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Legends of Runeterra: Por que a Riot decidiu lançar um card game de LoL?

Legends of Runeterra entra em fase de testes a partir de 15 de outubro, e tem lançamento previsto para 2020 - Divulgação/Riot Games
Legends of Runeterra entra em fase de testes a partir de 15 de outubro, e tem lançamento previsto para 2020 Imagem: Divulgação/Riot Games

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

15/10/2019 23h00

Pode parecer estranho anunciar um game de cartas em 2019, anos depois que "Hearthstone" (2014) revolucionou o gênero e abriu caminho para o surgimento de vários concorrentes, como "Gwent" (2018), "Artifact" (2018) e até uma nova versão do eterno "Magic: The Gathering" (2019). Mas a Riot Games parece ter motivos sólidos para confiar em "Legends of Runeterra", que entra em fase de testes agora e deve ser lançado em 2020.

"No Brasil, um terço de todos os jogadores de 'League', pelo menos, já jogam card games. É um número bem relevante", revela em entrevista ao START o gerente de produtos da Riot no Brasil, Ricardo Dias. Ele gosta bastante desse estilo de jogo, e não está sozinho.

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Cartas na mesa

No final de 2018, a Blizzard revelou que 100 milhões de jogadores já haviam passado por "Hearthstone", considerando o PC e plataformas mobile. Não significa que são todos jogadores ativos atualmente, mas dá uma ideia da penetração do gênero. Já a Riot revelou que, em agosto de 2019, "League of Legends" atingiu o pico de 8 milhões de jogadores simultâneos no mundo. Ou seja: investir em uma expansão de LoL para um gênero que tem afinidade com seu público parece fazer sentido.

"Sempre que estamos tentando desenvolver um jogo, primeiro a gente precisa ter uma tese boa: ele tem o potencial para ter seu espaço no gênero? Se a resposta for 'sim', a gente segue em frente", diz Dias. Basta observar o caso de "Artifact", da Valve, e que tem muito em comum com "Legends of Runeterra" por ser baseado em "Dota 2". Lançado em novembro de 2018 e com relativo sucesso, depois de dois meses o game perdeu 98% de seus jogadores, e atualmente tem menos de 100 usuários ativos, segundo o site Steam Charts.

Sempre que estamos tentando desenvolver um jogo, primeiro a gente precisa ter uma tese boa: ele tem o potencial para ter seu espaço no gênero? Se a resposta for 'sim', a gente segue em frente
Ricardo Dias, gerente de produtos da Riot Games

Priscila Queiroz, da Riot Games - Divulgação/Riot Games
Priscila Queiroz, da Riot Games
Imagem: Divulgação/Riot Games
Então, o que faria de "Legends of Runeterra" um caso diferente? "O que a gente identificou é que, mesmo em um gênero com tantos jogos, existem algumas oportunidades para a gente oferecer uma experiência diferente paro jogador e ajudar a elevar o gênero", diz Priscila Queiroz, chefe de Publicação da Riot Games no Brasil.

Ela continua: "A nossa ideia é manter o que o gênero tem de legal, ao mesmo tempo em que melhoramos alguns aspectos que identificamos que pode ser uma experiência diferente para o jogador, de mudar o padrão do gênero".

Embora "Legends of Runeterra" siga algumas fórmulas já estabelecidas, o game realmente tem ideias novas para o gênero em termos de mecânicas, como mostramos em nossas impressões iniciais.

A gente acha que os jogos vão conseguir coexistir (...) Tem um público que gosta muito de card game, tem um público que vai gostar mais da dinâmica do TFT
Priscila Queiroz, gerente de Publishing da Riot Games

O que também pode ajudar no sucesso de "Legends of Runeterra" é se ele cair nas graças também de quem não é fã de LoL, mas busca algo novo em CCG. A Riot sabe disso, como diz Ricardo Dias.

"O jogo traz aquele equilíbrio entre profundidade e estratégia, e quem gosta de jogos assim, mas não necessariamente é fã de LoL, pode ver valor no Legends of Runeterra. Também tem a pessoa que já está no meio de CCG e quer uma oportunidade de experimentar uma sensibilidade de cartas melhor, uma progressão de cartas e de brincar com estratégias diferentes sem precisar gastar dinheiro real".

