Topo

Google Stadia


Google Stadia: promessas e dúvidas que estão tirando o nosso sono

Google Stadia, plataforma de streaming para games, será lançada em novembro - Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Google Stadia, plataforma de streaming para games, será lançada em novembro Imagem: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Gabriel Francisco Ribeiro

Do START, em São Paulo

07/06/2019 12h00

Nesta quinta-feira (6) o Google confirmou que o Stadia vem aí, e deu mais detalhes sobre o sistema que lembra a Netflix, mas voltado para games. O anúncio tem algo de revolucionário, mas também deixa muitas dúvidas no ar.

O serviço será lançado fora do Brasil com uma assinatura a partir de US$ 9,99, mas no ano que vem deverá ter uma modalidade gratuita. Enquanto nós perdemos o sono tentando entender o que vai funcionar ou não no Stadia, listamos abaixo as principais promessas e dúvidas atuais. E você, o que está achando de possível futuro para os games?

AS PROMESSAS

Adeus, mídia física e downloads

Comprar jogo em mídias físicas já é algo do passado, mas já imaginou não precisar sequer baixar os games? Essa é a proposta revolucionária do Stadia: você jogará via streaming, com os jogos sendo operados por um serviço na nuvem do Google.

Isso, por si só, não é algo totalmente inédito e já vimos esboços de algo parecido com plataformas da Nvidia e do PlayStation, além de planos da Microsoft, entre outras. Ainda assim, nada que chegue ao ponto do que o Google está querendo fazer agora, e que pode mudar para sempre a bilionária indústria de videogames se for bem-sucedido.

Não precisa de console

Aí está o segundo ponto revolucionário: você não precisará de um console para jogar o Stadia. Isso quebra, por si só, inúmeros paradigmas antigos da indústria de games, que sempre necessitou de um equipamento físico potente para operar os jogos mais recentes.

Para jogar os games do Stadia, basta ter uma conexão de internet, uma tela e um controle - além de uma assinatura, claro. Notebook? Serve. Computador? Também. TV? Basta colocar um Chromecast Ultra que já rola. Até em celulares será possível jogar - inicialmente no Pixel 3 e 3a, do Google, mas futuramente em outros modelos.

Compatível com vários controles

O Google lançou com a plataforma um novo controle que, a empresa diz, será perfeito para a experiência do usuário no Stadia. Mas a empresa ressaltou que será possível usar, via USB ou outras ligações, uma gama enorme de controles compatíveis. Não está claro se os de PlayStation 4 e Xbox se encaixam nisso, mas pela foto divulgada pelo Google dá para inferir que sim, pelo design dos controles mostrados.

Alta qualidade

Usuários testam o Stadia, nova plataforma do Google para games - Justin Sullivan/Getty/AFP
Usuários testam o Stadia, nova plataforma do Google para games
Imagem: Justin Sullivan/Getty/AFP

Os usuários poderão não só jogar sem um console, mas ao mesmo tempo a promessa é de que terão isso com qualidade. Os games rodarão, com a assinatura Stadia Pro, com qualidade de até 4K HDR e 60 frames por segundo, algo que deixa a plataforma no nível dos consoles mais modernos da atualidade. No próximo ano, o serviço ganhará uma versão gratuita que rodará os jogos em 1080p.

O Google ainda conta com um site para você ver se sua internet é capaz de rodar os jogos da plataforma. A empresa aconselha que, para rodar jogos em mais de 4K em HDR com 60 fps, será necessária uma conexão de internet de pelo menos 35 Mbps. Para 1080p com HDR e 60 fps, será necessária uma conexão de ao menos 20 Mpbs. A conexão mínima para o streaming desejado é de 10 Mbps.

Claro que tudo isso é no cenário perfeito, e não nos padrões muitas vezes péssimos de conexão oferecidos pelas operadoras.

Jogos de peso

Assassin's Creed Odyssey é um dos games no Stadia - Divulgação
Assassin's Creed Odyssey é um dos games no Stadia
Imagem: Divulgação

Para que uma plataforma de jogos seja bem-sucedida, precisa, claro, de games atrativos. E o Stadia até que começou bem, com uma lista interessante de jogos - confira todos os games. Entre eles estão "Assassin's Creed Odyssey", "Doom", "Final Fantasy XV", "Just Dance 2020", "Mortal Kombat 11", "NBA 2K", "Tomb Raider" e "The Division 2". Para um primeiro anúncio, não está nada mal.

Google tem poder

Existem muitas dúvidas em torno do sucesso que a plataforma terá, mas é sempre bom lembrar que o Google tem poder. Se alguém pode operar serviços em nuvem, esse alguém é o Google - talvez seja a empresa com mais infraestrutura para isso, ao lado de Microsoft e Amazon. O Google já teve sua parcela de produtos que viraram decepção, mas ao menos para este voltado a games teoricamente está preparado em termos de infraestrutura.

