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Call of Duty: Advanced Warfare

Victor Ferreira

do Gamehall

19/05/2014 08h30

  • Equipado com um novo motor gráfico, "Advanced Warfare" quer inovar na nova geração

Há poucos jogos que moldaram a indústria de games como “Call of Duty 4: Modern Warfare”. Para bem ou mal, o shooter de 2007 ajudou a compor o quadro da indústria AAA nos últimos anos - e da geração PlayStation 3 e Xbox 360 como um todo -, além de transformar uma série de relativo sucesso em um titã bilionário.

Em 2014, porém, a maré parece estar se voltado contra a franquia, após o grande sucesso de “Ghosts” não ter superado o êxito ainda maior de seu predecessor, “Black Ops II”. A mudança para uma nova geração de consoles pode causar a queda de gigantes, e enquanto a Activision procura cobrir suas bases com “Destiny”, a Sledgehammer Games tem como missão trazer algo de inovador à série, sendo o primeiro estúdio a ter um período de três anos para criar seu próprio jogo.

“Call of Duty: Advanced Warfare” é o resultado deste esforço. Pesquisando protótipos e tecnologias ainda em fase conceitual, a Sledgehammer está criando um jogo de tiro com equipamentos futuristas e narrativa envolvendo o uso cada vez mais constante de organizações paramilitares em campos de batalha, utilizando até o ator Kevin Spacey para dar face a estas entidades como o personagem Jonathon Irons.

Será o suficiente para conter o aparente declínio - e até dar vida extra - à franquia?

VEJA TRAILER DO JOGO COM LEGENDAS EM PORTUGUÊS

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Mudança de planos

Criada por membros chave da Visceral Games - responsável pela série de horror “Dead Space” - o plano inicial da Sledgehammer era criar um spin-off de “Call of Duty” em terceira pessoa. Isso, porém, mudou com o êxodo de muitos dos membros da Infinity Ward, após a demissão dos criadores da franquia, Jason West e Vince Zampella.

Correndo contra o tempo, a Activision ofereceu à Sledgehammer a chance de ajudar a concluir “Modern Warfare 3” e, tendo sucesso nesta empreitada, o estúdio acabou sendo o primeiro a ser beneficiado por um período de três anos de desenvolvimento para um game da série - até então, o rodízio de estúdios envolvidos oferecia apenas dois anos para criar cada título.

“Seguir para um ciclo de três anos permite às equipes algumas coisas”, explica o CEO da Activision Publishing, Eric Hirshberg, em entrevista à revista Game Informer. “Primeiro, dá a liberdade de falhar no processo criativo, ter coisas que não chegam ao disco. Em um processo de dois anos, cada linha de código é como uma corrida até a entrega. Queremos dar a possibilidade de criar novas coisas, mecânicas base e novas perspectivas dentro do game”.

A filosofia da Slegdehammer quanto à criação de “Advanced Warfare” foi a de tentar criar algo diferente sem perder o espírito da franquia. “Sabemos que há milhões de pessoas que jogam, e elas não querem um jogo completamente diferente”, diz Glen Schofield, um dos cabeças do estúdio. “Elas querem ‘Call of Duty’, mas melhor, diferente, inovador”.

Olhando para o futuro

“Advanced Warfare” não é o primeiro jogo da série a trazer o combate para o futuro, mas por enquanto é o que foi mais longe, cronologicamente, com a história situada em 2052. Isso deu a oportunidade à Sledgehammer de criar equipamentos e armas que, atualmente, se encontram em fase de testes ou nem saíram do papel.

Uma das principais mudanças do jogo em relação aos anteriores é o exoesqueleto - ou EXO - utilizado pelos soldados. Com ele, a mobilidade do jogador será significativamente maior do que a vista em outras iterações da franquia, podendo correr, saltar e neutralizar inimigos com mais variedade. Além disso, será possível instalar melhorias no equipamento entre as missões por meio de pontos recebidos, personalizando a experiência.

Este elemento é apenas uma das diferentes tecnologias que poderão ser encontradas no jogo: granadas poderão ter suas funções alteradas enquanto são jogadas, e hovercrafts e hoverbikes estarão à disposição.

A Sledgehammer, porém, procurou manter o máximo de autenticidade e realismo na experiência. “Nós trouxemos especialistas de design de produção em filmes, militares, cientistas e futuristas”, disse Schofield, salientando o foco e dedicação na pesquisa feito pelos desenvolvedores ao criar o jogo.

Novas vozes

Mesmo com “Advanced Warfare” sendo o primeiro “Call of Duty” criado por conta própria, a Sledgehammer não tem medo de mudar 'vacas sagradas' que definiram as campanhas single player anteriores.

A mudança mais marcante é o enfoque no protagonista: enquanto em outros jogos da série a perspectiva mudava constantemente, em “Advanced Warfare” o jogador só estará na pele de Mitchell, um soldado que deixa o exército americano para se unir à Atlas, organização paramilitar comandada por Jonathon Irons.