Mesmo o jogo sendo free-to-play, a Riot garante que só haverá microtransações em itens cosméticos, e as cartas serão conquistadas com a progressão no próprio jogo. Fica claro, porém, que não é um jogo para todo mundo: é um jogo para pessoas que gostam de estratégia ou gostam de LoL e desse apelo.

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Um ecossistema de LoL

Teamfight Tactics, lançado em 2019, é a "versão xadrez" de League of Legends - Divulgação/Riot Games
Teamfight Tactics, lançado em 2019, é a "versão xadrez" de League of Legends
Imagem: Divulgação/Riot Games

Outro fator que também pode influenciar no lançamento de "Legends of Runeterra" é o sucesso repentino de "Teamfight Tactics", o modo de estratégia baseado em xadrez de LoL. Ele chegou em 2019, até meio atrasado em relação a "Auto Chess", de "Dota 2", mas se manteve em evidência. Recentemente, um brasileiro foi campeão mundial em "TFT", e a Riot anunciou que pretende criar um cenário competitivo oficial em 2020.

Nesse ecossistema em torno de "League of Legends" que a Riot está criando, "Legends of Runeterra" pode sair perdendo por chegar por último. A empresa, porém, pensa diferente.

"A gente acha que os jogos vão conseguir coexistir", responde Priscila. "Porque tem um público que gosta muito de card game, tem um público que vai gostar mais da dinâmica do TFT, são jogos diferentes que podem ter um apelo para audiências diferentes".

"Hearthstone", lançado em 2014 pela Blizzard, levou Warcraft para o universo das cartas - Reprodução
"Hearthstone", lançado em 2014 pela Blizzard, levou Warcraft para o universo das cartas
Imagem: Reprodução

Ricardo ainda lembra que muitos jogadores que deixaram de jogar LoL podem se sentir atraídos pela nova proposta de "Runeterra". "Ao longo desses dez anos de LoL, muitas pessoas já entraram no nosso ecossistema e, de repente, pararam de jogar, mas ainda acompanham eSports. Esses jogos, como o TFT, são uma ótima oportunidade para eles voltarem a reviver o amor pela nossa marca. O mesmo pode acontecer com Legends of Runeterra".

Ainda assim, o jogo, por si só, parece realmente divertido, mesmo para quem não joga "League of Legends". Além disso, se a Riot manter a promessa de não adotar táticas predatórias de monetização, ele tem grandes chances de dar certo.

"Legends of Runeterra" será lançado em algum momento de 2020 para PC e mobile.

Nos bastidores da Riot

Fundada em 2006, a Riot cultiva uma imagem de proximidade com a comunidade gamer, mas a história começou a mudar em 2018, quando o site americano Kotaku publicou uma série de denúncias de sexismo e assédio na desenvolvedora, baseada em Santa Monica (Califórnia). O caso gerou protestos e processos de funcionários nos EUA, levando a produtora a rever práticas, chegando a publicar em seu site, em inglês, um comunicado sobre os valores culturais da empresa.

É em todo esse contexto de acusações graves e tentativa de reformulação, que não pode ser ignorado, que chega o anúncio do primeiro novo game da companhia em dez anos. Em entrevista ao START durante a final da Segunda Etapa do CBLoL 2019, Roberto Iervolino, gerente da Riot Games no Brasil, comentou como todos esses casos afetaram os escritórios da empresa pelo mundo.

"Há muito aprendizado para tirar e melhorar (da situação)", disse ele cerca de um mês antes da revelação do novo jogo. "A quantidade de treinamentos, conversas, dinâmicas que a gente está tendo em cima do tema, já há mais de um ano agora, são superpositivas de ver".

Pouco mais de um ano também é o tempo de desenvolvimento de "Legends of Runeterra", segundo os funcionários da Riot com quem conversamos. De alguma forma, esse jogo pode representar novos ares para a companhia, que talvez reflitam as mudanças que estão ocorrendo por lá.

Escritório da Riot Games em Los Angeles, Califórnia (EUA) - Divulgação/Riot Games
Escritório da Riot Games em Los Angeles, Califórnia (EUA)
Imagem: Divulgação/Riot Games

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