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Jogamos: com novos heróis, "Gears of War 4" mantém ação em ritmo frenético

Novos inimigos, como os DeeBees, mantém o ritmo de jogo frenético de "Gears 4" - Divulgação
Novos inimigos, como os DeeBees, mantém o ritmo de jogo frenético de "Gears 4"
Imagem: Divulgação

Rodrigo Guerra

Do UOL, em Vancouver*

19/09/2016 10h00

O Xbox original foi um grande console nos EUA, mas por aqui no Brasil tinha uma participação tímida no mercado e, talvez por isso, na época do lançamento do Xbox 360 por aqui, “Halo” não era uma franquia com tantos fãs. Entretanto, um jogo que chamou muita atenção foi “Gears of War”, dos criadores de Unreal e, por muito tempo, Marcus Fenix, Cole Train e Dominic Santiago se tornaram os “mascotes” do videogame.

Agora Microsoft está disposta a fazer um movimento audacioso ao deixar os seus principais heróis de fora em “Gears of War 4” - e isso será a melhor coisa que poderia acontecer para fazer a história da franquia andar para frente.

UOL Jogos teve a oportunidade de dar uma olhada nos atos 2 e 3 da campanha de “Gears of War 4, marcado para chegar no dia 11 de outubro para Xbox One e PC. Para isso, fomos ao estúdio que desenvolve a franquia atualmente, a Colation, e falamos com os desenvolvedores para entender quais são os planos para esse e os próximos games da série.

Momento de encontro de Marcus e JD tem uma mensagem implícita: o pai que passa a tarefa de salvar o mundo para o filho - Divulgação
Momento de encontro de Marcus e JD tem uma mensagem implícita: o pai que passa a tarefa de salvar o mundo para o filho
Imagem: Divulgação

“Tivemos que ser audaciosos para fazer com que as pessoas sentissem que ‘Gears 4’ não é mais do mesmo. Você tem que ser audacioso quando quer fazer algo realmente diferente”, disse Rod Fergusson, diretor de “Gears of War 4” em entrevista para o UOL. “Quando olhamos para os antigos personagens, vemos que eles estão no fim dos seus 40 anos e tudo o que eles passaram nesse tempo. Não queríamos que eles estivessem trancados nesses lugares como se fosse apenas personagens. Com esses novos heróis, que nasceram depois da guerra, podemos ir a mais lugares com eles e a história do jogo pode muda-los um pouco mais e com isso evoluí-los”.

A decisão de deixar Marcus de lado pesou bastante para a equipe de desenvolvimento do jogo “Claro que ficamos um pouco receosos por não ser um jogo do Marcus Fenix, basta lembrar o quanto ‘Gears of War: Judment’ foi criticado por Baird ser o personagem principal. Pensamos muito se era a coisa certa deixar Marcus de lado, mas isso deixa claro que estamos movendo a série para uma nova geração de jogadores e um novo console”, explica Rod.

Marcus dá espaço para seu filho, James Dominc Fenix, ser o protagonista ao lado dos amigos Kait Dias e Delmont Walker. Esta é uma aventura de redescoberta do planeta Sera que está um tanto diferente depois da destruição dos Locust.

A fazenda onde encontramos Marcus Fenix mostra que o guerreiro se acostumou à vida pacata - Divulgação
A fazenda onde encontramos Marcus Fenix mostra que o guerreiro se acostumou à vida pacata
Imagem: Divulgação

O game acontece 25 anos depois dos eventos de “Gears 3”. Agora o mundo está passando por uma fase de reconstrução depois de anos em guerra contra os nativos do planeta. Vemos o cenário, que antes era de desolação, se adaptando à nova realidade. As plantas começam a tomar conta dos escombros da guerra ao mesmo tempo em que percebemos que os humanos estão se aconchegando ao local.

No trecho que jogamos, JD, Del e Kait chegam à fazenda de Marcus Fenix, que não está nada feliz em ver o rosto do filho – talvez por algo que tenha acontecido no primeiro ato. Claro que a reunião de pai e filho acaba em briga, não entre os dois, mas contra a Coalition of Ordered Governments, ou COG, o “governo” dos humanos em Sera.

Nesse ponto da história Kait acaba ter sua mãe sequestrada por uma raça chamada como Swarm e precisa da ajuda de JD e Del para encontrá-los. Entretanto, o trio é considerado Outsider, humanos que estão longe dos muros da COG. Os Outsiders são considerados pela COG os responsáveis pelo desaparecimento de diversas pessoas.

Os três se vêem em um beco sem saída e acabam recorrendo a Marcus, a única pessoa que acreditaria no aparecimento de uma ameaça alienígena. Marcus, que estava vivendo sua vida de fazendeiro, se vê mais uma vez em uma armadura de guerra. Ele se junta com o filho para encontrar pistas onde estão os desaparecidos e ajudar a resgatar a mãe de Kait.

Em um ponto da campanha, Marcus Fenix se alia ao filho para mostrar como é que se lida com monstros e robôs. Mas não se anime muito: você joga o game inteiro com JD - Divulgação
Em um ponto da campanha, Marcus Fenix se alia ao filho para mostrar como é que se lida com monstros e robôs. Mas não se anime muito: você joga o game inteiro com JD
Imagem: Divulgação

Sem dar mais spoilers da trama do jogo, vemos uma aventura que remete muito aos primeiros jogos da série, onde o humor sarcástico e ácido se faz presente a cada fala. Marcus, como um bom fazendeiro, se preocupa com sua propriedade, a plantação de tomates e seu filho – exatamente nessa ordem. Kait e Del são parceiros mais sóbrios e deixam o clima equilibrado entre as piadas de Marcus e a treta que estão enfrentando.