“Um personagem único era muito importante”, disse Schofield. “Neste caso, é sobre a narrativa e a jornada deste cara. Não é só uma história militar, ela é sobre família e camaradagem, dor e perda. Queríamos contar algo assim, e o melhor jeito seria com apenas um personagem”.

Mitchell é definido pelos desenvolvedores como “um cara normal”, com quem o público geral possa se relacionar facilmente. O soldado será dublado em cenas e telas de loading por Troy Baker - intérprete de Joel em “The Last of Us” e Booker em “Bioshock Infinite” -, mas os desenvolvedores deixaram claro que ele não será ouvido enquanto for controlado pelo jogador, em tentativa de “não quebrar a imersão”.

A estrela do show, porém, é claramente Kevin Spacey como Irons, um dos homens mais ricos e influentes do mundo. Ao contrário de exércitos privados do mundo real, como a Blackwater, a Atlas é vista com bons olhos pela comunidade internacional, tendo até uma posição no Conselho de Segurança da ONU, e Irons é a face da organização.

“Pedimos a [Spacey], neste caso, para ser um cara que fosse carismático do começo e ao decorrer do jogo. Alguém que é e que possa agir inteligentemente e como um CEO. E, ao mesmo tempo, em outra cena há um monte de soldados em campo e ele pode ir para ele e dizer ‘Ei, vamos tomar umas’”, declara Schofield.

Ainda assim, o mundo sofre com a constante ameaça de ataques terroristas e os eventos do game se passam depois de uma espécie de “11 de setembro global”, segundo o outro cabeça da Sledgehammer, Michael Condry. A responsável pelo ataque em massa é a KVA, organização com várias conexões com grupos terroristas e principal antagonista do jogo.

A narrativa, então, pretende mostrar a evolução de Mitchell durante os anos com seus inimigos e aliados, seja Irons e seus companheiros da Atlas, as ameaças da KVA ou membros de uma facção não identificada.

E o multiplayer?

Com o grande foco que o estúdio tem dado na campanha, ainda não se sabe muito sobre o que o multiplayer - certamente o elemento mais importante para grande parte do público da série - terá de novo para esta iteração.

QUAQUER SEMELHANÇA...

  • É difícil não comparar a performance de Kevin Spacey como Jonathon Irons com seu já icônico Francis Underwood no seriado “House of Cards”.

    Os desenvolvedores dizem que a ideia de escalá-lo surgiu desde antes da série, mas o próprio ator comentou as similaridades: “Acho que ambos gostam de fazer as coisas acontecerem e não jogar pelas regras - o que em um jogo é o maior ato disruptivo possível”

Por enquanto, a expectativa é de que a mobilidade extra mostrada na campanha esteja presente nos modos competitivos e cooperativos, tornando as partidas mais frenéticas e procurando usar mais aspectos do mapa, especialmente elementos como verticalidade e exploração do cenário.

“Tivemos dois anos e meio para dedicar esta equipe a uma experiência completa e voltada para a próxima geração no multiplayer de ‘Call of Duty’”, diz Condry. “Você provavelmente pode imaginar as possibilidades de muitas das coisas que viu no single player e como elas se aplicarão online”.

Ainda não se sabe se haverá modos novos ou se alguns serão removidos, mas assim como em predecessores, muitas das funcionalidades encontradas em “Advanced Warfare” terão foco em campeonatos e torneios profissionais.

“Como uma franquia, temos um foco muito específico em e-Sports”, diz o gerente de relações públicas globais de “Call of Duty”, Kyle Walker. “Há um público viciado e é uma categoria que cresce, e a levamos a sério. Não podemos dizer muito mais que isso, mas o estúdio está completamente focado. Vamos torná-lo um grande pilar da experiência”.

Descendo a marreta

“Advanced Warfare” se encontra em um período de incerteza: “Call of Duty” parece mostrar seus primeiros sinais de cansaço, o que significa que inovação é necessária. A Sledgehammer crê que está criando um produto diferente, mas mantendo os elementos que definem a série.

Supondo que o estúdio venha a cumprir esta promessa, será que estas mudanças serão o suficiente? Será que agradarão o público a ponto de trazer jogadores de volta? Ou será que “Advanced Warfare” será mais um degrau no lento declínio da antes intocável série? As respostas ficam para o fim do ano.

“Call of Duty: Advanced Warfare” será lançado em 4 de novembro para PC, PlayStation 3, PS4, Xbox 360 e Xbox One.

TEMPOS DE MUDANÇAS

“Advanced Warfare” estará disponível para consoles da antiga e nova geração. A Sledgehammer, porém, só está desenvolvendo o jogo para PC, PS4 e Xbox One, com um estúdio ainda desconhecido responsável pela versão dos consoles veteranos...