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FIFA 20 aposta em representatividade, mas joga para cumprir tabela

Hazard é um dos jogadores em destaque nas capas de FIFA 20 - Divulgação
Hazard é um dos jogadores em destaque nas capas de FIFA 20 Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o START

30/09/2019 13h01

Resumo da notícia

  • Modo de jogo VOLTA celebra o futebol de rua e coloca homens e mulheres no mesmo time
  • VOLTA tem inspiração da cultura freestyle: disputas acontecem em quadras improvisadas, com ou sem goleiros
  • No futebol tradicional, FIFA 20 muda cobranças de falta e sistema defensivo, o que deve dificultar a vida dos novatos

Pelo menos duas coisas acontecem todo ano: a alternância das estações - ainda que elas estejam meio bagunçadas ultimamente - e o lançamento das novas versões de PES e FIFA.

Enquanto o jogo da Konami trouxe um futebol raiz que valoriza o toque de bola, a EA buscou uma dose de frescor para a franquia, tentando reforçar a representatividade no game, que já contava com o futebol feminino. A boa notícia é que, ao menos nessas duas iniciativas, FIFA acertou. Já nos pormenores do gameplay e mudanças técnicas, o resultado pode agradar os jogadores mais exigentes e ao mesmo tempo dificultar a vida dos iniciantes.

Novos ares

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O carro-chefe de "FIFA 20" é o modo VOLTA, aquela espécie de "FIFA Street" que mistura futsal, futebol freestyle e pelada de rua. São diversos modos de disputa, desde 3 contra 3 até 5 contra 5, incluindo variações com e sem goleiro. Você pode jogar partidas rápidas ou entrar no modo história, que substitui "A Jornada". É nele que a EA deixou de lado qualquer amarra criativa, bem como algumas convenções do esporte como a separação entre categorias feminina e masculina.

De cara, o modo não me encantou tanto - e eu não falo da história que, como é de se esperar, cumpre bem o seu papel, mas não é algo digno de Oscar. Conforme fui jogando mais, fiquei empolgado: viajando pelo mundo, melhorando minhas habilidades, habilitando novas peças do figurino e até recrutando gente nova para o meu time.

Cuidado para não ficar perdido...  - Reprodução
Cuidado para não ficar perdido...
Imagem: Reprodução

Mas como um jogador experiente encarou a novidade? Para isso fui conversar com Mateus Matola, de 24 anos. Fifeiro convicto, ele não perde um game da série desde "FIFA 11", o que significa que ele acompanhou o ressurgimento e praticamente toda a nova fase da franquia, depois de jogos terríveis durante a década passada.

"Eu confesso que não estava esperando nada do 'Volta', para mim ia ser tão chato quanto achei o 'A Jornada'. Ainda não terminei a história, mas posso falar que estou adorando", diz Matola.

O "fifeiro" destaca, justamente, a imersão desse modo de jogo. "As cutscenes acabam refletindo o seu desempenho nas partidas, não é aquela coisa automática do 'A Jornada'". A história inclui momentos dramáticos, como discussões no time e até contusões que podem abalar o futuro dos boleiros de rua.

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VOLTA também acaba sendo mais um passo em termos de representatividade para a série "FIFA". Você pode criar o seu personagem e escolher desde o sexo até a presença ou não de tatuagens. E o jogo se desenvolve "tudo junto e misturado", sem distinção entre categorias masculina e feminina, e o modo História chega até a tocar no assunto, com atrito entre personagens homens e mulheres em certos momentos.

Tanto Matola quanto eu seguimos o mesmo roteiro e criamos uma jogadora para o modo. "Eu escolhi uma personagem feminina e o legal é que há uma discussão sobre a presença de mulheres no futebol, machismo etc. A história não é brilhante, mas para 'FIFA' é algo legal. Para mim foi uma surpresa", diz.

E, como no VOLTA vale muito mais a habilidade do que a força física, as mulheres mandam muito bem, e são peças fundamentais em qualquer equipe.

Agora se você vai encarar o modo "Volta" esperando que ele seja exatamente igual ao "FIFA Street", pode tirar seu cavalinho da chuva. Ele tem uma pegada bem menos arcade, e não há detalhes como pontuação por dribles - só uma pontuação padrão de FIFA, que depende de suas ações em campo, como passes certeiros, gols marcados etc. Mesmo assim, é uma bela adição à série.

Melhorias fora do campo...

No restante de "FIFA 20", a EA jogou com o regulamento debaixo do braço. Não há nenhuma mudança enorme tanto em termos visuais quanto de jogabilidade. Ainda assim, há detalhes que podem ser facilmente percebidos.