“Isso faz parte do tom do ‘Gears’ que eu gosto, que é o fato que nós podemos ser sérios, mas também somos engraçados, quando você olha para os outros games da franquia você vê que tem elementos de filmes blockbuster de ação, que tem um pouco de drama e isso são coisas que fazemos. Não dá para ser o tempo todo focado e direcionado. Eu particularmente me desconecto de games que o tempo todo se levam a sério. Isso não é assim na vida real.” conta Rod.

Para o diretor, esse senso de humor é o que atrai muitos jogadores, inclusive soldados do exército dos EUA. “Falamos com soldados que foram para o Afeganistão e eles nos contaram que de vez em quando estão fazendo piadas, brincando uns com os outros. Esse é o tipo de piada que queremos levar para ‘Gears’. Claro que isso [a guerra] não é uma oktoberfest e que você não precisa estar rindo o tempo todo, mas que pode ser usado como válvula para não ser tão sério o tempo todo”.

Armas de guerra

Nos cenários em que passamos, vimos novos inimigos, os DeeBees, robôs criados pela COG para defender a população no lugar dos soldados. Eles agem como humanos e Locusts, mas muito mais lentos e resistentes. Além deles, vemos também os soldados da Swarm, que ao que parece, tomam conta dos restos mortais dos Locust e partem para cima dos humanos.

Em um senso comum, a campanha se mostra bem no estilo de como um “Gears of War” deve ser, com hordas de inimigos avançando estrategicamente, se defendendo em cantos e murinhos e esperando o momento certo para atacar ainda que persista o sentimento de que os adversários são “esponjas de balas”.

O jogo nos leva para cenários amplos e cheios de murinhos prontos para serem usados como cobertura, mas dessa vez existe um movimento que permite pegar quem está do outro lado do muro e arrastar para seu lado, deixando livre para uma execução sanguinolenta.

Também fomos apresentados a duas novas armas dos DeeBees, a Overkill que é uma escopeta de quatro canos que tem um funcionamento diferente do tradicional. Em uma shotgun de dois canos quando você aperta o gatilho dispara os dois tiros e tem que recarregar para dar mais dois disparos. Com a Overkill, quando você aperta o gatilho dois disparos são feitos, e quando solta o gatilho, mais dois disparos saem. Apenas esse simples funcionamento faz com que você pare para pensar em estratégias diferentes, já que é possível dar quatro tiros de uma só vez.

Novas armas, como esse rifle, mostram que ainda há espaço para armas malucas em "Gears 4" - Divulgação
Novas armas, como esse rifle, mostram que ainda há espaço para armas malucas em "Gears 4"
Imagem: Divulgação

A segunda arma é o rifle EMBAR, que não tem zoom. Isso porque quem os usa são os robôs DeeBees – e robôs não precisam desse tipo de subterfúgio para mirar. O diferencial desse rifle é que os disparos são carregados. Quando você aperta o gatilho, o disparo começa a ser concentrado e duas partes da retícula de mira começam a se aproximar. Soltar o gatilho muito cedo, não solta o disparo, segurando tempo depois, a arma sobreaquece e também não realiza o disparo. De qualquer forma, os tiros dessa arma são devastadores causam muito dano em quem recebe um tiro no corpo – e sempre é fatal com um tiro na cabeça.

No decorrer da campanha, ambas as armas fazem parte do repertório constantemente, mas ainda há espaço para armas antigas como a Gnasher e a icônica Lancer. Com isso o jogo mantém os dois pés em suas raízes.

Tocando nesse assunto, o pouco de tempo que tivemos para jogar a campanha, deu para notar que a pegada continua sendo a versão jogável de um filme de ação continua intacta. Uma cena que prova isso mostra Marcus e JD em fuga em cima de uma motocicleta onde devem destruir um avião de guerra que sobrevoa o cenário jogando bombas enquanto atira sem parar. Controlar a moto enquanto aperta o gatilho acaba sendo emocionante, mesmo sabendo que se trata de ação nos trilhos, remetendo aos jogos anteriores que possuem momentos similares.

Ao que parece, a campanha “Gears of War 4” não vai dever em nada para os outros games da franquia, mas vai além ao mostrar que a Coalition não está com medo de errar ao retirar de cena personagens que são pilares que construíram a marca Xbox.

“Acho que os fãs brasileiros vão gostar de ‘Gears of War 4’, mesmo sabendo que Marcus, que é a cara do jogo, não é mais o personagem principal. Vai ter um tempo de transição para aceitar JD, Kait e Del, mas eu olho para isso como parte do caminho que estamos trilhando. Quando você volta para o primeiro jogo da série e você Marcus, Baird e Dom gritando e dando socos uns nos outros, mas levou um tempo para você vê-los como irmãos de guerra. Por isso que eu quero que as pessoas venham ver ‘Gears 4’, para ver como que nós apresentamos esses personagens nesse novo mundo”, fala Rod.

* O jornalista viajou à convite da Microsoft

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