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Para além do meme, "Untitled Goose Game" é um jogo divertido e original

Makson Lima

Colaboração para o START

30/10/2019 04h00

Não há como escapar: "Untitled Goose Game" é um fenômeno. Quando algo viraliza na intenet dessa forma, fica meio difícil de ser contornado. E, nesse caso, ainda bem, pois trata-se de uma das experiências mais irreverentes e divertidas do ano. Bom dizer também que o decreto foi estabelecido, e o ganso e Mr. X, de "Resident Evil 2", já se firmaram como as celebridades dos videogames em 2019.

"Untitled Goose Game" é o novo jogo da produtora australiana House House, do igualmente bizarro (e adorável) "Push Me Pull You", de 2016. Essa nova produção segue a mesma linha visual e nasceu de uma espécie de piada interna, que tomou a equipe de apenas quatro pessoas (e a internet) de forma avassaladora, adentrando o cada vez mais bizarro e prolífero mundo dos simuladores em diversões eletrônicas.

Eu vejo simuladores o tempo todo

Depois de assumir o papel de uma caixa de papelão, de uma torrada, cabras, ursos, moscas e, em breve, de abelhas, "Untitled Goose Game" nos coloca sob as penas de um ganso. Estamos falando de uma ave um tanto quanto temperamental, e tão territorialista, que bota muito cão de guarda para correr, e com o rabo entre as pernas.

Quem já foi perseguido por um ganso escandaloso, grasnando aos quatro ventos, batendo furiosamente suas asas, pode ter aí das experiências mais traumáticas de sua vida. Só estou supondo (não que isso tenha acontecido comigo em algum momento de minha vida).

Numa perspectiva isométrica, com gráficos charmosos e sem qualquer espécie de contorno, fazendo uso da técnica de cel shading que tão bem simula desenho animado em 3D, uma trilha sonora dinâmica, que acompanha o desenrolar dos eventos e que conversa com o erudito, "Untitled Goose Games" desenrola o dia a dia de pessoas vivendo tranquilamente numa adorável cidade inglesa.

O jardineiro cuida de sua horta, a criança brinca com seu aviãozinho e a dona da loja cuida de sua loja. Tudo é paz e harmonia, até que não mais.

Apenas um agente do caos

O ganso é uma ave da família Anatidae, primo dos patos e cisnes, migratória e com preferência pelo clima temperado, mas meio que se acostumou a quase todo lugar do mundo mesmo, inclusive a realidade um tanto sinistra dos simuladores.

Controlá-lo é tão simples quanto surgir daquela moita no começo do jogo: o ganso grasna, abre as asas, puxa coisas com seu bico resistente. Sério, já viram fotos de gansos com o bico aberto, de sua língua serrada, a temida tomia? Tente dormir depois disso.

Mais aterrorizante do que você imaginava, não? - Reprodução
Mais aterrorizante do que você imaginava, não?
Imagem: Reprodução

No game, o ganso também tem uma listinha de tarefas. Evidentemente que você pode tacar o terror a esmo, testar o jogo (e a paciência de seus habitantes), mas há foco, objetivo, como molhar o jardineiro, traumatizar o garoto e causar briga entre vizinhos. Como você fará isso? Aí é que reside o elemento estratégico em "Untitled Goose Game". Porque sim, o jogo é muito mais do que um meme.

Um dos tópicos a serem devidamente riscados da minha lista de afazeres caóticos lia-se com todas as letras: trocar os óculos do garoto. Tentei grasnar para ele insistentemente, provavelmente forçando-o a privação de sono por semanas a fio, mas seus óculos continuavam lá, em seu rosto.

Tentei roubar seu aviãozinho, colocá-lo entre as quinquilharias da loja, numa prateleira mais baixa. Rolou briga ali, e não pude afanar a peça quando ele, rapidamente, se abaixou para apanhá-lo.

Enquanto infernizava na loja de eletrodomésticos, enchia minha cesta de compras com itens seletos e quebrava a vassoura daquela vendedora, já cansada de ser atormentada (mas sem violência envolvida de ambos os lados, que isso fique claro), atentei aos cadarços salientes do tênis do moleque. Como não tinha visto isso antes? Não deu outra: desamarrei tudo. Só aí tive tempo o suficiente, enquanto ele conferia aquele nó laceado, para apanhar seus óculos, causar aquela síncope já rotineira em todos da vizinhança, além de confusão com outros óculos na lojinha. Placa "proibido gansos" devidamente posicionada. Missão concluída. Próxima área.

É zoeira, mas é de coração

Não há muitas formas de se realizar o que é preciso ser, de fato, realizado para seguir tocando o terror no jogo do ganso. Para o jardineiro martelar o próprio dedo, o negócio é grasnar quando o coitado estiver na função, por exemplo. E nem é preciso completar todas as tarefas para que a próxima área se torne acessível, e isso acontece de forma bastante natural.

Divertido mesmo é testar o que há além da listinha, isso enquanto pensamos em meios de derrubar um balde na cabeça do fortão do pub. Tudo isso desemboca num desfecho surpreendentemente satisfatório. Satisfatório para o ganso, que isso fique claro.

"Untitled Goose Game" ainda oferece uma série de objetivos extras, disponibilizados logo após os créditos rolarem. Ou seja, se encaixa na categoria "só começa mesmo quando termina", de tantas produções biliardárias que se gabam de seus "endgames".

Ele ser um jogo tão divertido quanto original, desenvolvendo de maneira extremamente satisfatória o seu propósito. É acessível, agradável e colocou em evidência esses seres tão magníficos e respeitados. Já espero ansiosamente pela adaptação para os cinemas e pela parceria com "Babe, o Porquinho Atrapalhado".

Lançamento: 20/09/2019
Plataforma: PC (Epic Games Store), Nintendo Switch
Preço sugerido: R$ 37,99 (PC), R$ 73,99 (Switch)
Classificação indicativa: Todas as idades
Desenvolvimento: House House
Publicação: Panic

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