Umehara, que jogava com a Chun-Li. A luta seguiu equilibrada até o round final, quando Umehara viu seu Ken ficar com apenas um ponto de vida, e Wong então partiu para o que acreitava ser o golpe de misericórdia, aplicando o especial Houyoku-sen, de Chun-Li. Foi então que Umehara conseguiu uma até então nunca vista sequência de "parry", uma técnica especial que permite o personagem se defender sem perder vida, bloqueando 15 golpes seguidos de Wong, dando abertura para aplicar um combo e virar a luta de forma épica.

Curiosamente, apesar do incrível feito, Daigo Umehara acabou perdendo a final daquele torneio. Mas o vídeo da semifinal continua a ser visto e revisto pelos fãs de torneios de luta, eternizado como o "Momento 37" .

FIFA sempre presente

Divulgação/FIFA.com
Imagem: Divulgação/FIFA.com

É impossível falar de eSports sem lembrar de FIFA, o jogo de futebol mais popular do mundo. Em 2004, a Electronic Arts e a FIFA organizaram o primeiro FIFA Interactive World Cup, um grande evento que reuniu jogadores do mundo inteiro em Zurique, Suiça, tendo um jogador brasileiro como o primeiro campeão. O torneio foi rebatizado de FIFA eWorld Cup, e são organizadas qualificatórias regionais para eleger os melhores jogadores, que se enfrentam em um grande torneio que acontece em Londres desde a edição 2017.

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Imagem: Reprodução

EA e FIFA também criaram um torneio derivado, o FIFA eClub World Cup 2020, com partidas entre clubes no lugar das tradicionais seleções. É um torneio tão completo que conta inclusive com divisões (tiers) e sistema de promoção e rebaixamento (demotion e promotion). A edição 2020 será em Milão, Itália.

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