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Da fama ao fracasso: relembre 'fails' de "Street Fighter" e "Mortal Kombat"

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

04/06/2014 17h33

Nesta semana, duas séries de luta relembram os tempos de glória dos anos 90: o anúncio de "Mortal Kombat X" colocou os fãs da série em polvorosa, enquanto o lançamento de "Ultra Street Fighter IV" prolonga (ainda mais) a vida do ótimo game da Capcom.

Hoje em dia é fácil que a situação não poderia ser diferente. Afinal, tratam-se de duas franquias antigas e respeitadas, que durante anos vêm inovando e agradando seus fãs mais fiéis... ou quase.

Tanto a galera do Hadouken quanto a turma dos Fatalities já se esbaldou tanto na fama que tropeçou e caiu de cara no pudim.

Assim, relembramos os deslizes mais marcantes da cada franquia como um lembrete do que não gostaríamos nunca mais de ver - e também de que mesmo burradas como estas podem ser quase esquecidas com produções de qualidade.

Não é à toa que a Capcom tem a má fama de explorar ao máximo cada resquício de carisma e sucesso de suas franquias: em 1990, antes até de lançar o mega hit "Street Fighter II", a produtora colocou no mercado "Street Fighter 2010: The Final Fight" - aliás, que nome com crise de identidade, hein.

Lançado no Japão como um spin-off aleatório do jogo de luta, chegou aos EUA com a história levemente alterada: o cyborg Kevin virou, sabe-se lá como, o lutador loiro Ken, que após se aposentar do karatê shotokan virou um policial meio-homem, meio máquina, ao estilo "Robocop".

Brincadeiras à parte, trata-se de um jogo de ação 2D competente, mas que sofre preconceito pela descabida relação com a querida série de luta.

Um jogo baseado em um filme... que, por sua vez, é baseado em um jogo. Não bastasse a salada mista de referências e inspirações, "Street Fighter: The Movie" ainda tentou inovar ao utilizar gráficos digitalizados à la "Mortal Kombat".

Tentou, mas não rolou. Além do estilo visual que pouco combinava com a série, o game mudou demais o estilo de luta, focando em combos aéreos e introduzindo novos golpes especiais e personagens desnecessários - como Blade e Sawada.

Ao menos, o game serve para dar vida a um fato curioso: quando Ed Boon e John Tobias começaram a esboçar o primeiro "Mortal Kombat", a ideia era utilizar o ator Jean Claude Van Damme como 'mocinho'. O mundo deu voltas e Van Damme acabou aparecendo como protagonista de um jogo da série rival, já que ele interpretou Guile no filme de "Street Fighter".

Fato: a geração 32-bits foi marcada pelos gráficos tridimensionais. Outro fato: em alguns casos, a tentativa de fazer gráficos 3D foi mais marcante do que o êxito em si.

Esta é, veja só, a situação de "Street Fighter EX", primeira incursão poligonal da série. Verdade seja dita, não se trata de um exemplo de lixo do mundo: "SF EX" é um game de luta divertido e bem resolvido, mas que sofre de personagens-caixote.

O poderio gráfico limitado do primeiro PlayStation e a própria falta de experiência da Capcom e da Arika (o estúdio que cuidou do desenvolvimento do game) colaboraram para isso.

Ainda assim, a experiência valeu, já que as continuações (para o próprio PSone e depois na estreia do PS2) ficaram ainda mais legais.

"Mortal Kombat 4" não é exatamente o episódio mais querido de "MK", mas o futuro 3D da sangrenta franquia reservava dias ainda mais sombrios, começando por "Deadly Alliance".

A estreia na geração GameCube/PS2/Xbox marcou pela inclusão de muitos personagens diferentes pouquíssimos carismáticos, diversos estilos de lutas e um enredo ruim - mesmo para os fãs mais ardorosos da série.

É chover no molhado, mas a piada é inevitável: "Mortal Kombat: Deception" foi uma verdadeira decepção. Tudo bem que, no caso do jogo em si, "Deception" faz alusão à farsa protagonizada por Mileena, que finge ser Kitana para levar os exércitos de Edenia à guerra e... ok, chega de história.

Novamente lotado de personagens inexpressivos, o game até tentou trazer boas ideias à mesa, como o modo Konquest, que misturava lutas com sequências de ação, mas não chegava nem aos pés do inigualável (e inesquecível) "Shaolin Monks".

"Deception" também se esforçou bastante para oferecer lutas online de qualidade em uma geração de consoles que ainda não ligava muito para isso, mas (infelizmente) se empenhou demais também na zoeira ao apresentar modos aleatórios de quebra-cabeça e xadrez - que depois ainda seriam precedidos por "Motor Kombat", ao estilo "Mario Kart", em "Armageddon".

Você é da turma que acha "Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero" uma porcaria é porque ainda não ouviu falar de "Special Forces".

Estrelado por Jax, trata-se de um jogo de ação 3D que mostra o brutamontes caçando Kano e sua gangue. A ideia inicial era incluir também Sonya Blade, mas a produção do jogo foi marcada por tantos problemas que o produto final reflete essa bagunça.

Durante o desenvolvimento, a versão para Nintendo 64 foi cancelada e vários membros saíram da equipe (incluindo John Tobias). Segundo declaração de Ed Boon no Twitter, "o jogo foi marcado por todo tipo de problema. Eu poderia escrever um livro sobre isso".

FILMES

Rivalidades à parte, "Street Fighter" e "Mortal Kombat" sofreram horrores nas mãos de um inimigo em comum: os filmes para o cinema estrelados por atores de verdade.

Em 1994 veio "Street Fighter", com Van Damme, Raul Julia e Kylie Minogue. Uma verdadeira bomba, desfigurando praticamente todos os queridíssimos personagens da série.

Um 'pequeno' descanso de 15 anos não foi o bastante para a Capcom aprender a lição: em 2009 veio "Legend of Chun-Li".

Com Kristin Kreuk (a Lana, do seriado "Smalville") no papel da lutadora chinesa e Taboo (do grupo musical Black Eyed Peas!) interpretando o espanhol Vega. Uma bomba atômica ainda mais destrutiva.

"Mortal Kombat" começou melhor: o filme homônimo de 1995 honra as origens da franquia e rendeu umas das músicas mais tocadas até hoje em academias pelo mundo inteiro. Já a sequência, "Aniquilação", bem, fez jus ao nome e detonou a moral da série nos cinemas.

 

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