Perdeu a conexão? Sem problemas

Uma dúvida que fica logo de cara é: e se eu perder a conexão no meio de um jogo, perco tudo? A resposta do Google para isso, oficialmente, é não. Segundo o FAQ do Stadia, a plataforma irá te manter no mesmo ponto do jogo por "vários minutos" para que você possa voltar a ficar online rapidamente e continuar de onde parou. A plataforma também promete lidar com flutuações de banda para oferecer uma experiência boa para usuários.

Tem multiplayer e crossplay

O Stadia não vai servir para jogar somente os modos de campanha dos games. O serviço na nuvem contará com multiplayer. Por enquanto, está previsto ainda crossplay entre PC e Xbox One - além disso, se você já jogou um jogo nessas duas plataformas, poderá continuar de onde parou no Stadia. O Google diz estar trabalhando com a Sony para oferecer essa possibilidade também a usuários do PlayStation 4.

AS DÚVIDAS

E o lag?

Uma das principais dúvidas é sobre a qualidade do serviço: será que jogar um jogo via streaming terá a mesma qualidade de quando fazemos o download ou jogamos a mídia física em nosso console? O Google garante que sim, mas temos dúvidas. Em testes restritos feitos por alguns sites internacionais há alguns meses, rolaram algumas críticas.

O Google pede uma conexão mínima de 10 Mpps para fazer o streaming em uma qualidade aceitável e a partir de 35 Mpbs para a potência total. Nem todos têm internet com essa potência em suas casas, principalmente no Brasil. Além disso, a empresa investiu em datacenters nos países em que lançará o serviço - quanto mais infraestrutura, menor a chance de problemas com lag ou latência.

Essa questão, contudo, só terá resposta depois que a plataforma for oficialmente lançada. E provavelmente será decisiva para o sucesso ou não dela. Afinal, se as pessoas tiverem que jogar um game pixelado, com travados ou com atraso nos comandos rapidamente vão desistir do novo sistema.

Pressão por franquia de operadoras?

A questão acima está ligada a outra: as operadoras podem não gostar nada disso. Se atualmente com a Netflix, que exige muito menos banda do que um streaming de jogos, já rola a pressão pela franquia da internet banda larga, imagina com essa nova plataforma? E, para se ter uma ideia, um streaming de 4K deve consumir 1 TB de dados em 65 horas, segundo a PC Gamer - tempo que pode ser insuficiente para terminar muitos jogos por aí.

É estilo Netflix ou não?

Google Stadia deixará você jogar games sem precisar de console - Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Google Stadia deixará você jogar games sem precisar de console
Imagem: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Essa novidade do Google pode ser definida, toscamente, com uma "Netflix dos games". Mas ela não é exatamente como o fenômeno mundial de streaming de séries e filmes. Sim, assim como a Netflix, o Stadia fará streaming de conteúdo por uma assinatura e te livrará de um hardware específico. Mas temos as diferenças.

Ao contrário da Netflix, o Stadia não deixará você acessar livremente todos os conteúdos. Além da assinatura - haverá ainda um plano gratuito para você ter acesso a jogos em menor qualidade -, você deverá fazer compras separadas dos games. Alguns vão ser gratuitos e outros contarão com descontos, mas é possível que muitos tenham o "preço cheio" que estamos acostumados a ver. Ainda não temos mais detalhes disso também.

Vai ter todos os jogos e exclusivos?

Foram 31 jogos anunciados no lançamento oficial, incluindo alguns de estúdios consagrados como a Ubisoft. Mas não está certo ainda de como será a biblioteca para futuros lançamentos. O site GameSpot, por exemplo, disse que desenvolvedores da Rockstar, responsáveis por "Red Dead Redemption 2" e "GTA V", estão trabalhando com o Stadia, mas não está claro para quais games. O Google também não falou nada a respeito de títulos exclusivos para a nova plataforma.

Os jogos são seus ou podem ser excluídos?

Outra dúvida pertinente: como será um sistema de streaming, isso significa que quem comprar o jogo passará a ser dono dele ou que o Google terá parcerias por licenças como ocorre com a Netflix? Se for a segunda opção, não vai ser nada agradável você começar um game e não terminar porque o contrato da distribuidora com o Google acabou e ele saiu do sistema - como ocorre atualmente com séries em streaming.

Vai valer a pena?

Essa é a pergunta de vários milhões de dólares, e a resposta depende de diversos fatores. Além das questões técnicas e econômicas, vale pensar no perfil e hábito de consumo de cada jogador. Afinal, quantos jogos você joga por mês? Quantos terá que comprar e quantos terá gratuitamente? Não sabemos ainda - pode ser que valha mais a pena continuar no seu atual console ou comprar os novos no futuro.

Errata: o texto foi atualizado
O dispositivo para fazer o Stadia funcionar em uma televisão é um Chromecast Ultra, não Chromebook Ultra como citado. O erro foi corrigido.

Google Stadia