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Caprichado, "Unravel" apela para olhos, coração e cérebro

Esse aí da imagem é o pequeno Yarny, um boneco feito de lá que protagoniza a aventura de "Unravel" - Divulgação
Esse aí da imagem é o pequeno Yarny, um boneco feito de lá que protagoniza a aventura de "Unravel" Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Do Gamehall

17/02/2016 11h05

Quando o jogador rodar o game "Unravel" pela primeira vez, terá a chance de ler uma mensagem dos seus criadores, funcionários da Coldwood Interactive, produtora sueca responsável pelo game. Emotiva, ela agradece o apoio dos jogadores durante a produção do game, movimento que ficou ainda mais forte após o jogo ser apresentado durante a E3 2015 por um visivelmente nervoso Martin Sahlin, diretor criativo do estúdio.

Deixando um pouco de lado aspectos frios a serem analisados, como gráficos e jogabilidade, "Unravel" é um game que apela e muito para a sensibilidade do jogador. Seja pela simplicidade de Yarny, personagem controlado no game que nada mais é do que um boneco feito por fios de lã, seja pela temática, que explora a o poder das memórias afetivas dos seres humanos.

Montagem/UOL
Imagem: Montagem/UOL

Não é exagero, portanto, dizer que "Unravel" tem a capacidade de ser uma verdadeira experiência sensorial.

Em busca de memórias

A história do game é bastante simples: a missão de Yarny é reviver passagens da vida de uma senhora idosa, reatando memórias perdidas de sua família. Ainda que não tenha sido uma questão diretamente relatada, o paralelo com o terrível Mal de Alzheimer é inevitável, uma vez que elementos como o álbum de fotos incompleto que simboliza o avanço do jogo ou ainda a forma efêmera com a qual algumas passagens da vida da família da senhora em questão são relatadas durante as fases podem ser metáforas referentes à doença.

Esse simbolismo também se faz presente na principal mecânica do jogo: ao andar pelos cenários, Yarny fica preso a um fio de lã e, conforme avança, ele vai perdendo seu corpo. Esse fio poderia, facilmente, ser interpretado com uma linha que une as pessoas às passagens de suas vidas. 

A progressão em "Unravel" se dá em fases lineares, acessadas por meio de porta-retratos. Cada uma representa um cenário diferente no qual a família em questão passou: um jardim, uma floresta, uma praia, entre outros. Para chegar ao final da fase, Yarny precisa utilizar seus fios de lã de maneira inteligente, muitas vezes resolvendo quebra-cabeças que utilizam objetos que são elementos do próprio cenário, como um graveto ou um concha vazia.

Esses puzzles não são extremamente difíceis: alguns, no máximo, exigirão algum tempo de análise e abordagens criativas.

Ao contrário de muitos games de ação e plataforma, Yarny não possui ataques contra inimigos. Os perigos que aparecem na tela, como siris na fase litorânea, precisam ser evitados, ou ainda poças de água, nas quais o personagem encharca e afunda. Entre os truques disponíveis para isso estão a possibilidade de prender uma ponta de lã em ganchos espalhados pelo cenário para se balançar ou amarrar duas pontas e fazer uma ponte - que também serve de cama elástica. Não há qualquer dificuldade em controlar o personagem.

A linha que Yarny deixa pelo caminho pode ser usada de várias maneiras, como na criação de uma ponte elástica (foto) - Divulgação
A linha que Yarny deixa pelo caminho pode ser usada de várias maneiras, como na criação de uma ponte elástica (foto)
Imagem: Divulgação

Uma vez atingido o final de cada cenário, parte do álbum de fotografias da família é recuperado. Também é possível coletar pequenos adornos espalhados em cantos escondidos da fase. São cinco desses por cenário.

Olhos e ouvidos agradecem

Encantador é uma boa forma de definir o visual de "Unravel". Seja pelas formas simpáticas de Yarny e seu andar desajeitado, que facilmente rivaliza em carisma com o Sackboy da série "LittleBigPlanet", ou ainda pelos cenários. Mesmo sendo um jogo sem diálogos, é possível notar que há vida em abundância em todos os lugares que Yarny explora. 

A direção de arte, neste caso, é primorosa: ainda que realista, o visual das fases carrega consigo um ar de fantasia. Isso acaba transmitindo a sensação que Yarny explora um ambiente dos sonhos, o que casa muito bem com a premissa do jogo.  

A atmosfera é complementada pelo som do game. Os músicas oscilam de ritmo, calmas a maior parte do tempo, mas agitadas em momentos mais emocionantes, como quando o pequeno boneco de lã alça voo amarrado a uma pipa. Os efeitos sonoros são simples, porém pontuam bem o progresso do jogador.

Para apreciar

No final das contas, "Unravel" é aquele tipo de jogo que você, mais do que jogar, vai querer mostrar para o seu (sua) namorado (a), amigos, parentes etc. Nem tudo é maravilhoso, porém: os quebra-cabeças poderiam ser mais exigentes, assim como a jogabilidade mais variada e o game em si, mais longo.

Mesmo com esses pequenos tropeços, a Coldwood acertou bastante com "Unravel" ao apelar para os sentimentos dos jogadores em si, indo além da missão de fazer um jogo competente. É fácil, portanto, recomendar "Unravel" para quem jogue no PC, PlayStation 4 Xbox One, plataformas nas quais o game está disponível. 

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