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Ele já ganhou mais de R$ 1,5 mil para jogar pelos outros

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Rodrigo Lara

Do Gamehall

01/12/2017 04h00

Você pagaria para ter vantagem em um jogo? E aqui não falamos sobre itens de microtransações, mas sim pagar para alguém evoluir um personagem, passar um desafio complicado ou, ainda, adquirir uma conta já avançada em determinado game?

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Independentemente da sua resposta, saiba que há muita gente interessada neste tipo de "serviço". E, claro, muita gente ganhando dinheiro enquanto joga pelos outros. Uma breve pesquisa em sites como o Mercado Livre mostra diversas ofertas, que variam desde pacotes de itens de determinado game, como "Dark Souls III" e "Diablo 3", até um serviço de "guia" para passar desafios complicados de "Destiny 2".

UOL Jogos entrou em contato com um desses vendedores, Marco Antônio Lins, de 34 anos, que contou que já faturou - juntamente com seu clã - mais de R$ 1,5 mil ajudando jogadores a vencer o Desafio dos 9, uma das tarefas mais difíceis de "Destiny 2" que envolve disputas contra grupos de outros jogadores e só dá recompensas caso se vença sete partidas em sequência.

Destiny 2 - venda de progresso - Reprodução - Reprodução
Não é difícil encontrar pessoas vendendo "serviços" em "Destiny 2"; há vendedores que já conseguiram mais de 200 clientes
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Esse valor foi obtido em três finais de semana prestando o serviço. Basicamente, cobra-se um valor (que varia de acordo com o vendedor, algo entre R$ 30 e R$ 50) para que o vendedor jogue com a sua conta, vença o desafio e a devolva. Há também a possibilidade de comprar uma "passagem", isto é, entrar em um esquadrão bom no game que irá "carregar" o comprador no desafio.

"Nós jogamos até conseguir. Se o comprador opta por não passar a conta, nós vamos tentando até dar certo. Caso esteja muito complicado ou demore muito, acabamos sugerindo que ele passe a conta para facilitar", diz Marco Antônio. Ele conta que, em média, sua equipe tem entre 6 e 10 clientes por final de semana. "Alguns até compram mais de uma 'passagem'".

Vício antigo

Marco Antônio diz que ele e os amigos jogam "Destiny" desde o lançamento do primeiro game da série, em 2014. "Na época do primeiro jogo, levamos alguns amigos pelo 'Trials of Osiris'. A gente sabia que tinha gente vendendo esse tipo de serviço no 'Destiny', mas nunca conversamos sobre a possibilidade de oferecer algo assim. Isso só veio em 'Destiny 2', quando um amigo comentou sobre e vimos que há uma demanda para isso".

No Mercado Livre, é fácil encontrar anúncios do tipo com mais de 200 vendas.

Apesar de ter ganhado um bom dinheiro em pouco tempo, Marco Antônio diz que não pensa em viver disso. "É mais uma forma de ganhar um trocado enquanto nos divertimos, já que não é todo final de semana [período no qual o Desafio dos 9 fica ativo] que o time pode jogar o tempo todo. Eu tenho um emprego e jogo aos finais de semana, então é uma maneira de garantir uma renda extra e, depois de um tempo, comprar um jogo ou um outro videogame, quem sabe", conta.

Perguntado se ele não acredita que muitas pessoas usando esses serviços seria algo que tiraria a graça do game, ele diz que não acredita nisso. "No primeiro 'Destiny' não aconteceu, então acho que não acontecerá nesse. O que faz as pessoas desistirem de um jogo assim é falta de balanceamento ou do que fazer".

Pacote completo

O comércio informal nos games não vive só de serviços como o citado acima ou venda de itens. Há pessoas que vendem contas de alguns games.

É possível encontrar diversos anúncios de contas de jogos como "Clash of Clans", geralmente em níveis avançados. O preço varia bastante, podendo ir de cerca de R$ 100 até R$ 1.000.

Entramos em contato com um vendedor, que se identificou como Joab "Lord JB" e vendia um email de login em games como "Clash of Clans", "Clash Royale" e "Boom Beach" no site OLX. "Uma conta evoluída sempre tem interessados. Conversando com outros jogadores, é normal perguntarem se você venderia sua conta". O valor cobrado era de R$ 800 e, depois de um tempo, ele concretizou a venda.

Clash of Clans - venda de contas - Reprodução - Reprodução
Há casos mais extremos, como o de games de celulares. No caso do popular "Clash of Clans", há até venda de contas avançadas por valores altos
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Ele diz que a conta em questão vendida continha progresso de um ano jogando esses games. "O ideal é que cada jogo tivesse em um e-mail diferente, mas mesmo assim diversas pessoas vieram me perguntar e eu consegui vender. Hoje eu já criei outras contas separadas e vou evoluindo aos poucos".

"De cara, não pensava em evoluir uma conta para vender, mas vi como algo que poderia me render dinheiro e resolvi arriscar". De acordo com o jogador, uma razão pela alta procura tem a ver com a forma com que novatos são tratados pela comunidade desses games "Tem muita gente que procura porque quem está começando sofre muito, não encontra muita gente para jogar e ainda é xingado pela comunidade desses jogos. Se você tem uma conta evoluída, você é respeitado, recebe convite de clãs, essas coisas".

É legal?

Ao menos em tese, não há qualquer impedimento legal para os jogadores venderem contas ou itens de jogo. A questão é que, dependendo do jogo, essa situação pode ferir o contrato de licença de usuário.

Diablo III - venda de contas - Reprodução - Reprodução
Games como "Diablo 3" também têm itens à venda; nesse caso, o contrato de licença de usuário prevê punições, como o banimento de contas
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Esse, por exemplo, é o caso da Blizzard. Procurada pelo UOL Jogos, a empresa ressaltou que de acordo com o seu contrato de licença do usuário, "coletar moeda corrente, itens ou recursos dentro do jogo para vender fora da plataforma ou do(s) jogo(s), realizar serviços dentro do jogo, incluindo, mas não se limitando a melhoria de conta ou passar de nível, em troca de pagamento" é um "uso comercial proibido" e pode levar à suspensão ou revogação da plataforma. Ou seja: vender itens de jogos como "Diablo III", se identificado pela empresa, pode acarretar no banimento de contas.

Já a Activision - empresa que publica a série "Destiny" -, não fez qualquer comentário sobre o caso até o fechamento dessa reportagem. Outro jogo da empresa, "Call of Duty WWII", recentemente virou notícia após jogadores profissionais oferecerem o serviço de evoluir contas de outros jogadores na Inglaterra.