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Em "Shadow of the Tomb Raider", selva é principal ferramenta de Lara Croft

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Los Angeles (EUA)

27/04/2018 10h00

Em 2006, o diretor Mel Gibson lançou um filme sobre a civilização maia que não foi um grande sucesso de público e um retumbante fracasso de crítica chamado “Apocalypto”. O filme mostra cenas de sacrifício humano para o deus Sol que marcaram a memória de quem assistiu ao filme: um sacerdote maia abre o peito de suas vítimas e arranca seus corações ainda batendo com a mão.

O erro histórico do filme acaba de ser repetido pelo novo jogo da saga “Tomb Raider”, que deve ser lançado em 14 de setembro deste ano e que a reportagem do UOL jogou por uma hora em seu lançamento no centro de Los Angeles na noite dessa quinta-feira (26).

“Shadow of the Tomb Raider” mostra uma Lara Croft com pouco mais de 20 anos de idade, ainda em processo de se tornar a famosa personagem, tendo que impedir que a organização criminosa e fanática que matou seu pai faça cumprir uma profecia que colocaria em prática o Apocalipse maia.

No clipe de lançamento do jogo, Croft inclusive impede que um garoto tenha seu coração arrancado por um sacerdote. Pena que quem cometia esse tipo de selvageria eram os astecas. Os maias eram mais adeptos de jogar bebês em poços para alimentar o deus da água.

Imagem do game "Shadow of the Tomb Raider" - Divulgação
Imagem do game "Shadow of the Tomb Raider"
Imagem: Divulgação

O erro pode parecer uma bobagem, mas deprecia uma das principais características da franquia, que é sua quase fidelidade histórica e geográfica à realidade. Nesta narrativa, que segundo os produtores tem um mapa de jogo três vezes maior que “Rise of the Tomb Raider”, a aventura começa na ilha mexicana de Cozumel, onde Lara analisa um mapa que irá levá-la ao Peru --vamos torcer que lá ela encontre os incas e não os guaranis kaiowas…

Preciosismos históricos e piadas à parte, a principal característica deste jogo é o ambiente selvagem. Segundo o diretor de narrativa, Jason Dozois, neste jogo a selva é, ao mesmo tempo, mestre e ferramenta. Nela, Lara Croft interage e se defende animais, é infectada por parasitas, usa plantas para se curar e a mata se torna sua camuflagem.

Também, atendendo a pedidos dos fãs, há muito mais tumbas, com diversos elementos que servirão para aperfeiçoar a performance do jogador, mas sem que ele corra riscos. Houve melhorias em suas habilidades de rapel e, também, como nadadora. Há inclusive desafios de sobrevivência embaixo d’água que são agonizantes para quem está jogando de tão realistas que são.

Depois de analisar o mapa que a levará ao Peru, Lara desce para uma festa de Día de Los Muertos com o objetivo de encontrar o vilão Domingues, que faz parte da Trindade. Antes de descobrir onde ele está, ela vaga pela festa tentando se misturar com as pessoas. Croft conversa com alguns personagens que falam frases anódinas ou de duplo sentido, como por exemplo quando uma senhora diz que “os jovens não sabem nada da vida”, mas ela sim, afinal fora “rebelde quando jovem”. Um momento bastante WTF…

Enquanto seu amigo Jonah distrai os guardas Domingues, a pequena Tomb Raider pula uma cerca, segue vilão e dois de seus capangas que estão se encaminhando para matar um arqueólogo. Usando a selva para se esconder, ela mata os dois capangas, um com uma faca e outro homem, armado com uma pistola, sucumbe ao poderoso arco e flecha Lara Croft. Super-realista, só que não…

Imagem do game "Shadow of the Tomb Raider" - Divulgação
Imagem do game "Shadow of the Tomb Raider"
Imagem: Divulgação

Lara segue sua caçada em sua primeira tumba, onde escala paredes, pula plataformas, mergulha em um lago onde é atacada por uma enguia, quase se afoga, fica presa entre as pedras, mas acaba escapando. Neste processo todo, Lara Croft também está fugindo de Domingues e de seu bando, mas se coloca na frente para coletar os objetos e elementos necessários para impedir o cumprimento das profecias em que seu pai acreditava.

A reportagem chegou quase ao fim da primeira fase e, em termos de jogabilidade, não há comandos que não sejam familiares aos gamers. As habilidades de Lara também estão mais desenvolvidas e complexas, não apenas como nadadora, mas como a personagem se movimenta em escaladas e fazendo rapel.

Apesar de o mapa de jogo ser maior, não há muita flexibilidade de narrativa, segundo os produtores. Ou seja: há apenas um caminho correto para se chegar ao final e outros caminhos tomados pelo jogador são mera distração para coletar bônus e montar quebra-cabeças que, em alguns casos, podem ser resolvidos em grupo com outros jogadores remotos.

O jogo vai sair em duas versões: uma padrão e outra de colecionador, que vem com uma estátua da Lara Croft. Ele está disponível nas seguintes plataformas: Xbox One, incluindo Xbox One X, PlayStation 4 e PC Windows e Steam.

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