Os modos de jogos incluem os tradicionais "Jogo Rápido", "Champions League", "FIFA Ultimate Team (FUT)" e "Carreira", além dos online "Temporadas", "Temporadas Co-Op", "Pro Clubs" e amistosos.

Uma das coisas mais interessantes é a possibilidade de jogar alguns desses modos com regras alternativas. Por exemplo, é possível definir uma partida na qual toda vez que a bola sai de campo, ela volta com um bônus diferente, que pode melhorar a velocidade dos jogadores, melhorar os passes etc.

Quem você escolheria? - Reprodução
Quem você escolheria?
Imagem: Reprodução

O que rolou também foi uma certa repaginação em alguns menus. Isso ficou bem claro no modo FUT - aquele que é famoso por, vira e mexe, render notícias de crianças fazendo compras sem perceber no cartão de crédito dos pais, cujos menus ficaram mais simples e intuitivos.

O que não mudou é que esse modo continua sendo o mais viciante de "FIFA" e o que, provavelmente, vai concentrar as atenções da EA Sports. Afinal, as microtransações do FUT foram responsáveis por 28% de TODA a receita que a empresa teve no ano fiscal de 2018.

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... e mudanças dentro dele

Quem é novato no game ou está enferrujado - como eu ainda estou - deverá sofrer nas partidas online. O veterano Matola explica: "O que mais mudou, para melhor, foi o controle da defesa para quem joga online, que agora é manual. Para quem é mais 'hardcore', é um pedido atendido. Isso mudou bastante as partidas online e agora não tem mais aquela situação de um jogador menos habilidoso desarmar facilmente quem tem mais habilidade", diz.

Ou seja: agora não dá para contar com aquela forcinha da inteligência artificial do game na hora de segurar os avanços dos adversários.

Por outro lado, na hora de atacar as coisas melhoraram. Os jogadores estão com uma movimentação melhor e acabam tendo suas diferenças de atributos acentuadas - por exemplo, jogadores rápidos são REALMENTE rápidos e assim por diante.

Outra novidade bem-vinda veio nas cobranças de faltas e pênaltis. Agora, você controla uma mira de onde você quer mandar a bola e com o analógico direito determina efeitos. Se você tem uma boa sensibilidade nos dedos, conseguirá reproduzir melhor os diferentes tipos de batida na bola, o que vai deixar as coisas muito mais interessantes.

Bugs e derrapadas

De maneira geral, "FIFA 20" é um game competente que deve manter a sua base de fãs, sem grandes revoluções. Gráficos mantêm o mesmo nível, bem como os já tradicionais bugs acabam acontecendo vez ou outra. Fiquei incomodado com eventuais quedas de frames nas partidas, ainda que tenham sido algumas situações bem isoladas e que podem não ser experimentadas por todos os jogadores.

Vale notar que na internet, porém, os fãs do modo Carreira têm protestado e pedido correções. Nos testes da redação do START com a Carreira, até o momento só tivemos bugs no carregamento de alguns menus e em algumas sessões de treino que aparecem antes de uma partida começar.

Outra deficiência de "FIFA 20", principalmente quando comparado com "PES", é a presença limitada de clubes brasileiros. São apenas 15 equipes: Athletico Paranaense, Atlético Mineiro, Avaí, Bahia, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Cruzeiro, CSA, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Grêmio, Internacional e Santos. E os jogadores, como é de se esperar, são genéricos. A situação fica mais bizarra ainda com a seleção brasileira: o único jogador licenciado é Neymar, e o resto do time tem os talentosíssimos Beretta no ataque, Mestres na defesa e Anjos no gol.

Reprodução
Imagem: Reprodução

FIFA 20

Divulgação
Imagem: Divulgação
O bom e velho Fifinha volta para mais um ano com algumas novidades que dão um fôlego adicional para a série: o modo VOLTA, com partidas mais freestyle, improviso e uma boa dose de representatividade. Mudanças no controle da defesa deixam a tarefa mais difícil para novatos no modo online, e talvez você fique perdido com tantas variações e opções em modos de jogo. Parece ser o suficiente, pelo menos enquanto a nova geração não chega para elevar o nível das exigências.

Lançamento: 27/09/2019
Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One e Switch
Preço sugerido: R$ 239 (PC), R$ 238,99 (PS4), R$ 239 (Xbox One) e R$ 199 (Switch, edição Legacy com recursos limitados)
Classificação indicativa: Livre
Desenvolvimento: EA Vancouver e EA Romania
Publicação: EA Sports

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